sábado, 3 de novembro de 2007



Centre Georges Pompidou


Les collections du Musée, nouvelle présentation

Après deux accrochages thématiques, le Musée offre aux regards ses chefs-d'oeuvre au sein de deux nouveaux parcours chronologiques, occupant à nouveau l'ensemble des 4e et 5e étages. Les collections modernes - plus de 1 300 œuvres, près de 500 revues, sont présentées dans un parcours densifié et diversifié pour mettre en valeur les artistes et les œuvres de la première moitié du 20e siècle et présenter les dernières acquisitions réalisées dans ce domaine. Les 500 œuvres des collections contemporaines s'organisent autour d'un principe chronologique, choisi comme fil conducteur, qui laisse régulièrement la place à des ensembles thématiques et présente les acquisitions récentes. En 2007, le Musée national d'art moderne retrouve sa plénitude.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Numa mesa
na esplanada do café Le Quai
papéis dispersos
despertaram
o olhar verde escuro do serveur

Uma voz respondeu à pergunta silenciosa

Sou a poesia que a imaginação dos seres
livres como tu
adivinham inocentemente o belo

Um sorriso ondulou no seu rosto tranquilo
e ainda sem dizer nada
sentindo apenas
afastou-se iluminado



Ler


Sempre que se abre um livro
No seu rumoroso e tranquilo silêncio
É já uma forma de antecipação
Do escrito mas ainda por decifrar

Que a leitura não é uma ingénua descodificação
Mas viagem deliciosa e iluminada ao mundo recriado
Pelo leitor-(re)escritor
O sempre iniciado-intérprete da palavra
Gravada na página anjo
Onde ser e sentir se dizem

Paris, 2007

Um distante dia de Outubro



Este fim-de-semana evoquei paisagens de outrora. São paisagens de um outro tempo, de um outro lugar, muito distante deste onde me encontro. Era tudo tão mágico, tão de sonho! Tão de mais!
Foi muito simples reabilitar esse passado. Creio que foi a paisagem do filme «Wicker Park» que me fez ressuscitá-lo. Como sinto falta da paisagem branca, branca! Ver os flocos de neve dançar do céu ininterruptamente, vê-los cair uns sobre os outros até cobrirem tudo com um manto imaculado.
Mais belo e inesquecível ainda é andar nas ruas brancas e sentir no rosto o frio cortante. Sabia tão bem fazê-lo! Mesmo quando os trilhos por onde todos passavam se transformavam numa lama aguada e acastanhada.
As roupas bem quentes que somos obrigados a vestir aconchegam-nos nesses passeios a pé. As luvas, os cachecóis, os gorros, os casacos compridos, as botas são de um conforto extraordinário. Tal como entrar numa chocolaterie e pedir um chocolate bem quentinho. Que aroma! Que sabor aveludado e doce.
Depois retomava o passeio sozinha ou acompanhada, tanto fazia. Quando sozinha, apreciava a neve nos telhados das casas, nas copas das árvores, nas margens dos lagos. Observava as pessoas na sua rotina diária. Quando acompanhada, gostava sobretudo de respirar fundo, encher o peito de ar frio e de me ver, depois, a expirá-lo como se de vagas de fumo se tratasse.
Sabe o ar a vinho tinto
chambreado
no esconderijo sagrado
dos dedos voluntariamente duplos


Olhos de paisagem passeiam
pelos telões
inventadamente0
oásis do ser


Encontros cromáticos
nascem
no espaço carmesim
no mais fundo estado
de lucidez


Corpos
erguem-se beijam-se possuem-se
nos nocturnos abraços
do álcool


Fremem no atelier
palpitações desejos transbordantes
quentes
de tão pele na pele
nas mãos do mestre-amante


Sabe o ar a vinho tinto
chambreado
no esconderijo sagrado
dos amantes sem hora

há qualquer coisa, Editorial Minerva (2000)

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

A F. P.

Sei a tua dor
Desde o dia em que te li
Sempre que te leio

Conheço
Tão bem o incomensurável
Do teu sentir tudo
Até à perversão
Soube-te a nada a tua existência
Tão essência

Buscaste-te
Nas entrelinhas do teu pensar
Doentemente
Para te encontrares inteiro
Mas ficaste ainda e só
Tu
Entregue à embriaguez de seres
Outros
Que não mais eram do que tu contigo