terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Ano Novo





Manda a tradição que, ao som das doze badaladas, se comam doze passas e se formulem desejos. Quantos desejos silenciosos, repetidos, ano após ano, não serão ditos? Há sempre crentes! Bons crentes, que formulam os seus desejos para um ano de 366 dias, porque este ano é bissexto, que esperam ver concretizados.
Num novo ano podemos realizar novos projectos, concretizar alguns sonhos adiados, reatar laços perdidos, mas é pouco provável que iniciemos algo de inesperadamente novo. Há projectos que foram construídos no pretérito e que não podemos, nem queremos abandonar.
É um facto que a desesperança acompanha a existência de milhares de seres humanos pelo planeta; outros, inabaláveis nas suas convicções, esperam por uma nova oportunidade. Diz a voz da sabedoria ancestral "Ano novo, vida nova". Como se isso fosse possível! Só se apagássemos todo um percurso que já foi realizado, para o bem e para o mal.
Porém, é esta capacidade, de pedir o impossível e sonhar com o improvável, que projecta o ser humano no tempo e potencia a sua longevidade.

domingo, 9 de dezembro de 2007

24 de Novembro de 2007


quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Paris



Ainda não há muito tempo, fui passar um fim-de-semana a Paris. Encantou-me voltar lá depois de tanto tempo.

Naqueles dias, que correram num ápice, lembro-me sobretudo de um evento que decorreu durante essas noites na capital francesa.

Em cada espaço da cidade, fosse ele sagrado ou simplesmente nas ruas, aconteceram as "nuits blanches". A cidade da luz reafirmou-se como a cidade da luz.

À noite, várias expressões artísticas inundaram a cidade de luz, som e cor. Numa catedral, um dos artistas encheu vários balões que se elevaram a uma certa distância e, quando as luzes se apagaram, ficaram apenas iluminados os balões que desenhavam, no espaço, um ponto de interrogação luminoso. Numa das praças, havia uma estrutura metálica que cuspia fogo, cuja intensidade variava, de acordo com o sopro de uma jovem cuspidora. Havia encenações em línguas imaginárias, constituídas por sons e alfabetos imaginários. Outros artistas faziam pantomima. Outros ainda declamavam poesia.

Paris encheu-se de arte e magia, horas e horas consecutivas... pela noite dentro.

Nunca o pulsar nocturno de uma cidade me impressionou tanto. Talvez seja apenas um sentimeto meu, que me identifico com as diferentes expressões de arte e, ainda mais, com Paris e com a França!

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

A Fernanda Azevedo


No perfume luminoso das chamas cintilantes
habita a magia e o (im)possível
na paleta fantástica
nas mãos da criadora

Representam-se imagens aladas
na folha neve de hoje
e contam-se histórias de amanhã
em policromias concretas
na limpidez preciosa e clara
do mundo do belo

Nessas ondulações artísticas
nascem poções
de cores encantadas
de seres mágicos
num espaço onírico
de gestos atentos e tranquilos
na invenção do ser

sábado, 3 de novembro de 2007



Centre Georges Pompidou


Les collections du Musée, nouvelle présentation

Après deux accrochages thématiques, le Musée offre aux regards ses chefs-d'oeuvre au sein de deux nouveaux parcours chronologiques, occupant à nouveau l'ensemble des 4e et 5e étages. Les collections modernes - plus de 1 300 œuvres, près de 500 revues, sont présentées dans un parcours densifié et diversifié pour mettre en valeur les artistes et les œuvres de la première moitié du 20e siècle et présenter les dernières acquisitions réalisées dans ce domaine. Les 500 œuvres des collections contemporaines s'organisent autour d'un principe chronologique, choisi comme fil conducteur, qui laisse régulièrement la place à des ensembles thématiques et présente les acquisitions récentes. En 2007, le Musée national d'art moderne retrouve sa plénitude.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Numa mesa
na esplanada do café Le Quai
papéis dispersos
despertaram
o olhar verde escuro do serveur

Uma voz respondeu à pergunta silenciosa

Sou a poesia que a imaginação dos seres
livres como tu
adivinham inocentemente o belo

Um sorriso ondulou no seu rosto tranquilo
e ainda sem dizer nada
sentindo apenas
afastou-se iluminado



Ler


Sempre que se abre um livro
No seu rumoroso e tranquilo silêncio
É já uma forma de antecipação
Do escrito mas ainda por decifrar

Que a leitura não é uma ingénua descodificação
Mas viagem deliciosa e iluminada ao mundo recriado
Pelo leitor-(re)escritor
O sempre iniciado-intérprete da palavra
Gravada na página anjo
Onde ser e sentir se dizem