domingo, 17 de fevereiro de 2008
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
Palavras Andarilhas
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
Digressões

É em noites de trovão, vento e chuva que se ouvem melhor as vozes dos elementos. Acordam-nos. Dizem-nos que não lhes cabe assistirem-nos, mas apenas provar que existem como nós, entre nós, além de nós. Por milénios e milénios!
Mas nem todos sabem que essa é a voz primordial que nos poderia sagrar de melodia divina...
Há tantos que não a conhecem, que não a sabem. Andam desatentos e só eles dormem um sono sossegado, que é já a manifestação do seu contentamento inconsciente.
Há tantos que não a conhecem, que não a sabem. Andam desatentos e só eles dormem um sono sossegado, que é já a manifestação do seu contentamento inconsciente.
Sem Título
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Se não fosses escritor, que serias?
Sê-lo-ia sempre,
que a natureza de um iluminado não deixa nunca de ser
a magia de dizer o incrível que o habita.
sábado, 26 de janeiro de 2008
Atonement
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
Homenagem a Niels Fischer

Em 2005 comemorámos o Bicentenário do Nascimento de Andersen, um dinamarquês que ficou, para sempre, ligado aos seus escritos, sobretudo a arte de narrar contos. Muitos ouviram ler e/ou leram na infância as suas narrativas.
É que não podemos esquecer que há autores que se tornam universais, clássicos, imortais. Deixam de estar fisicamente no mundo e, todavia, continuam connosco, nas suas palavras.
Estamos em 2008 e, mais uma vez, este nosso encontro acontece por Andersen ter sido um menino, um rapaz, um homem que, como nos disse Niels Fischer, «queria ser actor, cantor, bailarino». No entanto, não conseguiu realizar todos esses sonhos. Contudo, ainda assim, podemos dizer, pelo que puderam ver na exposição e nesta gala, que Andersen foi um artista multifacetado.
Andersen, como todo o artista, mostrou-nos o belo e o macabro, que aparecem, outrora como agora, em recortes e escritos. Podemos dizer que nessas suas manifestações artísticas persiste a compreensão do mundo, inequivocamente e sempre igual, ao longo dos tempos. As dicotomias bem e mal, justiça e injustiça, realidade e sonho permanecem.
Hoje, nesta noite, celebramos, sobretudo, o belo, o sonho, a alegria, de diferentes formas. São manifestações artísticas variadas; umas singulares, outras colectivas. Poderão encontrar na Exposição Hans Christian Andersen, na peça «As Flores da Idinha» e nas danças, que se lhe seguiram, a nossa forma de compreender e sentir Andersen.
Os que aqui estiveram aqui, neste palco, são ainda pequenos e jovens "aprendizes do fingir". Temos a certeza que quer os mais pequeninos, quer os mais crescidos, apesar da responsabilidade, se sentiram felizes de estar aqui. Não os assustou trabalhar os sentimentos e os possíveis eus que habitam cada um de nós.
Hoje fomos nervos, insegurança, receio para mostrar que somos, ainda, inocência, beleza, fantasia, poesia e liberdade.
Se Andersen nos pudesse ver! Se Andersen soubesse o que consegue decorridos dois séculos da sua existência! Se Andersen nos conhecesse e conhecesse um dos seus conterrâneos mais generoso e querido!
Pois é! Andersen não teve esse privilégio. Nós, sim. Por causa do projecto TUDO DANÇA, conhecemos um homem de uma grandeza fora do comum e de uma bondade inigualável, que, não sendo português, se apaixonou em Portugal e se apaixonou por Portugal.
Esse homem inigualável é Niels Fischer, que tem divulgado Andersen de norte a sul de Portugal e também nas ilhas.
O seu encanto natural, a sua coragem e vitalidade; o seu amor a Andersen, em particular, à arte, em geral, e ao ensino humanista; o seu propósito de estar connosco e com outros meninos e meninas, jovens, pais, educadores, professores, tornam-no, a nossos olhos, muito especial.
Rudolf Steiner, um pedagogo austríaco, afirmou que «A nossa mais elevada tarefa deve ser a de formar seres humanos livres que sejam capazes de, por si mesmos, encontrar um propósito e uma direcção para as suas vidas.» Também Niels Fischer nos faz sentir que é assim!
Muito obrigada!
(Fórum Cultural de Alcochete - 19 de JAneiro de 2008)
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
Outrora e agora
Outrora esta paisagem, que não era bem a mesma, apaziguava-me. Ficava horas, não sei bem quantas, enquanto esperava o autocarro, a olhar para o rio Tua e para as suas margens. Como o tempo fluía suavemente. Por vezes, acompanhada de um bloco, desenhava ou escrevia trechos narrativos ou poemas. Nessa altura, já me sabia só. Nessa altura, buscava a solidão. Nessa altura, era jovem e sonhava. Hoje a paisagem ainda me fascina. Sobretudo o rio. Assim como os jardins e as zonas verdes, que nasceram de um lado e do outro das margens. Mas tudo o resto é doloroso. Fugi dali antes da tragédia, porém ela cairia sobre nós implacável, mudando, para sempre, o nosso sentir.
Minha mãe saiu daí por essa altura. No entanto, acabaria por regressar. Entendo-a. É o seu berço natal. Tem ali as irmãs e os irmãos. Tem também a sua casa. Todavia, como não foi o meu berço, não consigo encontrar-me aí.
Lugares de eleição transformam-se em paragens de desencanto e dor. Evitam-se para esquecer tudo o resto: a tortura, o desespero, a mágoa.
Não, não fiz as pazes com o norte transmontano, que desconhece o meu sentir tudo e o meu desejo de esquecimento.
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