quinta-feira, 26 de junho de 2008

"Quero ser Bailarina"



A BAILARINA


ESTA MENINA
TÃO PEQUENINA
QUER SER BAILARINA
***
NÃO CONHECE NEM DÓ NEM RÉ
MAS SABE FICAR NA PONTA DO PÉ
***
NÃO CONHECE NEM MI NEM FÁ
MAS INCLINA O CORPO PARA CÁ E PARA LÁ
***
NÃO CONHECE NEM LÁ NEM SI
MAS FECHA OS OLHOS E SORRI
***
RODA, RODA, RODA COM OS BRACINHOS NO AR
E NÃO FICA TONTA NEM SAI DO LUGAR
***
PÕE NO CABELO UMA ESTRELA E UM VÉU
E DIZ QUE CAIU DO CÉU
***
ESTA MENINA
TÃO PEQUENINA
QUER SER BAILARINA
***
MAS DEPOIS ESQUECE TODAS AS DANÇAS
E TAMBÉM QUER DORMIR COMO AS OUTRAS CRIANÇAS
*
Cecília Meireles
*
(Poema de abertura do espectáculo declamado por Teresa Bonito)




"Quero ser Bailarina"


Os alunos da Escola de dança D. Manuel I apresentaram o espectáculo "Quero ser Bailarina", no dia 20 de Junho, no Fórum Cultural de Alcochete.
As meninas e um menino, entre os três e os treze anos de idade, transportaram os espectadores para o mundo do belo. As performances que apresentaram evocaram a beleza dos seres, a poesia da música, a harmonia da cor, a magnitude do movimento.
Estes pequenos intérpretes e a sua professora, Ana Calafate, apresentaram um espectáculo onde magia, sonho e música se fundiram. Tudo foi de uma beleza simples. Sem artifícios. Pureza, encanto, leveza dominaram.
As composições de Beethoven, Tchaikovsky, Michael Nyman, Mozart e Louis Armstrong revelaram as pequenas estrelas que escolheram a dança como expressão artística.
Professora e alunos estão de parabéns!

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Memórias de ti

Costumavas levar-me contigo na minha infância de frutos silvestres. Levavas-me nos teus passeios pela cidade e compravas-me os mais belos presentes. Não me negavas nada.
A princípio, sem poder compreender, vi-me saparada de ti, da mãe e do meu irmão. Chorei dias a fio. As noites tornaram-se muito tenebrosas. Fiquei sem o teu, o vosso amor.
Mantiveste-te longe tempo de mais. As férias de Verão eram mágicas porque tu estavas. Éramos a família de outrora: tranquila, alegre, feliz. Mas as tuas partidas eram dolorosas.
Certo dia, vieste e ficaste connosco. Era eu uma adolescente. Vieste e foi mágico, de novo. Sonhámos juntos. Sonhaste com a tua família. Eu sonhei contigo. Soubeste e compreendeste a minha paixão pela leitura, pela escrita e a minha necessidade de solidão.
Se não tivesses sido tu, não teria vindo estudar para Lisboa. O teu consentimento foi decisivo. Sabias que precisava de muito. Deixaste-me voar. Deixaste-me ser livre.
Nas férias de Páscoa, de Verão e de Natal contava-te como era fantástico aprender novas coisas, ter novos amigos. Sonhávamos com o momento em que acabaria a licenciatura e começaria a trabalhar.
Era-me urgente começar a trabalhar. Queria dar-te o mundo tal como mo tinhas oferecido : límpido, honesto, tranquilo, promissor.
A última vez que fui ter contigo à nossa quinta, senti uma angústia enorme e um nó na garganta. Procurei-te e chamei-te, porém não obtive resposta. Senti um estranho medo. Como se não existisses. Acabei por te encontrar. Viria a perder-te algumas semanas depois.
Partiste cedo de mais. Para sempre. Da forma mais dolorosa. Faz hoje dezasseis anos.
Durante nuito tempo, deixei de me reconhecer. Durante muitos anos deixei que a dor, o desespero, a raiva tomassem conta de mim. Fui durante muito, muito tempo errante. E, por isso, traí muitos dos sonhos que sonhámos. Menos um: nunca abandonei a escrita.
Deixaste-me ser quem hoje sou, porque me deixaste ver o mundo, com os olhos ávidos por novidade.
Nunca deixei de te amar. Nunca. Mas, por largos anos, o meu amor foi doente. Muito. Agora confesso-te que já não.
Neste momento é a minha vez de te deixar partir. Vai. Eu estou melhor. Muito melhor. Fica sabendo que sei que estarás sempre comigo.
Adeus, pai.

domingo, 16 de março de 2008

Contos do Mundo



Sementes de Vento - Contos do Mundo, de Tim Bowley, é uma belíssima colectânea de contos.


O seu sabor é único! As histórias são encantadoras e chegam-nos de diferentes partes do mundo: Japão, Índia, Inglaterra, Rússia, Médio Oriente.


Agora, que me anima ser contadora de histórias, confesso que estes Contos do Mundo surpreendem os ouvintes. Mais que isso... são sempre apanhados desprevenidos.


Este livro pode ser adquirido na Escola Superior João de Deus, em Lisboa.


segunda-feira, 3 de março de 2008

A Fernanda Azevedo

No perfume luminoso das chamas cintilantes
habita a magia e o (im)possível
na paleta fantástica
nas mãos da criadora

Representam-se imagens aladas
na folha neve de hoje
e contam-se histórias de amanhã
em policromias concretas
na limpidez preciosa e clara
do mundo do belo

Nessas ondulações artísticas
nascem poções
de cores encantadas
de seres mágicos
num espaço onírico
de gestos atentos e tranquilos
na invenção do ser

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Sabor a Mundo


O mundo é muito mais do que os nossos olhos abarcam. É, desde sempre, mais do que o mundo físico! Pois além do mundo físico, há todo um mundo interior, invisível aos olhos, muito maior que o primeiro. Esse revela o sentir total de todos os seres humanos dos mais recônditos lugares no planeta terra, desde tempos imemoriais.
A sua grandeza surge-nos das mais diversas formas. Basta atentarmos nas pinturas rupestres, nas ruínas que assinalam a sua passagem pelo mundo, os mitos, as lendas e os contos populares, que alguém soube converter em texto, os romances, os vários documentários, a multiplicidade de películas cinematográficas que atestam a sua existência.
O sabor do mundo chega-nos de todos os continentes, de todos os países, de todas as civilizações, de todos os povos. Maior que tudo também é a sua sabedoria, o seu sentir pleno, a sua história, a sua geografia.
Todos os testemunhos que nos legaram têm um sabor próprio, que só alguns conseguem apreciar. Com efeito, a liberdade de aceitar o outro como ele foi e/ou é, com qualidades e defeitos, semelhanças e diferenças, não os impede de revelar a sua cultura ancestral, a todos os que os rodeiam.
Captar o pulsar do homem desde a sua origem até aos dias de hoje é uma exigência para todos os que têm como missão educar na diferença, para que a diferença seja respeitada e aceite.
O desafio de todos é degustar estes sabores a mundo tão diferentes! Não esqueçamos que a diferença torna tudo mais autêntico, mágico e encantador.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Representação do amor: beijo roubado