quarta-feira, 16 de julho de 2008

12 de Junho de 2007


Há momentos em que me supero. São poucos, bem sei.

São aqueles em que uso a palavra escrita. Elas, as palavras, dizem-me por inteiro: o que sou, sinto, sei, imagino, sonho, quero, desejo e penso. Que importa tudo o resto? Nada.

Nunca me peçam para calar tudo isso. Seria matar o que há de mais nobre em mim…

terça-feira, 15 de julho de 2008

Liberdade


Há dias em que me afasto de todos e opto por um passeio solitário. Há nesses momentos um grande desejo de isolamento, quase como se me fosse insuportável estar no local onde me encontrava.
Vagueio pelas ruas sentido a brisa e o sol no rosto. Deixo também que os pensamentos corram velozes, porque não quero aprisioná-los.
Observo atenta o que me cerca e sei que nada será igual no momento seguinte. Nem eu mesma, que sou a inconstância em pessoa!

domingo, 29 de junho de 2008

Sem título




Sim, existimos.

Por quanto tempo?

Enquanto somos.

Somos...

Perturba-te o não-ser?

Persiste sempre a interrogação
sobre o estarmos aqui e a nossa infinita invisibilidade.


quinta-feira, 26 de junho de 2008

"Quero ser Bailarina"



A BAILARINA


ESTA MENINA
TÃO PEQUENINA
QUER SER BAILARINA
***
NÃO CONHECE NEM DÓ NEM RÉ
MAS SABE FICAR NA PONTA DO PÉ
***
NÃO CONHECE NEM MI NEM FÁ
MAS INCLINA O CORPO PARA CÁ E PARA LÁ
***
NÃO CONHECE NEM LÁ NEM SI
MAS FECHA OS OLHOS E SORRI
***
RODA, RODA, RODA COM OS BRACINHOS NO AR
E NÃO FICA TONTA NEM SAI DO LUGAR
***
PÕE NO CABELO UMA ESTRELA E UM VÉU
E DIZ QUE CAIU DO CÉU
***
ESTA MENINA
TÃO PEQUENINA
QUER SER BAILARINA
***
MAS DEPOIS ESQUECE TODAS AS DANÇAS
E TAMBÉM QUER DORMIR COMO AS OUTRAS CRIANÇAS
*
Cecília Meireles
*
(Poema de abertura do espectáculo declamado por Teresa Bonito)




"Quero ser Bailarina"


Os alunos da Escola de dança D. Manuel I apresentaram o espectáculo "Quero ser Bailarina", no dia 20 de Junho, no Fórum Cultural de Alcochete.
As meninas e um menino, entre os três e os treze anos de idade, transportaram os espectadores para o mundo do belo. As performances que apresentaram evocaram a beleza dos seres, a poesia da música, a harmonia da cor, a magnitude do movimento.
Estes pequenos intérpretes e a sua professora, Ana Calafate, apresentaram um espectáculo onde magia, sonho e música se fundiram. Tudo foi de uma beleza simples. Sem artifícios. Pureza, encanto, leveza dominaram.
As composições de Beethoven, Tchaikovsky, Michael Nyman, Mozart e Louis Armstrong revelaram as pequenas estrelas que escolheram a dança como expressão artística.
Professora e alunos estão de parabéns!

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Memórias de ti

Costumavas levar-me contigo na minha infância de frutos silvestres. Levavas-me nos teus passeios pela cidade e compravas-me os mais belos presentes. Não me negavas nada.
A princípio, sem poder compreender, vi-me saparada de ti, da mãe e do meu irmão. Chorei dias a fio. As noites tornaram-se muito tenebrosas. Fiquei sem o teu, o vosso amor.
Mantiveste-te longe tempo de mais. As férias de Verão eram mágicas porque tu estavas. Éramos a família de outrora: tranquila, alegre, feliz. Mas as tuas partidas eram dolorosas.
Certo dia, vieste e ficaste connosco. Era eu uma adolescente. Vieste e foi mágico, de novo. Sonhámos juntos. Sonhaste com a tua família. Eu sonhei contigo. Soubeste e compreendeste a minha paixão pela leitura, pela escrita e a minha necessidade de solidão.
Se não tivesses sido tu, não teria vindo estudar para Lisboa. O teu consentimento foi decisivo. Sabias que precisava de muito. Deixaste-me voar. Deixaste-me ser livre.
Nas férias de Páscoa, de Verão e de Natal contava-te como era fantástico aprender novas coisas, ter novos amigos. Sonhávamos com o momento em que acabaria a licenciatura e começaria a trabalhar.
Era-me urgente começar a trabalhar. Queria dar-te o mundo tal como mo tinhas oferecido : límpido, honesto, tranquilo, promissor.
A última vez que fui ter contigo à nossa quinta, senti uma angústia enorme e um nó na garganta. Procurei-te e chamei-te, porém não obtive resposta. Senti um estranho medo. Como se não existisses. Acabei por te encontrar. Viria a perder-te algumas semanas depois.
Partiste cedo de mais. Para sempre. Da forma mais dolorosa. Faz hoje dezasseis anos.
Durante nuito tempo, deixei de me reconhecer. Durante muitos anos deixei que a dor, o desespero, a raiva tomassem conta de mim. Fui durante muito, muito tempo errante. E, por isso, traí muitos dos sonhos que sonhámos. Menos um: nunca abandonei a escrita.
Deixaste-me ser quem hoje sou, porque me deixaste ver o mundo, com os olhos ávidos por novidade.
Nunca deixei de te amar. Nunca. Mas, por largos anos, o meu amor foi doente. Muito. Agora confesso-te que já não.
Neste momento é a minha vez de te deixar partir. Vai. Eu estou melhor. Muito melhor. Fica sabendo que sei que estarás sempre comigo.
Adeus, pai.

domingo, 16 de março de 2008

Contos do Mundo



Sementes de Vento - Contos do Mundo, de Tim Bowley, é uma belíssima colectânea de contos.


O seu sabor é único! As histórias são encantadoras e chegam-nos de diferentes partes do mundo: Japão, Índia, Inglaterra, Rússia, Médio Oriente.


Agora, que me anima ser contadora de histórias, confesso que estes Contos do Mundo surpreendem os ouvintes. Mais que isso... são sempre apanhados desprevenidos.


Este livro pode ser adquirido na Escola Superior João de Deus, em Lisboa.