quarta-feira, 16 de julho de 2008

Terça-feira, 11 de Serembro de 2007

Não sabemos nunca onde as palavras nos levarão. Primeiro são palavras. Palavras a vogar na nossa mente à espera que as deixem ser ideias. Umas são boas, outras más, porém belas quando transformadas em histórias que dizem o que somos e sentimos.
Quem não procura a palavra certa e honesta? A palavra pura e cristalina? A palavra de se ser aqui, agora, até um dia?
As histórias existem silenciosas, mudas, persistentes, que não nos abandonam nunca! Deixamo-las ao abandono, desamparadas até um dia. Depois damos-lhes vida e permitimos que nasçam.
As palavras que escrevi outrora foram telas de poesia. As palavras que escrevi há pouco tempo são narrativas de magia e encantamento. Uma dessas narrativas está reproduzida em dois mil e dez exemplares. Aguardam, num espaço do escritório, pelo encontro solar com os leitores, o que acontecerá muito em breve.
O cheiro a papel, tinta, cola, impressão recém-aparecida inundam o espaço.
Esta aparição de tão concreta unge-me de felicidade. Mas por quanto tempo?

12 de Junho de 2007


Há momentos em que me supero. São poucos, bem sei.

São aqueles em que uso a palavra escrita. Elas, as palavras, dizem-me por inteiro: o que sou, sinto, sei, imagino, sonho, quero, desejo e penso. Que importa tudo o resto? Nada.

Nunca me peçam para calar tudo isso. Seria matar o que há de mais nobre em mim…

terça-feira, 15 de julho de 2008

Liberdade


Há dias em que me afasto de todos e opto por um passeio solitário. Há nesses momentos um grande desejo de isolamento, quase como se me fosse insuportável estar no local onde me encontrava.
Vagueio pelas ruas sentido a brisa e o sol no rosto. Deixo também que os pensamentos corram velozes, porque não quero aprisioná-los.
Observo atenta o que me cerca e sei que nada será igual no momento seguinte. Nem eu mesma, que sou a inconstância em pessoa!

domingo, 29 de junho de 2008

Sem título




Sim, existimos.

Por quanto tempo?

Enquanto somos.

Somos...

Perturba-te o não-ser?

Persiste sempre a interrogação
sobre o estarmos aqui e a nossa infinita invisibilidade.


quinta-feira, 26 de junho de 2008

"Quero ser Bailarina"



A BAILARINA


ESTA MENINA
TÃO PEQUENINA
QUER SER BAILARINA
***
NÃO CONHECE NEM DÓ NEM RÉ
MAS SABE FICAR NA PONTA DO PÉ
***
NÃO CONHECE NEM MI NEM FÁ
MAS INCLINA O CORPO PARA CÁ E PARA LÁ
***
NÃO CONHECE NEM LÁ NEM SI
MAS FECHA OS OLHOS E SORRI
***
RODA, RODA, RODA COM OS BRACINHOS NO AR
E NÃO FICA TONTA NEM SAI DO LUGAR
***
PÕE NO CABELO UMA ESTRELA E UM VÉU
E DIZ QUE CAIU DO CÉU
***
ESTA MENINA
TÃO PEQUENINA
QUER SER BAILARINA
***
MAS DEPOIS ESQUECE TODAS AS DANÇAS
E TAMBÉM QUER DORMIR COMO AS OUTRAS CRIANÇAS
*
Cecília Meireles
*
(Poema de abertura do espectáculo declamado por Teresa Bonito)




"Quero ser Bailarina"


Os alunos da Escola de dança D. Manuel I apresentaram o espectáculo "Quero ser Bailarina", no dia 20 de Junho, no Fórum Cultural de Alcochete.
As meninas e um menino, entre os três e os treze anos de idade, transportaram os espectadores para o mundo do belo. As performances que apresentaram evocaram a beleza dos seres, a poesia da música, a harmonia da cor, a magnitude do movimento.
Estes pequenos intérpretes e a sua professora, Ana Calafate, apresentaram um espectáculo onde magia, sonho e música se fundiram. Tudo foi de uma beleza simples. Sem artifícios. Pureza, encanto, leveza dominaram.
As composições de Beethoven, Tchaikovsky, Michael Nyman, Mozart e Louis Armstrong revelaram as pequenas estrelas que escolheram a dança como expressão artística.
Professora e alunos estão de parabéns!

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Memórias de ti

Costumavas levar-me contigo na minha infância de frutos silvestres. Levavas-me nos teus passeios pela cidade e compravas-me os mais belos presentes. Não me negavas nada.
A princípio, sem poder compreender, vi-me saparada de ti, da mãe e do meu irmão. Chorei dias a fio. As noites tornaram-se muito tenebrosas. Fiquei sem o teu, o vosso amor.
Mantiveste-te longe tempo de mais. As férias de Verão eram mágicas porque tu estavas. Éramos a família de outrora: tranquila, alegre, feliz. Mas as tuas partidas eram dolorosas.
Certo dia, vieste e ficaste connosco. Era eu uma adolescente. Vieste e foi mágico, de novo. Sonhámos juntos. Sonhaste com a tua família. Eu sonhei contigo. Soubeste e compreendeste a minha paixão pela leitura, pela escrita e a minha necessidade de solidão.
Se não tivesses sido tu, não teria vindo estudar para Lisboa. O teu consentimento foi decisivo. Sabias que precisava de muito. Deixaste-me voar. Deixaste-me ser livre.
Nas férias de Páscoa, de Verão e de Natal contava-te como era fantástico aprender novas coisas, ter novos amigos. Sonhávamos com o momento em que acabaria a licenciatura e começaria a trabalhar.
Era-me urgente começar a trabalhar. Queria dar-te o mundo tal como mo tinhas oferecido : límpido, honesto, tranquilo, promissor.
A última vez que fui ter contigo à nossa quinta, senti uma angústia enorme e um nó na garganta. Procurei-te e chamei-te, porém não obtive resposta. Senti um estranho medo. Como se não existisses. Acabei por te encontrar. Viria a perder-te algumas semanas depois.
Partiste cedo de mais. Para sempre. Da forma mais dolorosa. Faz hoje dezasseis anos.
Durante nuito tempo, deixei de me reconhecer. Durante muitos anos deixei que a dor, o desespero, a raiva tomassem conta de mim. Fui durante muito, muito tempo errante. E, por isso, traí muitos dos sonhos que sonhámos. Menos um: nunca abandonei a escrita.
Deixaste-me ser quem hoje sou, porque me deixaste ver o mundo, com os olhos ávidos por novidade.
Nunca deixei de te amar. Nunca. Mas, por largos anos, o meu amor foi doente. Muito. Agora confesso-te que já não.
Neste momento é a minha vez de te deixar partir. Vai. Eu estou melhor. Muito melhor. Fica sabendo que sei que estarás sempre comigo.
Adeus, pai.