quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Auxerre


Nas manhãs brancas de Inverno
descias
as escadarias que davam acesso ao pátio
interior
do liceu Jacques Amyot.

Inalavas a longos tragos
o ar gélido.
Fixavas o olhar esplêndido
nas copas frondosas das árvores
que te traziam reminiscências de ouro.

Depois, caminhavas
em direcção à salinha de música
onde entre adágios, allegros e nocturnos
compunhas as melodias do sentir.

Outras vezes, visitavas Marie Noel
e, num mudo diálogo,
ouvias-lhe os seus poemas,
que ecoavam ainda
quando entravas
tranquila
na catedral Saint-Etienne.

Mas o que mais te fascinava
era saberes-te tão grande e inteira
numa cidade estranha
onde o acaso te deixara ir.










quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Essência




Sei de um reino... Um reino maravilhoso! É um reino real e honesto! É um daqueles reinos em que os habitantes conhecem a sua verdadeira essência, ainda que os existencialistas defendam que a essência precede a existência.
Existir pode ser a primeira instância, todavia a mais importante é o SER. Porquanto SER é a individualidade e o sentir de cada um, único e irrepetível...
Por mais questões que nos coloquemos, o mais honesto é sermos justos connosco e com os que cruzam o nosso caminho, fazermos parte do universo pessoal de cada um, sem constrangimento ou falsas aparências, criar laços e reconhecer no outro uma pequena centelha de nós mesmos. Porque somos agora - sobretudo agora , felizes desconhecedores do ainda por acontecer - criação, sonho, realidade e emoção.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Passeio pelo Porto


Estava uma manhã quente de início de Agosto. O Porto brilhava ao sol. Iluminava-se, ao contrário de outros dias e estações. As ruas tinham alguns transeuntes, muitos deles turistas, descobrindo a cidade.
Caminhava com um propósito. Procurava a Livraria Lello. Demorei algum tempo a encontrar o edifício. Encontrei-a entre os Clérigos e a Avenida dos Aliados. A fachada imponente fez-me sentir um friozinho no estômago. Depois de transpor a porta de entrada, a sensação manteve-se e outra se lhe veio a associar: maravilhamento.
O interior é de uma beleza e preciosidade raras. A imponente e trabalhada escadaria de madeira, que dá acesso ao segundo andar de onde o olhar abarca todo o espaço, é uma verdadeira obra de arte.
No tecto existe um vitral que deixa passar uma luz coada e que dá à Livraria a rara beleza de lugares mágicos e imaginários. Mas é tudo bem real! A atestá-lo temos as estantes de madeira cheias de livros e relíquias publicadas pela Lello Editoras, que antecedeu esta Livraria do século XIX.
A Livraria Lello ainda hoje me parece surreal, um mundo fantástico, inebriante. Saber que Guerra Junqueiro esteve presente na inauguração ainda mais!

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Livraria Lello - Porto

quinta-feira, 24 de julho de 2008

João Barbosa: um poeta na escola



João Lopes Barbosa é docente de Ciências Físico-Químicas do 3.º Ciclo, na Escola EB 2,3 El-Rei D. Manuel I. A maioria dos seus colegas e alunos desconhecem que este professor de ciências é um poeta, com uma crescente obra publicada na editora “Apenas Livros”.
João L. Barbosa começou a escrever poemas era então uma criança. Porém, o rapaz que estabeleceu a relação com o mundo através da poesia, optaria pelo ensino das ciências. Com efeito, João L. Barbosa consegue conciliar na perfeição a sua paixão pela poesia e pelas ciências, tal como Adolfo Correia da Rocha (Miguel Torga), Rómulo de Carvalho (António Gedeão), António Lobo Antunes e tantos outros autores portugueses.
Cedo escreveu poemas, letras para canções e ganhou alguns prémios literários. Ninfa (2004), Eros (2005), Tejo (2005), O Movimento do Pêndulo (2007) são alguns dos títulos da sua obra poética. Recentemente, alguns dos poemas do seu livro de cordel Tejo (2005) foram traduzidos para asturiano (uma das línguas faladas em Espanha). Tal facto foi noticiado na imprensa, mais precisamente no LLetres do diário La Voz de Asturias, Oviedo.
No presente ano, Abril de 2008, publica Memória da Terra, uma colectânea de poemas dedicados a sua mãe. São poemas de uma intensidade dramática e de um sentir pleno. Aí estão as suas raízes, as suas memórias, a sua essência, a sua grandeza poética, o homem, a sua ligação telúrica com o universo.
Dessa colectânea deixo-vos um poema que de tão simples é de uma grande força e beleza inigualável.

nasci

nessa manhã de Dezembro
à lareira

o corpo, a dor,
a liturgia da luz

tudo
foi de ti

fui de ti
mãe!

João L. Barbosa é um professor atento, dedicado e ciente das suas responsabilidades na formação dos jovens na área científica, não descurando nunca a vertente experimental da ciência! Quem com ele convive de perto, descobre o seu apurado sentido estético e a sua sensibilidade intrínseca.
João L. Barbosa é um homem criativo, crítico, mas discreto e modesto. Só alguns dos amigos próximos conhecem esta vertente, porquanto só com eles consiga partilhar essa sua paixão.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Terça-feira, 11 de Serembro de 2007

Não sabemos nunca onde as palavras nos levarão. Primeiro são palavras. Palavras a vogar na nossa mente à espera que as deixem ser ideias. Umas são boas, outras más, porém belas quando transformadas em histórias que dizem o que somos e sentimos.
Quem não procura a palavra certa e honesta? A palavra pura e cristalina? A palavra de se ser aqui, agora, até um dia?
As histórias existem silenciosas, mudas, persistentes, que não nos abandonam nunca! Deixamo-las ao abandono, desamparadas até um dia. Depois damos-lhes vida e permitimos que nasçam.
As palavras que escrevi outrora foram telas de poesia. As palavras que escrevi há pouco tempo são narrativas de magia e encantamento. Uma dessas narrativas está reproduzida em dois mil e dez exemplares. Aguardam, num espaço do escritório, pelo encontro solar com os leitores, o que acontecerá muito em breve.
O cheiro a papel, tinta, cola, impressão recém-aparecida inundam o espaço.
Esta aparição de tão concreta unge-me de felicidade. Mas por quanto tempo?

12 de Junho de 2007


Há momentos em que me supero. São poucos, bem sei.

São aqueles em que uso a palavra escrita. Elas, as palavras, dizem-me por inteiro: o que sou, sinto, sei, imagino, sonho, quero, desejo e penso. Que importa tudo o resto? Nada.

Nunca me peçam para calar tudo isso. Seria matar o que há de mais nobre em mim…