sexta-feira, 19 de setembro de 2008

A meu pai

O piano de Chopin
interpreta
melodias que são o anúncio
da harmonia
cósmica


Nessas horas lentas
de notas sensíveis
soçobram
vozes silenciosas
de seres
maiores do que nós
que andam invisíveis
ao nosso lado


Pedem-nos
que tenhamos os olhos
de sol e lua
e que caminhemos a seu lado
com o Indizível
no nosso olhar




quarta-feira, 17 de setembro de 2008

In no distant sea



To be back isn't bad after all. There is always something new to discover and something pleasant to remember. No matter what.
I feel i'm returning home. And that is, indeed, difficult to understand or describe because i don't live in Alcochete. I simply work there!
The fact is, i' m happy to work in such a lovely, quiet and melodious village as Alcochete. It is, probably, one of the most remarkable, poetic and impressive places not far from Lisbon.
It's so easy to imagine possible tales of mystery and travels... adventures far and away, in no distant sea. I have in me its sounds: the song of waves and wind, the voices of sea-gulls, the enchanted murmur from the shore.
This is a village where i would wander if i might from dewy morning to dewy night, and have no one with me wandering.

Auxerre


Nas manhãs brancas de Inverno
descias
as escadarias que davam acesso ao pátio
interior
do liceu Jacques Amyot.

Inalavas a longos tragos
o ar gélido.
Fixavas o olhar esplêndido
nas copas frondosas das árvores
que te traziam reminiscências de ouro.

Depois, caminhavas
em direcção à salinha de música
onde entre adágios, allegros e nocturnos
compunhas as melodias do sentir.

Outras vezes, visitavas Marie Noel
e, num mudo diálogo,
ouvias-lhe os seus poemas,
que ecoavam ainda
quando entravas
tranquila
na catedral Saint-Etienne.

Mas o que mais te fascinava
era saberes-te tão grande e inteira
numa cidade estranha
onde o acaso te deixara ir.










quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Essência




Sei de um reino... Um reino maravilhoso! É um reino real e honesto! É um daqueles reinos em que os habitantes conhecem a sua verdadeira essência, ainda que os existencialistas defendam que a essência precede a existência.
Existir pode ser a primeira instância, todavia a mais importante é o SER. Porquanto SER é a individualidade e o sentir de cada um, único e irrepetível...
Por mais questões que nos coloquemos, o mais honesto é sermos justos connosco e com os que cruzam o nosso caminho, fazermos parte do universo pessoal de cada um, sem constrangimento ou falsas aparências, criar laços e reconhecer no outro uma pequena centelha de nós mesmos. Porque somos agora - sobretudo agora , felizes desconhecedores do ainda por acontecer - criação, sonho, realidade e emoção.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Passeio pelo Porto


Estava uma manhã quente de início de Agosto. O Porto brilhava ao sol. Iluminava-se, ao contrário de outros dias e estações. As ruas tinham alguns transeuntes, muitos deles turistas, descobrindo a cidade.
Caminhava com um propósito. Procurava a Livraria Lello. Demorei algum tempo a encontrar o edifício. Encontrei-a entre os Clérigos e a Avenida dos Aliados. A fachada imponente fez-me sentir um friozinho no estômago. Depois de transpor a porta de entrada, a sensação manteve-se e outra se lhe veio a associar: maravilhamento.
O interior é de uma beleza e preciosidade raras. A imponente e trabalhada escadaria de madeira, que dá acesso ao segundo andar de onde o olhar abarca todo o espaço, é uma verdadeira obra de arte.
No tecto existe um vitral que deixa passar uma luz coada e que dá à Livraria a rara beleza de lugares mágicos e imaginários. Mas é tudo bem real! A atestá-lo temos as estantes de madeira cheias de livros e relíquias publicadas pela Lello Editoras, que antecedeu esta Livraria do século XIX.
A Livraria Lello ainda hoje me parece surreal, um mundo fantástico, inebriante. Saber que Guerra Junqueiro esteve presente na inauguração ainda mais!

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Livraria Lello - Porto

quinta-feira, 24 de julho de 2008

João Barbosa: um poeta na escola



João Lopes Barbosa é docente de Ciências Físico-Químicas do 3.º Ciclo, na Escola EB 2,3 El-Rei D. Manuel I. A maioria dos seus colegas e alunos desconhecem que este professor de ciências é um poeta, com uma crescente obra publicada na editora “Apenas Livros”.
João L. Barbosa começou a escrever poemas era então uma criança. Porém, o rapaz que estabeleceu a relação com o mundo através da poesia, optaria pelo ensino das ciências. Com efeito, João L. Barbosa consegue conciliar na perfeição a sua paixão pela poesia e pelas ciências, tal como Adolfo Correia da Rocha (Miguel Torga), Rómulo de Carvalho (António Gedeão), António Lobo Antunes e tantos outros autores portugueses.
Cedo escreveu poemas, letras para canções e ganhou alguns prémios literários. Ninfa (2004), Eros (2005), Tejo (2005), O Movimento do Pêndulo (2007) são alguns dos títulos da sua obra poética. Recentemente, alguns dos poemas do seu livro de cordel Tejo (2005) foram traduzidos para asturiano (uma das línguas faladas em Espanha). Tal facto foi noticiado na imprensa, mais precisamente no LLetres do diário La Voz de Asturias, Oviedo.
No presente ano, Abril de 2008, publica Memória da Terra, uma colectânea de poemas dedicados a sua mãe. São poemas de uma intensidade dramática e de um sentir pleno. Aí estão as suas raízes, as suas memórias, a sua essência, a sua grandeza poética, o homem, a sua ligação telúrica com o universo.
Dessa colectânea deixo-vos um poema que de tão simples é de uma grande força e beleza inigualável.

nasci

nessa manhã de Dezembro
à lareira

o corpo, a dor,
a liturgia da luz

tudo
foi de ti

fui de ti
mãe!

João L. Barbosa é um professor atento, dedicado e ciente das suas responsabilidades na formação dos jovens na área científica, não descurando nunca a vertente experimental da ciência! Quem com ele convive de perto, descobre o seu apurado sentido estético e a sua sensibilidade intrínseca.
João L. Barbosa é um homem criativo, crítico, mas discreto e modesto. Só alguns dos amigos próximos conhecem esta vertente, porquanto só com eles consiga partilhar essa sua paixão.