sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Absence




J’ ai envie de toi
Besoin de tes mains e de tes lèvres
De tes tendrèsses
*
Embrasses-moi
J’ ai urgence que mon être et ton être
Soit un seul
*
Ton désir et mon désir
Est fou, torride, sans frontières
Sans heures
*
Nous sommes deux amoureux
Attendant avec impatience
Nos nuit blanche d’ amour
*
Nos absences sont si aigue
Si rêvement invraisemblable
Et à chaque jour moin justifiées

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Perfume de Mulher

As gotas do perfume
que gosto que toquem
a nudez
da minha pele ebúrnea, quente e macia
deixa na brisa
o aroma e a essência
da minha presença diáfana
feminina e intensa
Novamente te pediste que inventasses
o dia claro no sentir
ainda de nevoeiro

Desceste a calçada sem pressa
olhando os (des)conhecidos que por ti passavam
supondo-os personagens de um acto único

O que os moveria
A pressa de chegar ao seu retiro ou o cansaço
de serem ainda a rotina

Eram seres de um viver metálico
metódico fastidioso irreversível sem surpresas
numa paisagem de concreto

Não farias nunca parte desse drama
Habitava-te a ousadia de sondares o insondável
como quem sabe a essência do ser

Quantas vezes o triunfo de prefigurares
as suas fragilidades tão transparentes afinal
te sabia a tempestade

Por isso procuravas nesse instante
a claridade lúcida das palavras
com que havias de dizer a magia de se ser





Au danseur Christian Bourigault


L' homme
créateur et interprète
de la liberté fragile
exprimes les métaphores de la vie...
***
Il danse comme un
devineur d' énigmes et de vérités simples
inspiré
par une petite voix
jaillisante
silencieuse
***
Il fragmente son corps trop humain
il le réinvente dans l' espace
d'un temps présent
***
Il est lumière vérité passion
pour une nouvelle écriture
du mouvement
insaisissable
*****
Este texto foi escrito depois de ter assistido a um solo, na Escola de Belas Artes em Auxerre, no dia 24 de janeiro de 1997.
Este e outros textos que escrevi naquela altura estiveram perdidos. Agora apetece-me recuperá-los.






domingo, 14 de dezembro de 2008

I'll never fall in love again

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Passeio por Barcelona




Sábado passado prometia muita chuva. O céu estava de um cinzento chumbo ameaçador.

À chegada a Barcelona chovia. Por sorte, à tarde, a chuva deixou-se ficar nas nuvens, como que a dar uma trégua e as boas-vindas aos turistas.

Em todo o fim-de-semana não choveu mais. Na verdade, o sol foi fazendo a sua aparição, mais ou menos prolongada. Só o frio e o vento enregelador nos fazia lembrar que estávamos cada vez mais perto do Inverno. Contudo, era um frio diferente do nosso. Um frio realmente frio, cortante, como se estivesse a nevar.

Os bairros de ruas estreitas, com a roupa no estendal, as praças, os monumentos, as largas avenidas com fachadas sumptuosas, os cheiros fortes e intensos das especiaciarias dos kebabs, as tapas, a multidão evocavam cenas de um qualquer guião de um filme.

As iluminações de Natal, que magicamente se acendiam mal a cidade ia ficando imersa nas trevas da noite, ainda mais fria, davam outro encanto às Ramblas.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Sem título


O que conquistas todos os dias
na hora em que és
o infinito
conhece a alquimia
que se desprende das tuas mãos
sempre que tocas
a página em branco

Os enigmas que desvendas
na forja do sentir
são a paisagem de outras paisagens
de indizível lucidez

A tua ausência sempre anunciada
não te ameaça nunca
porque o milagre de seres
sussurra-te as imagens aladas
que anunciam a existência
secreta
desse teu olhar-anjo