sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Blogue de Ouro

Recebi este selo da minha amiga Fanny (http://suavesmurmurios.blogspot.com/) que escreve com o a alquimia da sua alma luminosa.

Sensações



Estava uma manhã tranquila azul. Caminhava descalça numa qualquer praia solitária. Por uma vez, a praia era só minha. Inalava os tragos de maresia que me embriagavam os sentidos. Fechei os olhos, caminhando e sentindo ainda mais o que sempre me fora familiar. Deixava que o sol me tocasse, ouvia o marulhar das ondas, sentia a humidade da areia, visualizava as rochas que se erguiam, ainda longe, à minha frente e as árvores que ficavam atrás de mim.
Estava ali para ver, ouvir e sentir. Como nunca me haviam permitido, por receio do que pudesse fazer-me. Todavia, tudo me pacificava. A angústia, o desespero, a tristeza tinham-me finalmente dado tréguas. Não corria perigo. Na verdade, nunca correra perigo. Ainda que poucos acreditassem. Porque tentara não-ser noutras alturas.
Abri de novo os olhos, sob o chapéu de abas largas. A túnica semi-transparente abria-se revelando as minhas pernas ligeiramente bronzeadas. Continuei a caminhada. Para melhor sentir o sol e a brisa marítima tirei a túnica. Deixei-a onde caiu. Mais adiante tirei a parte superior do biquíni, acto já normal. Deixei-o também ao acaso, por ali. Lá mais à frente, decidida a entrar no mar, tirei a parte inferior. E entrei no mar.
Primeiro deixei que me acariciasse as pernas, as coxas e o ventre. Sempre que a água aí chegava sentia um ligeiro e delicioso arrepio. Só depois me decidi a mergulhar. O mar tocou a nudez do meu corpo envolvendo-me no seu longo abraço líquido e salgado.

Nunca até então fora tudo tão e só eu... ainda que o teu rosto ainda ausente me acompanhasse.

*****

Texto dedicado a Vítor Carvalho, um amigo muito especial


domingo, 11 de janeiro de 2009

Estações...



A folha em branco
aprisiona
as folhas
colhidas
antes do Inverno



Rouba-lhes
sonhadamente
os contornos do ser

e a paleta dos tons



Só que entre o olhar cativo
e o sopro divino

elas reacendem-se
quimericamente

anunciando
a sua Primavera


sábado, 10 de janeiro de 2009

Pour Sophie


L’amitié, l’ art suprême des coeurs tendres et simples, donne un sens à la vie. Elle est la plus grandiose voix que les êtres humains possèdent. Mais elle ne s’ insinue que dans les âmes plus éveillés et sincères. J’ ose dire que c’ est grâce à elle que l’ amour, l’ espoir, la joie, le bonheur peuvent être réinventés.

(16/03/97)

*****


J' ai connu Sophie em 1997, à Auxerre. Nous étions professeur au Lycées Jacques Amyot. Elle enseignait Histoire et Géofraphie et moi Portugais. On habitais ensemble avec Wendy (une étudiante anglaise) et Nina (une autr étudiante allemande) dans un appart au lycée.
Quelle année super!




sexta-feira, 9 de janeiro de 2009


Sempre que enfrento a página
sem rosto
enamoro-me da sua inexistência
porque me permite
aparecer
nos seus contornos
de Sonho e Éden



domingo, 4 de janeiro de 2009

Aqui e Agora











O teu Reino é a tua sensibilidade
é a tua interioridade feita de imagens
e sensações múltiplas

***
Sente que és Aqui e Agora
no silêncio dourado
verdade integridade paixão

***
Não te deixes prender
no Outrora
que mais sublime
é saberes o sentido único
da tua existência


há qualquer coisa - Poesia a catorze

2000 - Editorial Minerva

Depois de um primeiro prémio de poesia, recebido em 1997, arrisquei, anos mais tarde, dar os meus poemas a ler. O editor gostou e publicou-os.
Este foi o meu começo, mas, para que isso acontecesse, tive de contribuir monetariamente para a sua edição. Eu e mais treze autores.
Chamei aos poemas publicados "Telas de Poesia" e os primeiros poemas remetem para duas temáticas: uma mais filosófica e outra para a pintura.
***
A essência do ser
palpita
no silêncio das grandes vozes
solitárias
que habitam o nosso corpo
que contam a nossa existência

* * *

O dia não tem horas.
Tem estações claras
de cores proferidas em silêncio.

* * *

A tempestade das cores
instalou-se na tela
e dela nasceram relíquias do ser sensível que nos conta

***
Depois, ainda que não deixasse de escrever, não publiquei mais nada. Quero dizer, poesia. Ultimamente voltei a escrever ou a reescrever os poemas que guardei para, um dia mais tarde, transformar em livro. Projecto, não obstante, adiado em prol da colecção Os Caçadores de Gramatífagos, para o público infanto-juvenil.