domingo, 18 de janeiro de 2009

Momentos estéticos

Pedro Reis Miguel, Sem título (acrílico sobre tela)
***
No grande silêncio
de momentos solitários
ouviram-se
músicas de um outrora
proferiram-se
palavras vestidas de cetim
pintaram-se
telas de paixão

sábado, 17 de janeiro de 2009

Páginas do ser



Não cerres os olhos
à paisagem humana
que te anuncia
as viagens de tempestade
na sua vida de insinceridades

Não te revejas nas mentiras
que criaram para ti
que mais não são do que não-verdades
de todos os outros

Nem sempre quem lê as tuas páginas
te sabe autêntica e honesta
porque a inocência e a ingenuidade
só são para os que conhecem o mistério
de se ser

Nem te perguntes porquê e não aches as respostas
além de ti

Revelações do Eu

O que conquistas todos os dias
na hora em que és
ainda
conhece a alquimia
que se desprende das tuas mãos
sempre que tocas
a página em branco
*
Os enigmas que revelas
na forja do sentir
são a paisagem de outras paisagens
de indizível lucidez
*
A tua ausência sempre anunciada
não te ameaça nunca
porque o milagre de seres
sussurra-te as imagens aladas
que anunciam a existência
secreta
desse teu olhar-anjo

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Blogue de Ouro

Recebi este selo da minha amiga Fanny (http://suavesmurmurios.blogspot.com/) que escreve com o a alquimia da sua alma luminosa.

Sensações



Estava uma manhã tranquila azul. Caminhava descalça numa qualquer praia solitária. Por uma vez, a praia era só minha. Inalava os tragos de maresia que me embriagavam os sentidos. Fechei os olhos, caminhando e sentindo ainda mais o que sempre me fora familiar. Deixava que o sol me tocasse, ouvia o marulhar das ondas, sentia a humidade da areia, visualizava as rochas que se erguiam, ainda longe, à minha frente e as árvores que ficavam atrás de mim.
Estava ali para ver, ouvir e sentir. Como nunca me haviam permitido, por receio do que pudesse fazer-me. Todavia, tudo me pacificava. A angústia, o desespero, a tristeza tinham-me finalmente dado tréguas. Não corria perigo. Na verdade, nunca correra perigo. Ainda que poucos acreditassem. Porque tentara não-ser noutras alturas.
Abri de novo os olhos, sob o chapéu de abas largas. A túnica semi-transparente abria-se revelando as minhas pernas ligeiramente bronzeadas. Continuei a caminhada. Para melhor sentir o sol e a brisa marítima tirei a túnica. Deixei-a onde caiu. Mais adiante tirei a parte superior do biquíni, acto já normal. Deixei-o também ao acaso, por ali. Lá mais à frente, decidida a entrar no mar, tirei a parte inferior. E entrei no mar.
Primeiro deixei que me acariciasse as pernas, as coxas e o ventre. Sempre que a água aí chegava sentia um ligeiro e delicioso arrepio. Só depois me decidi a mergulhar. O mar tocou a nudez do meu corpo envolvendo-me no seu longo abraço líquido e salgado.

Nunca até então fora tudo tão e só eu... ainda que o teu rosto ainda ausente me acompanhasse.

*****

Texto dedicado a Vítor Carvalho, um amigo muito especial


domingo, 11 de janeiro de 2009

Estações...



A folha em branco
aprisiona
as folhas
colhidas
antes do Inverno



Rouba-lhes
sonhadamente
os contornos do ser

e a paleta dos tons



Só que entre o olhar cativo
e o sopro divino

elas reacendem-se
quimericamente

anunciando
a sua Primavera


sábado, 10 de janeiro de 2009

Pour Sophie


L’amitié, l’ art suprême des coeurs tendres et simples, donne un sens à la vie. Elle est la plus grandiose voix que les êtres humains possèdent. Mais elle ne s’ insinue que dans les âmes plus éveillés et sincères. J’ ose dire que c’ est grâce à elle que l’ amour, l’ espoir, la joie, le bonheur peuvent être réinventés.

(16/03/97)

*****


J' ai connu Sophie em 1997, à Auxerre. Nous étions professeur au Lycées Jacques Amyot. Elle enseignait Histoire et Géofraphie et moi Portugais. On habitais ensemble avec Wendy (une étudiante anglaise) et Nina (une autr étudiante allemande) dans un appart au lycée.
Quelle année super!