terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

As Horas

Não-ser

Sorrisos descrentes
vogam
nos lábios de rosa cetim
inesperadamente
sumidos vacilantes trémulos
de tantas vezes mudos
***
Também a luz fugiu ao rosto
níveo
consciente
da procura ingente efémera
além do aqui
***
Líquidos quentes
desenharam ainda e sempre
na página do existir
os contornos do sentir
sempre
excessivo
***
Por isso, se pressentem tanto e bem
as horas de espera
infinitas e lisas
do desejo de não-ser

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Paisagem interior



Ouvir o insondável do ser
sem buscar a Hora primeira
que sabe a sua revelação
é ser-se a criação de si mesmo
na lucidez nua
da sagração plena
na palavra poética

Descer ao fundo do Eu
e reencontrar a voz primordial que nos é
em vez deste estar-entre
que não nos diz
é ser-se divino
antes e depois do humano
que nem sempre revela
o SER que nos habita
em plenitude

domingo, 8 de fevereiro de 2009



No grande silêncio
de gestos solitários
ouviram-se
músicas de um outrora
proferiram-se
palavras vestidas de cetim
pintaram-se
telas de paixão


Mr. Jones

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

SER


Não tenhas certezas que não queres ter

Para quê

Ainda que as pressintas
deixa-as sozinhas
entregues ao acaso

Sê apenas
nas palavras que dizes e revelas
e nas que escreves e escondes

Que elas sejam infinitamente
sempre e só tu
na tua capacidade de abstracção

Há horas assim... mágicas


A surpresa! Ir a Santarém e descobrir que me presentearam com uma viagem de balão.





Levantar voo suavemente e sem sobressaltos um pouco antes das nove.




O balão eleva-se no céu e move-se ao sabor do vento. Afastamo-nos cada vez mais da terra.




Sentir que vogamos ao acaso. Ouvem-se os sons matinais da terra. Os galos e os cães. Tudo o resto é silêncio. Tudo o resto é grandeza.