*******
O mundo dos afectos é dos mais complexos. O mundo da paixão e do amor são, para além de indefiníveis, tudo menos entendíveis, tudo menos esperados. Porque sempre se toca na sensibilidade e no mundo interior do outro e nunca se sabe de que forma. Por vezes, só um dos apaixonados é que se entrega totalmente e não se importa de o demonstrar. Mesmo que um dia doa por um bom período de tempo. Se os dois estão em perfeita harmonia e sintonia parece que nada os detém. Parecem que são almas gémeas. Se é que as há! Sou uma céptica em relação à paixão e ao amor.
Há muitas e belas declarações de amor. Umas dizem-se a alta voz, outras escrevem-se, outras pensam-se e outras calam-se.
Achei as que se seguem particularmente belas, apesar da sua linguagem demasiado simples. Traduzem apenas a felicidade de se ter acreditado que o que se sentia era real. E era-o.
“Querido. Quero desejar-te uma noite repleta de sonhos doces. Saudades dos teus beijos e abraços.”
“Boa noite. Passei só para deixar um beijinho. Que o dia de amanhã seja feliz e que muitos mais te façam sorrir, sonhar e encontrar a felicidade, pois mereces.”
“Não sei se é racional ou não, se é sonho ou realidade, se é música ou poesia… Tantos ses para te dizer que os nossos momentos foram inigualáveis. Hoje tornam-me apaziguada, tranquila e feliz interiormente. Beijos doces, suaves, ternos e sempre mágicos.”
“Meu querido, obrigada por seres tão paciente comigo. Sei que sou demasiado complexa e difícil de compreender. Gostaria de te dizer que os meus dias são sempre Primavera ao teu lado.”
quarta-feira, 18 de março de 2009
Afectos
sexta-feira, 13 de março de 2009
Telas adormecidas
***
Se encontrares umas telas adormecidas em mortalhas, escondidas nas teias do sótão, acorda-as depois de eu ter partido. Elas sempre mereceram mais a luz do que eu.
Elas é que foram Eu.
Sente-te grato por as revelares a outros olhares.
Nesse dia, viverei…
sábado, 7 de março de 2009
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Alquimia
Emudecemos perante a magia
de uma tela esplêndida arco-íris
antes mesmo de ter sido o assombro
numa manhã sempre e ainda a imaginar
Gestos inocentes atentos ao segredo
do sentir
clamam pela sua expressão
policroma
numa nudez mais deliciosa
Mas hoje a tela recusa vestir-se de cor
de tanto recear que a embriaguez do artista
a nimbe aladamente de sedução
de uma tela esplêndida arco-íris
antes mesmo de ter sido o assombro
numa manhã sempre e ainda a imaginar
Gestos inocentes atentos ao segredo
do sentir
clamam pela sua expressão
policroma
numa nudez mais deliciosa
Mas hoje a tela recusa vestir-se de cor
de tanto recear que a embriaguez do artista
a nimbe aladamente de sedução
domingo, 22 de fevereiro de 2009
O belo

A tempestade das cores instalou-se na tela e dela nasceram esboços simples, transparentes no dizer o sentir. Os tons inundaram de vida o atelier outrora em agonia.
A mão que os engendrou ainda vacila perante o branco ostensivo de uma folha, porém sabe que o que procura está no conjugar das ideias, imagens e tons. Procura a perfeição. Só que alguém mais sábio lhe disse que a perfeição não existe. Esta é mais uma quimera como tantas outras.
O belo, a fome do ser pelo inatingível conquistam-se a cada traço mais ou menos preciso, a cada tentativa de esboço até ao definitivo. Mas mesmo à obra-prima faltará algo.
Quem ama a arte não pode ser pretensioso, nem ambicioso, pois a essência do belo é a procura sincera do que nos habita e somos e não do que se espera vir a ser.
Auxerre (21/01/97)
A mão que os engendrou ainda vacila perante o branco ostensivo de uma folha, porém sabe que o que procura está no conjugar das ideias, imagens e tons. Procura a perfeição. Só que alguém mais sábio lhe disse que a perfeição não existe. Esta é mais uma quimera como tantas outras.
O belo, a fome do ser pelo inatingível conquistam-se a cada traço mais ou menos preciso, a cada tentativa de esboço até ao definitivo. Mas mesmo à obra-prima faltará algo.
Quem ama a arte não pode ser pretensioso, nem ambicioso, pois a essência do belo é a procura sincera do que nos habita e somos e não do que se espera vir a ser.
Auxerre (21/01/97)
Subscrever:
Mensagens (Atom)


