sábado, 21 de março de 2009

Dia Mundial da Poesia


Ser Poeta


Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!


É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!


É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!


E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!


Florbela Espanca

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Os meus primeiros textos, escritos na infância, foram poemas. Infelizmente perdi-lhes o rasto. Uma tia, com quem vivi durante anos, quis ficar com eles e eu não fui capaz de lhe dizer que não. Orgulhava-se de mostrá-los às amigas.

Hoje, Dia Mundial da Poesia, em vez de ser eu autora de um texto poético, escolhi um soneto de Florbela Espanca. Ela diz tão bem o que é ser poeta que nada do que eu oudesse dizer se lhe igualaria.

Um poeta, uma pseudo poetisa como eu, sabe reconhecer que o que já foi dito de forma suprema e bela. Isso torna-nos irmãos, uma irmandade na partilha da palavra justa, filosófica e poética.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Afectos



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O mundo dos afectos é dos mais complexos. O mundo da paixão e do amor são, para além de indefiníveis, tudo menos entendíveis, tudo menos esperados. Porque sempre se toca na sensibilidade e no mundo interior do outro e nunca se sabe de que forma. Por vezes, só um dos apaixonados é que se entrega totalmente e não se importa de o demonstrar. Mesmo que um dia doa por um bom período de tempo. Se os dois estão em perfeita harmonia e sintonia parece que nada os detém. Parecem que são almas gémeas. Se é que as há! Sou uma céptica em relação à paixão e ao amor.
Há muitas e belas declarações de amor. Umas dizem-se a alta voz, outras escrevem-se, outras pensam-se e outras calam-se.
Achei as que se seguem particularmente belas, apesar da sua linguagem demasiado simples. Traduzem apenas a felicidade de se ter acreditado que o que se sentia era real. E era-o.

“Querido. Quero desejar-te uma noite repleta de sonhos doces. Saudades dos teus beijos e abraços.”

“Boa noite. Passei só para deixar um beijinho. Que o dia de amanhã seja feliz e que muitos mais te façam sorrir, sonhar e encontrar a felicidade, pois mereces.”

“Não sei se é racional ou não, se é sonho ou realidade, se é música ou poesia… Tantos ses para te dizer que os nossos momentos foram inigualáveis. Hoje tornam-me apaziguada, tranquila e feliz interiormente. Beijos doces, suaves, ternos e sempre mágicos.”

“Meu querido, obrigada por seres tão paciente comigo. Sei que sou demasiado complexa e difícil de compreender. Gostaria de te dizer que os meus dias são sempre Primavera ao teu lado.”

sexta-feira, 13 de março de 2009

Telas adormecidas

Pedro Reis Miguel, Sem Título, técnica mista
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Se encontrares umas telas adormecidas em mortalhas, escondidas nas teias do sótão, acorda-as depois de eu ter partido. Elas sempre mereceram mais a luz do que eu.

Elas é que foram Eu.

Sente-te grato por as revelares a outros olhares.

Nesse dia, viverei…




Somos
Impensada e sonhadamente
Melodias incompletas do ser
Numa pauta essencialística
A todo o momento reescrita
Na tela da vida
Buscando e acreditando em sonhos, paixões, quimeras
A realizar

sábado, 7 de março de 2009

Não estamos sós


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Jackson Polllock

Alquimia


Emudecemos perante a magia
de uma tela esplêndida arco-íris
antes mesmo de ter sido o assombro
numa manhã sempre e ainda a imaginar


Gestos inocentes atentos ao segredo
do sentir
clamam pela sua expressão
policroma
numa nudez mais deliciosa


Mas hoje a tela recusa vestir-se de cor
de tanto recear que a embriaguez do artista
a nimbe aladamente de sedução