quarta-feira, 1 de abril de 2009
PARIS
A doença dos afectos
Handy Warhol, Pop Art*****
Será que só nos momentos de mania se consegue um estado hipnótico de criação? Sim. Acreditem que sim. Mantive-me no desconhecimento durante anos, porém agora sei que é verdade. Somos outros, outras, muitos, muitas sem descanso. É a nossa mente a guiar-nos para um completo estado de embriaguez. Mentes alucinadas, hipnotizadas pelo que nos habita momentaneamente! São os pensamentos que passam alucinantes, que se quedam ou fixam em ideias infinitas. Depois vem a vertigem do nada, do vazio, da ruptura connosco e com os outros.
Nestes actos criativos criamos, inconscientemente, barreiras. Por vezes, autênticas muralhas. Existimos nós e existem os outros. O nós que não nos deixa, que vive desassossegado, estranhamente estranho e sempre imerso no seu mundo. Por vezes sem saber o que fazer, ou que sabe o que não sabe, o que quer ou não quer. Somos inquietos e inquietantes. Não obstante, só paramos depois da obra concluída. Há dias consecutivos em que não podemos viver sem essa vertigem de se ser e existir para além do que, para os outros, é normal.
Este nós nunca é só eu, porque em cada eu há um nós: trevas e luz. Sem saber quando, como, porquê. Não queremos, mas somos. Não adianta lutar contra a abulia, a astenia, o desejo de permanecer tão quieto e silencioso quanto possível. Precisamos de descansar. De deixar que o coração sinta ou que a mente se detenha no que já terminou.
Os outros são a nossa família e os nossos amigos mais próximos. Os familiares sofrem por assistirem ao nosso desatino, muitas vezes à nossa indiferença perante tudo e à nossa incapacidade de reagir. Por mais que tentem, não compreendem. É-lhes difícil saber a razão do nosso estado. Embora tentem. Os amigos sentem a mesma incapacidade.
O melhor e mais reconfortante de tudo é que, apesar de tudo, apesar dos diferentes desvarios e loucuras cometidas, nem uns, nem outros nos abandonaram. Estão presentes, tentam aliviar-nos a passagem dos dias e dão-nos o seu carinho. Mesmo que não o mereçamos.
Nestes actos criativos criamos, inconscientemente, barreiras. Por vezes, autênticas muralhas. Existimos nós e existem os outros. O nós que não nos deixa, que vive desassossegado, estranhamente estranho e sempre imerso no seu mundo. Por vezes sem saber o que fazer, ou que sabe o que não sabe, o que quer ou não quer. Somos inquietos e inquietantes. Não obstante, só paramos depois da obra concluída. Há dias consecutivos em que não podemos viver sem essa vertigem de se ser e existir para além do que, para os outros, é normal.
Este nós nunca é só eu, porque em cada eu há um nós: trevas e luz. Sem saber quando, como, porquê. Não queremos, mas somos. Não adianta lutar contra a abulia, a astenia, o desejo de permanecer tão quieto e silencioso quanto possível. Precisamos de descansar. De deixar que o coração sinta ou que a mente se detenha no que já terminou.
Os outros são a nossa família e os nossos amigos mais próximos. Os familiares sofrem por assistirem ao nosso desatino, muitas vezes à nossa indiferença perante tudo e à nossa incapacidade de reagir. Por mais que tentem, não compreendem. É-lhes difícil saber a razão do nosso estado. Embora tentem. Os amigos sentem a mesma incapacidade.
O melhor e mais reconfortante de tudo é que, apesar de tudo, apesar dos diferentes desvarios e loucuras cometidas, nem uns, nem outros nos abandonaram. Estão presentes, tentam aliviar-nos a passagem dos dias e dão-nos o seu carinho. Mesmo que não o mereçamos.
sábado, 28 de março de 2009
Sisse

Esta é a minha cocker-spaniel, com pedegree e tudo. A mãe dela viajou até Marselha para a conceber, mas a primeira tentativa saiu gorada. É que isto da concepção tem muito que se lhe diga. Da segunda vez que a mãe foi cruzada com um cocker, foi o "gentleman" que se deslocou a Portugal.
A mãe desta lindíssima cadela, a Laika, foi adquirida a uns criadores de cockers portugueses que fazem parte do Clube Português de Canicultura e do Clube Português de Spaniels, com vários Spaniels premiados a nível nacional e internacional. Na verdade, uma das irmãs da Sisse já ganhou o prémio de Puppie do Ano (há pouco tempo, um ou dois anos).
A Sisse foi uma das últimas a nascer e era tão pequenina que julgámos, eu e o meu irmão, que não sobreviveria. Mas é uma sobrevivente. Mais do que isso, requer atenção permanente. Posso-vos dizer que é muito companheira, meiguinha, doce e que se apercebe logo dos meus diferentes estados de espírito. Persegue-nos para todo o lado.
Cada ninhada de cockers é registada no Clube de Canicultura obedecendo à sequência do alfabeto. A Sisse pertence à ninhada com letra "o" e no seu registo real chama-se "Obladi Oblada", uma letra dos Beatles. Curioso, não é? Aliás todos os filhotes dessa ninhada pertencem a essa letra e têm o título de uma canção! Já a mãe nasceu sob o signo da letra "e" e aí ficou a chamar-se "Elle est Laika"!
Interessante, não é? Quem poderia imaginar que no mundo animal, neste caso canino, tudo se passasse desta forma?
Fuga

Quando a lua sobe no céu escuro, com o corpo inchado e pleno, os duendes e as fadas saem dos seus múltiplos esconderijos, para cravejarem de diamantes o infinito cósmico.
Estou a vê-los ainda agora: pequenos criadores de luzes mágicas, longínquas, saltitando de estrela em estrela ou voando no firmamento longínquo.
Não me canso de os observar, por querer ser como eles: seres etéreos, imaginários, sem sentir nada do que me atropela o pensamento e me adensa o vazio.
Se fecho os olhos, ainda que por breves instantes, sem tempo no relógio, aproximam-se de mim e segredam-me ao ouvido as palavras que a lua não me pode dizer.
Estou a vê-los ainda agora: pequenos criadores de luzes mágicas, longínquas, saltitando de estrela em estrela ou voando no firmamento longínquo.
Não me canso de os observar, por querer ser como eles: seres etéreos, imaginários, sem sentir nada do que me atropela o pensamento e me adensa o vazio.
Se fecho os olhos, ainda que por breves instantes, sem tempo no relógio, aproximam-se de mim e segredam-me ao ouvido as palavras que a lua não me pode dizer.
sexta-feira, 27 de março de 2009
Primavera

A estação mais odorífera, policroma, sensitiva, de chilreios mil chegou. É a Natureza no seu esplendor.
Já eu queria ser flor. Uma qualquer flor de um jardim qualquer. E fosse o mais efémera possível.
A propósito lembro-me de uma ode de Ricardo Reis: «As rosas do jardim de Adónis/ Essas vólucres amo, Lídia, rosas/Que em o dia em que nascem/ Em esse dia morrem.»
Para quando o meu dia?
domingo, 22 de março de 2009
As Palavras
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