sábado, 6 de junho de 2009

Dueto mágico



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O que as novas tecnologias podem fazer? Milagres!!! Quem diria que este dueto Nat King Cole e Natalie Cole fosse possível?

A música estava com eles: neles desde que passaram a ser! Pai e filha juntos depois de ele ter deixado de existir.

Momento mágico, terno, de beleza impressionante... Inesquecível... Inigualável e inimitável.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Digressões I


Foto de Fernando Cardoso
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Ainda é e será Primavera por mais algum tempo. É a estação clara e límpida onde tudo renasce.
Para captar esse renascimento e a beleza da Natureza, ele sai do seu retiro, do seu reino e procura outros no exterior. Leva sempre, ou quase sempre, a objectiva, porque o seu olhar de artista atento, perspicaz, cáustico pode encontrar um quadro ou momento único e digno de registo.
São passeios muitas vezes solitários, como atestou num dos seus testemunhos escritos. Sai para as suas deambulações sem rumo ou lugar predefinido. Para quê fazê-lo? É muito mais gratificante e surpreendente nada planear!
Deixa-se pura e simplesmente guiar, ainda e sempre no comando, numa viagem de descoberta interior. É a sua demanda pessoal. A busca do EU. O que se sabe aqui, agora, até um dia. Desse Eu que se afirma existindo através da Arte!
Vejo-o , à distância, a entregar-se a três formas de expressar o que o habita: a fotografia, a pintura e a palavra.
Não vale a pena negar que não é assim. É-o! E fica tudo dito.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Palavras nocturnas

Foto de Fernando Cardoso

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http://sebentadonando.blogspot.com/

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Há momentos em que me supero. São poucos, bem sei. Muito poucos....
São aqueles em que uso a palavra escrita. Sempre que a inspiração me sagra de grandeza, no mais inesperado dos momentos!

Elas, as palavras, dizem-me por inteiro! Bom, quase por inteiro. Porque há-as que não mostro a ninguém. Uma vez, por descuido meu, o meu irmão teve acesso a elas, leu-as e chorou. Viria a contar-me muito mais tarde. Chorámos juntos.

Fernando Pessoa escreveu o Livro do Desassossego e eu continuo a escrever, desde 1995, as minhas Digressões pouco Líricas. São viagens fundas e dolorosas ao meu interior.

Creio que, como todos os escritores, as palavras são o nosso maior alimento e paixão. Com elas conto o que sou, sinto, sei, imagino, sonho, quero, desejo e penso. Que importa tudo o resto? Nada.

Nunca me peçam para calar tudo isso. Seria matar o que há de mais nobre e autêntico em mim…

Regresso






Este fim-de-semana evoquei paisagens de outrora. São paisagens de um outro tempo, de um outro lugar, muito distante deste onde me encontro. Era tudo tão mágico, tão de sonho! Tão de mais!
Foi muito simples reabilitar esse passado. Creio que foi a paisagem do filme Wicker Park que me fez ressuscitá-lo. Como sinto falta da paisagem branca, branca. Ver os flocos de neve descer do céu ininterruptamente, vê-los cair uns sobre os outros até cobrirem tudo com um manto imaculado.
Mais belo e inesquecível ainda é andar nas ruas brancas e sentir no rosto o frio cortante. Sabia tão bem fazê-lo! Mesmo quando os trilhos por onde todos passavam se transformavam numa lama aguada e acastanhada.
As roupas quentes que somos obrigados a vestir aconchegam-nos nesses passeios a pé. As luvas, os cachecóis, os gorros, os casacos compridos, as botas são de um conforto extraordinário. Tal como entrar numa chocolaterie e pedir um chocolate bem quentinho. Que aroma!
Depois retomava o passeio sozinha ou acompanhada, tanto fazia. Quando sozinha, apreciava a neve nos telhados das casas, nas copas das árvores, nas margens dos lagos. Observava as pessoas na sua rotina diária. Quando acompanhada, gostava sobretudo de respirar fundo, encher o peito de ar frio e de me ver, depois, a expirá-lo como se de vapor se tratasse.

(ùltimo dia de Outubbro de 1995)

domingo, 31 de maio de 2009

Raízes


Algo lhe ficou do norte. Mais a ele do que a mim, diga-se de passagem! Aliás, ficaram-nos memórias diferentes: ao meu irmão, o gosto pelo cultivo de frutos, ervas aromáticas e hortaliça. A mim, o gosto por observar paisagens campestres.
Sempre que chega extenuado do trabalho, ali vai ele para a sua "horta", onde renova as suas forças, num encontro mágico com a terra. Por vezes, também me aproximo. Mas pouco faço!
Mas lembro-me bem de, todos nós, em momentos de muito trabalho na quinta de meu pai, trabalharmos. Ainda que houvesse muitos trabalhadores a fazê-lo! Sempre ajudámos.
Éramos todos felizes nesse tempo! Porque meu pai estava connosco! Depois tudo mudou... sobretudo o meu Sentir.

Desassossego

Foto de Fernando Cardoso
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Na paisagem
das abstracções sempre possíveis
voluntárias
ondulam magoadas
notas de um poema
na página anjo do SER

Nascem de um estado de lucidez
de um olhar perdido
desassossegado
angustiado mas atento às sensações

Incapaz de conter a tempestade
tem de imperiosamente
converter
as palavras da sua dor resignada
em mergulhos vacilantes e angustiados
ao seu mundo interior
Tudo desmorona à sua volta...
Agora, sabe-lhe o Momento a nada
desde que se reconheceu e soube
Outra

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Foto de Fernando Cardoso
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«A esperança no amanhã faz o entardecer mais bonito.»
(autor desconhecido)
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