quarta-feira, 24 de junho de 2009

Palavras solares


Foto de Fernando Cardoso

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Perdi palavras. Muitas palavras. As palavras doentes e moribundas por estarem sempre a dizer a dor do meu sentir; as palavras angustiadas por saberem a minha solidão e eu já a ter aceitado como definitiva; as palavras silenciadas, pensadas e escondidas no desespero de um silêncio fundo e atroz, povoado por lágrimas e por desejos de aniquilamento. A pouco e pouco, a noite foi-se tornando menos tenebrosa. Essa era uma perda que teria de acontecer um dia!
Não obstante tratar-se de uma perda, que é sempre conotada com tristeza, dor e sofrimento, hoje estou feliz por tê-las perdido. Porque esta é a melhor e mais inesperada das perdas! Palavras como desassossego, desespero, abismo, desencontro, estado febril, ausência andam agora por aí, soltas. Deixo-as ir nas asas de qualquer brisa, de encontro a qualquer sol, porque era já tempo de empreenderem uma outra viagem. Para bem longe do meu outro sentir, que só me trazia momentos de um silêncio liso e afastamento de tudo e de todos.
Apareceram-me outras palavras. As que eu escrevia imaginariamente nas páginas brancas dos meus sonhos e do tempo que passava. Apareceram-me as palavras harmonia perfeita de sentires, sintonias inesperadas, coincidências felizes, enamoramento. Ou seja, as palavras são agora de luz, como pequenas estrelas que brilham no firmamento. Todas elas são sentires muito diferentes. Palavras como tranquilidade, encontro, paz, encantamento habitam o meu ser e sou feliz. Todas estas palavras se desencarceraram da prisão que era eu mesma e que não as deixava fluir. Sorvia-lhes a energia com o meu sentir nocturno e desesperado.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

"Au Rendez-Vous Des Artistes"


Adoro os cafés de Paris! Todos diferentes e todos iguais... Esta expressão parece-me familiar! Porque será? Por causa das campanhas de luta contra o racismo, que, infelizmente, também existe em Paris e noutras cidades de França de uma forma bem agressiva e explosiva. Presenciá-mo-la através da televisão o ano passado, talvez.
Mas eu escolhi essa expressão para traduzir o encanto de todos os cafés, todos bem decorados, cada uma com um toque de charme diferente, confortáveis e com "gançons" solícitos e simpáticos. O que os torna semelhantes é o facto de todos eles terem esplanadas, que a partir das dezassete horas ficam cheias. Nesta altura do ano, claro que é natural. Mas se lá forem no Outono ou Inverno constatarão que também existem e têm aquecimento. Um luxo!
Adorei sentar-me nessas esplanadas nos dias que lá estive. Não só por poder descansar um pouco depois das longas caminhadas culturais, mas também para poder tomar um café, comer um "crêpe" ou beber uma imperial, pois o calor chamava à bebida.
Mas esta foto foi tirada com outro propósito. Por causa do nome. Torna-se até difícil de traduzir! "Encontro de Artistas", será? Pode ser.
Talvez seja pretensão minha, mas um dia gostaria de ser conhecida pelo que escrevo e ser, assim, uma "artista". Neste caso, da palavra. Gostava de ser escritora, assumo. Sei que é um sonho, mas há sempre sonhos que se realizam! Este pode realizar-se... quem sabe.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Museu do Louvre


Este foi o último trono de Napoleão III. Na verdade, um dos mais pequenos, como referiu a guia que explicava a um grupo de turistas o seu significado.
Eu, que ficara para trás no grupo, fiquei um pouco a ouvi-la. Napoleão já não tinha a mesma influência e poder de outrora, daí este trono representar simbolicamente, pelo seu tamanho, essa perda de importância.
A tapeçaria representa também um dos símbolos de Napoleão. Bem ao centro temos uma águia gigantesca símbolo da grandeza e do poder de mais um membro da família de Napoleão Bonaparte.
O apartamento é todo ele sumptuoso: imperam os tons carmim, azul e dourado, as tapeçarias são gigantescas e repesentam várias cenas ao ar livre ou no interior, há candelabros enormes nos tectos das salas, há salas e salas, até se lhes perder a conta.
Tudo está na ala Richelieu! É só ir até ao Louvre e ver com os seus próprios olhos não só esta ala, mas todas as outras. Claro está que são necessários vários dias... e calçado confortável.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Moulin Rouge

Todos os que se aventuram por Paris, depois de verem o "Sacré Coeur" e Montmartre, descem as ruas que levam a Pigalle. Este nome ficou a dever-se ao escultor Jean-Marie Pigalle, que viveu no séc. XVIII.
O bairro de Pigalle é conhecido pelas suas sex-shops, cabarets e outras salas de espectáculo. De entre as mais conhecidas, no mundo, temos o "Moulin Rouge", que, este ano, parecia emergir e brilhar como no séc. XIX.



No interior do "Moulin Rouge", o hall de entrada é atapetado de vermelho e as paredes têm fotografias dos espectáculos, onde a nudez é já, natural.
Os espectáculos passariam a causar escândalo, no século XIX, quando num desses espectáculos "Cleópatra", completamente nua, é carregada por quatro homens jovens, seguidos de outras jovens nuas, deitadas em camas de flores. Estava-se em 1890!

Os dez primeiros anos do "Moulin Rouge" foram anos de perfeita loucura: havia espectáculos circences, bailes que começavam tardíssimo, às 22 horas. Os proprietários Joseph Oller e Charles Zidler apelidaram-no de o "Palácio das Mulheres".
As bailarinas para além de belas e elegantes, tinham a elasticidade de ginastas. Se assim não fosse, como poderiam dançar o Cancan?

Toulouse-Lautrec é um dos pintores da época que mais de perto seguiu e retratou o que viu e sentiu no "Moulin Rouge". A atestá-lo temos dezassete obras inspiradas neste cabaret e nos seus espectáculos. Ele era, no fundo, uma das muitas personagens deste cabaret e, com certeza, que Toulouse-Lautrec não seria o mesmo Toulouse-Lautec se não tivesse vivido neste meio "feérico".
Depois vieram os escândalos, a competição entre artistas e as guerras. Mas o "Moulin Rouge" sobreviveu a tudo!
Hoje, completamente restaurado, pode-se passar um bom serão onde se janta e se assiste a um espectáculo inigualável!



terça-feira, 16 de junho de 2009

Digressões II


Dir-me-ão que sou repetitiva, sobretudo nas minhas viagens. O que não deixa de ser verdade, de facto. Mas o coração fala sempre mais alto e lá vou eu mais uma vez a Paris. Foi o que aconteceu na semana passada, que se transformou numas mini-férias para muitos portugueses.

Passeei pelos lugares do costume e que já conheço mais ou menos bem, todavia descubro sempre um ou outro pormenor diferente. Tudo é grandioso e diferente em Paris. Ou sou eu que o sinto assim.
Como esses dias eram dias de trabalho para os franceses ,apeteceu-me observá-los, atentar nos seu quotidiano. Não é muito diferente do nosso e porquanto é diferente do nosso. Mesmo nestes tempos de crise.
Os condutores são civilizados e, nas horas de ponta, não há a loucura ensurdecedora das businadelas, não há radares a limitarem a velocidade, muitos deles usam a bicicleta, que retiram do parque de bicicletas com um cartão electrónico. Para alguns de nós, os sinais de trânsito podem parecer algo confusos, mas não para um parisiense.
As famílias saem à rua ao fim do dia para passearem os filhotes (dois, três e mesmo quatro) e o cão ou cães. Outros fazem compras nos supermercados de rua, no talho, na peixaria que se prolonga até à rua, na padaria e nos mercados de rua. A baguette, como já todos sabem, vai apenas embrulhada num mini-papel que transportam na mão ou debaixo do braço. Alguns até a vão comendo pelo caminho. Já na minha infância tudo era assim! A ASAE francesa tem tudo a ver com a nossa, não acham?
O que mais me enterneceu também foi ver casais de diferentes idades, nos mais diferentes locais, de mãos dadas e a beijarem-se em plena luz do dia. Essas demonstrações de afecto provam, efectivamente, que Paris é a cidade do amor.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Paris, mon amour





Je pars à Paris... une ville oú je veux toujours aller... oú je me sens à l' aise et complètement moi même.

Chaque retour est une rédécouverte de Paris... de ses lumières, avenues, monuments et gens.

Au contraire d' autres voyages, je pars à Paris avec toi dans mon coeur.

domingo, 7 de junho de 2009

Neptuno


Foto de Fernando Cardoso
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Quantas vezes, inúmeras vezes
hei-de contar
humildemente
o que a tua divindade e grandeza
me sussurrar

Dizes-me que és infinito
e que o melhor para qualquer Ser
é ser perto de ti
nas manhãs
ou fins de tarde de poesia marítima

E eu por sentir esse encantamento
aproximo-me de ti
deixo que me beijes os pés
para logo te abandonar com os pés frios
e deixar os meus passos
escritos na areia
que tu vais beijar e apagar em plenitude