
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Último dia de férias

domingo, 16 de agosto de 2009
Regresso

O dia já nasce sem brisas, só sol e sombras sinistras
***
sexta-feira, 31 de julho de 2009
Enamoramento
Os belos e longos dedos de Orfeu
tiram notas da lira que pacificam os seres
e os elementos
*
Soltam-se sons de jasmim
na música mágica que sagra de grandeza mítica
o Universo
*
Ondas de opala e orquídeas
crescem nessa crescente paz tranquila
*
Eurídice
emudecida e enamorada
está deitada a seus pés
cingida por um cendal de pérola
*
As notas da lira de Orfeu
siciam o seu amor e acariciam os decifráveis contornosdo ser amado
que lhe devolve
em sorrisos
a harmonia das esferas
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Bipolar, eu?

Tenho duas identidades, dois sentires que, de tão opostos, vezes há que nem me reconheço. Não fui eu a sua criadora. Foram as circunstâncias. Tantas e diferentes que não posso sequer partilhá-las aqui e agora.
A minha identidade verdadeira, a que me diz e é autêntica é, sem dúvida, a primeira. Porque sou verdadeiramente eu: nome, hora, data, local de nascimento.
Nasci Nathalie de Jesus Armindo e assim me conheci durante anos e anos. Anos felizes, despreocupados, cheios de inocência. Mundo de rosas orvalhadas e sonhos de criança feliz.
A segunda identidade, da qual só tomei conhecimento aos 11 anos, altura em que foi necessário utilizar o bilhete de identidade, tomou-me de assalto. Senti-me incrédula, injustiçada e, ao mesmo tempo, uma estranha.
Natália Jesus Seixas Augusto não era eu! Como podia digerir tamanha usurpação de identidade? Não a digeri. Nunca. Mas também nunca exigi que a verdade fosse reposta. Para quê?
Assim, não me é necessário criar outros eus, porque, quis o acaso, que tivesse pelo menos dois! Um é solar! Muito solar. O outro é lunar, inconstante e muito variável.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Cinco Momentos para Passar em Câmara Lenta
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Sem título
nas minhas
telas de poesia
na anunciação
de espaços abertos
de claridade
Redescubro
a vida
que transborda
além tela
nos instantes
cativos de mar
Sagro-me de plenitude
em cada cor
impensadamente
sopros do ser
quando me penso
sem título
e só universo
Poema da colectânea há qualquer coisa, Editorial Minerva, 2000
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Alma errante
Nasci num outro país: França! Depois, não compreendi bem como na altura, vi-me a habitar em casas diferentes, em locais também diferentes, em Portugal, Trás-os-Montes! Era uma criança e estava longe dos meus pais!
Muitos anos depois, a faculdade trouxe-me até Lisboa, onde vivi seis anos. Seguiram-se alguns anos em Alverca do Ribatejo. Sete, creio. Num desses anos, por escolha própria e profissional, regressei a França, por um ano. Vivi e conheci a Borgonha, residindo e trabalhando em Auxerre, mas passeando um pouco por outras vilas e cidades francesas.
Cansada de tudo, da capital, de mim mesma, regressei às fragas. Vivi três anos em Trás-os-Montes e visitei São Martinho da Anta, onde Adolfo Correia da Rocha/Miguel Torga nasceu e viveu, por um certo período de tempo. A seguir, seguiu-se uma breve estadia no Barreiro, ainda que trabalhasse noutra localidade. Desde 2006 que resido noutro lugar e pressinto que não vou ficar por aqui. Tenho uma alma errante. Nunca estou bem onde estou. Falta-me sempre algo. Falto-me eu a mim mesma, porque a minha relação comigo não é fácil.
Como dizia António variações numa das suas letras “Eu só estou bem onde não estou/ Porque só quero ir onde não vou”. Eu também! Acontece-me com frequência…
Porém, também sou de todos os lugares que encontro espraiados nos livros que leio. Sou assim tão eu e tão outra! E também constantemente!

