segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Sensações

Foto de Fernando Cardoso
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Não cerres os olhos
à paisagem tranquila
que te anuncia
nas ondas do mar irrequieto azul
que a vida é um diamante em bruto

Não omitas o teu sentir
tudo ao limite
com a mesma intensidade de sensações
na tempestade e na bonança

Deixa que outros leiam
as tuas páginas
do teu ser
onde moram o sonho e a poesia

Último dia de férias


Ao longo de um mês de Agosto, ora muito quente, ora muito fresco, a Casa do Cavalo Marinho encheu-se de amigos. Sobretudo aos fins-de-semana.
Os relógios, aqueles objectos que regulam o tempo em horas, foram esquecidos. Não havia horas. Os dias eram regulados pelos banhos na piscina, pelas bebidas refrescantes e pela fome. As horas das refeições variavam de dia para dia e de acordo com os presentes.
Houve quem tivesse semanas de férias e quem tivesse o mês inteiro! Sortudos!? Talvez! Depende do ponto de vista. Neste caso, são os que não podem repartir as férias ao longo do ano... o que é uma pena!
Por vezes, é mesmo necessário parar, sair e respirar novos ares e contactar com outras culturas! Faz bem, enriquece-nos, sentimo-nos mais leves. Além de que retomar o trabalho se torna mais fácil!

domingo, 16 de agosto de 2009

Regresso



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Verão. Terra Quente. Ar seco sufocante.


Tanto faz que seja dia ou noite.


Não corre uma aragem! Nada! Nada!


Nada que refresque e atenue os dias de canícula!


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O dia já nasce sem brisas, só sol e sombras sinistras


E tudo é sem poder ser...


Como as horas abrasadoras que se alongam

No lastro da terra!


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Mas ainda assim há uma beleza intemporal

De arbustos pequenos que cobrem as fragas,

De histórias ouvidas e levadas pelo vento de Outono

Na paisagem agreste do Norte







sexta-feira, 31 de julho de 2009

Enamoramento

Foto de Fernando Cardoso


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Os belos e longos dedos de Orfeu
tiram notas da lira que pacificam os seres
e os elementos
*
Soltam-se sons de jasmim
na música mágica que sagra de grandeza mítica
o Universo
*
Ondas de opala e orquídeas
crescem nessa crescente paz tranquila
simples
*
Eurídice
emudecida e enamorada
está deitada a seus pés
cingida por um cendal de pérola
*
As notas da lira de Orfeu
siciam o seu amor e acariciam os decifráveis contornosdo ser amado
que lhe devolve
em sorrisos
a harmonia das esferas

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Bipolar, eu?


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Tenho duas identidades, dois sentires que, de tão opostos, vezes há que nem me reconheço. Não fui eu a sua criadora. Foram as circunstâncias. Tantas e diferentes que não posso sequer partilhá-las aqui e agora.
A minha identidade verdadeira, a que me diz e é autêntica é, sem dúvida, a primeira. Porque sou verdadeiramente eu: nome, hora, data, local de nascimento.
Nasci Nathalie de Jesus Armindo e assim me conheci durante anos e anos. Anos felizes, despreocupados, cheios de inocência. Mundo de rosas orvalhadas e sonhos de criança feliz.
A segunda identidade, da qual só tomei conhecimento aos 11 anos, altura em que foi necessário utilizar o bilhete de identidade, tomou-me de assalto. Senti-me incrédula, injustiçada e, ao mesmo tempo, uma estranha.
Natália Jesus Seixas Augusto não era eu! Como podia digerir tamanha usurpação de identidade? Não a digeri. Nunca. Mas também nunca exigi que a verdade fosse reposta. Para quê?
Assim, não me é necessário criar outros eus, porque, quis o acaso, que tivesse pelo menos dois! Um é solar! Muito solar. O outro é lunar, inconstante e muito variável.


segunda-feira, 20 de julho de 2009

Cinco Momentos para Passar em Câmara Lenta

Mirandela

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Gosto de momentos. Dos momentos que contam a nossa existência. Alguns são tão límpidos, intensos e honestos e, todavia, nem todos fazem parte do agora, mas de outrora. São aqueles que evocamos com mais frequência, sobretudo se há momentos menos momentos. Estes são os que não são nem tranquilos, nem coloridos. Mas passam por nós com a mesma intensidade.

Gosto de momentos. Gosto deste momento em que estou a escrever, porque me deixo levar pelas emoções, tão à flor da pele, e revivo alguns momentos. Neste caso cinco.

1.º momento - O meu pai a conduzir-me pela mão num dia frio de Inverno, depois de ter nevado, em França.

2.º momento - A minha vinda para Lisboa, para a Faculdade, graças aos meus pais. O meu pai foi o primeiro a querer que viesse. Já a minha mãe... foi vencida pelo meu pai e por mim.

3.º momento - O primeiro ano que dei aulas em Vialonga, que foi o culminar de um sonho de infância.

4.º momento - A atribuição do 1.o Prémio Revelação de Poesia, num Concurso Literário promovido pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira.

5.º momento - A publicação do meu livro André no Reino das Palavras Falantes, numa edição de autor.
Todos estes momentos me marcaram e fazem hoje parte do meu ser. Há outros, muitos, evidentemente, que guardo e são comigo. Porque eu sou todos esses momentos e outros já vividos e ainda outros que estou a viver. Sou momentos, poesia e paisagem ainda a Ser!
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Agradeço à Teresa por me ter desafiado a reviver "Cinco Momentos para Passar em Câmara Lenta"!

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Sem título


Foto de Fernando Cardoso

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Reinicio-me
nas minhas
telas de poesia
na anunciação
de espaços abertos
de claridade



Redescubro
a vida
que transborda
além tela
nos instantes
cativos de mar



Sagro-me de plenitude
em cada cor
impensadamente
sopros do ser
quando me penso
sem título
e só universo


Poema da colectânea há qualquer coisa, Editorial Minerva, 2000