quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Literatura é liberdade


Saramago. Novo livro. Controvérsia.
A literatura existe para nos deleitar e para nos fazer pensar, independentemente de temas e polémicas.
Esta última obra de Saramago, que saiu há pouco tempo do prelo, já deu direito a uma série de abordagens mais ou menos consensuais. Para muitos a Bíblia é um livro intocável e o que a propósito dela se escrever ou disser uma autêntica blasfémia. A Igreja e outras figuras públicas portuguesas pensam dessa forma. Se ainda houvesse o Santo Ofício, Saramago seria queimado na fogueira. Não duvido nada!
Ora, para quem escreve sobre um episódio da Bíblia é porque não só a conhece bem, como também a vê como fonte de inspiração. É porque também a considera um longo texto literário prenhe de alegorias que permitem outras leituras. Nesta obra temos a leitura de Saramago sobre os irmãos Caim e Abel. Ambos filhos de Adão e Eva. Ambos servidores de Deus... Não me vou adiantar mais sobre este episódio bíblico, nem sobre Caim de Saramago. Seria tirar-lhe todo o encanto e mistério.
Para finalizar direi apenas que literatura é liberdade e que o escritor, seja Saramago ou outro, são livres de escrever sobre o que lhe aprouver, independentemente de credos religiosos, sistemas políticos ou opiniões demagógicas.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Barcos rabelos


Vila Nova de Gaia num quentíssimo e belíssimo dia de Verão, há mais de um ano. Foi um passeio muito divertido, na companhia de amigos.
Tivemos direito a tudo: a boa comida e a boa bebida... Ao Vinho do Porto também. Hum... que delícia!
A repetir! Sempre.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Hábitos de leitura: quais são as suas manias na hora de ler?

Capa de um dos livros da minha biblioteca pessoal, que me foi oferecido por uma amiga inglesa, em 1996, quando ambas nos encontrávamos a leccionar num colégio em Auxerre.
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Não nascemos leitores mas tornamo-nos grandes leitores se o gosto pela leitura for incutido desde tenra idade. A leitura é como se fosse uma espécie de fome que nos leva a devorar todo o tipo de livros.
Acho que já fui, noutros tempos e noutros momentos da minha vida, uma grande, curiosa e ávida leitora. Agora, por circunstâncias várias, leio menos do que gostaria.
Em criança lia sobretudo contos de autores franceses e banda desenhada. Desse tempo ficou-me o gosto por todo um imaginário povoado por gnomos, duendes, princesas, fadas, bruxas e unicórnios.
Certo dia, vi-me em Portugal, longe dos meus pais e do meu irmão, e sem os meus livros. A minha biblioteca ficou lá atrás no tempo e no espaço, para sempre perdida. Na casa das tias e tios, por onde fui saltitando, ou não havia essas preciosidades ou não podia tocar-lhes.
Já em casa da minha avó materna, descobri outro tipo de livros de páginas amarelecidas, manchadas e gastas pelas mãos que tinham folheado aquelas páginas e pela inexorável passagem do tempo. As temáticas eram vávias, todavia predominava a religiosa.
Para além da Bíblia, dois livros chamaram também a minha atenção. Não me recordo dos títulos. Um era sobre a vida dos Santos, as suas vidas, os sacrifícios e martírios por que tiveram de passar, até se tornaram Santos. Outro era sobre a interpretação de sonhos. Qual o significado de determinadas paisagens, animais, e muito mais.
Aos treze anos, o meu pai ofereceu-me o primeiro romance, em dois volumes: A Morgadinha dos Canaviais, de Júlio Dinis. Recebi os dois volumes, que lhe tinham pertencido, e li-os num ápice. Reli-os várias vezes na minha adolescência. Foi a partir daí que descobri os clássicos.
Já no Secundário li outras obras e conheci outros autores nacionais e estrangeiros. Nas férias de Verão costumava reler os livros que tinha adquirido ao longo do ano lectivo e/ou que as minhas amigas me emprestavam. Gostava de os levar comigo para o campo, deitar-me nos tufos de erva e lê-los e relê-los até à exaustão. Depois dava comigo a olhar para o céu e as nuvens, a imaginar as personagens, os ambientes, o desenlace.
A Universidade abriu-me ainda mais os horizontes e o gosto pela leitura. Hoje, para além de ler em francês e português, leio também em inglês.
Confesso que amo ler nessas três línguas e, por vezes, quando estou sozinha, estirada no meu sofá, leio excertos em voz alta para ouvir a sua sonoridade e para saborear cada sílaba, palavra, frase, em busca do seu lado expressivo.
Há já alguns anos que tenho o vício de sublinhar passagens, expressões de que gosto. Se me identifico com o que leio, escrevo pequenos comentários na margem do texto ou no início ou fim dos capítulos.
Gosto de ler em quase toda a parte, excepto na praia. Por causa do vento, nos dias de ventania; por causa da areia, que teima em ficar dentro do livro; por causa do protector solar, que mancha as páginas.
Creio que não me vou alongar mais. Seria prolongar o sofrimento dos possíveis leitores deste texto. Confesso que antes de o redigir, desconhecia que era uma leitora com tantas manias na hora de ler!
Termino apresentando mais uma. Hilariante ainda por cima! Houve uma altura em que sublinhava alguns dos meus livros utilizando na mesma página vários lápis de cor. Para quê? Para dar cor ao livro e para... não me perder. E olhem que não me perdia. Inseguranças da Natália que a Nathalie nunca teve... nem nunca terá.
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Nota: Tema de Outubro proposto pelo blogue Vou de Colectivo.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Encantamento



Foto: Fernando Cardoso


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sábado, 26 de setembro de 2009

Sei... Sabemos...

Centre Georges Pompidou - Paris
Exposição temporária

Sei agora
só agora
que o Amor
é uma delicada
mas também intensa essência
que invade o espaço carmim
aveludado

Sei agora
só agora que tem nome
de estação clara
e é ímpar
nos seus beijos ternos
e doces e repetidos
sem urgência ou com ela
sempre

Se assim não fosse
não seria Amor
meu Amor



terça-feira, 22 de setembro de 2009

Beleza efémera

Faltam-me as palavras. Todas as palavras. Talvez porque o belo seja difícil de dizer. Muito...
Com os passar dos dias, deste Outono de canícula, as palavras iluminadas hão-de regressar. Prosa? Poesia? Não sei. Hoje não quero saber! Hoje não sei!
São belas as rosas ainda que a sua beleza seja efémera! O poeta sabe-o... e di-lo tão bem.
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As rosas amo dos jardins de Adónis,
Essas volucres amo, Lídia, rosas,
Que em o dia em que nascem,
Em esse dia morrem.
A luz para elas é eterna, porque
Nascem nascido já o sol, e acabam
Antes que Apolo deixe
O seu curso visível.
Assim façamos nossa vida um dia,
Inscientes, Lídia, voluntariamente
Que há noite antes e após
O pouco que duramos.
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Ricardo Reis, in "Odes"

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Desejos de Consumo

Estou a responder a um desafio que me foi feito pela Teresa Ferreira, que tem um belíssimo, blogue "Os meus óculos do Mundo", que também respondeu a este desafio colocado por outra bloguista.
A minha missão é apresentar cinco desejos de consumo. Não vai ser difícil! Sou consumidora compulsiva, embora já tenha sido mais! Há muito que não compro nada.
Vamos às compras? Umas mais impossíveis que outras...
1-Um vestido preto Ungaro;
2-Botas e mala Channel;
3-Jóias da Cartier;
4- Maquilhagem Estée Lauder;
5- Cabelos Jacques Dessange.
Acho que assim poderia apresentar-me com glamour em qualquer "vernissage" e fazer com que não passasse despercebida (algo que nunca procuro, antes pelo contrário).
Hoje deixei-me levar por sonhos fúteis e extravagantes. Excepto num aspecto, esta produção seria em nome da arte, neste caso, da pintura.