terça-feira, 17 de novembro de 2009

L' art en noir et blanc



Photo de F Nando

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J' aime les photografies de F Nando. Il n' est pas un chasseur d' images, il est un photographe qui part tranquilement à la recherche de toute la beauté. En fait, il sait rendre aussi toute sa beauté à une situation du quotidien.

Ses photos sont souvent empreintes d' humour, de nostalgie, d' ironie et de tendresse. Il nous fait revisiter des endroit, rencontrer les artisans, les musiciens, les artistes, les paysages.

Ses photos illustrent à merveille la vie de Lisbonne et d' autres villes charmantes comme Sintra, Cascais, Sesimbra et beaucoup d' autres.

Ses milliers de portrait pourrais bien être exposé dans un musée ou galerie d' art moderne. Je suis sûre que le public aimerai connaître se photographe amateur

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segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Sentires a "Preto & Branco"

Foto de Fernando Cardoso
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Alma trágica essa que te acompanha
que persegue a luz clara e transparente

e só se encontra

com as trevas

num silêncio duro

omnipresente



A voz

que atira as palavras na página em branco

sabe-se emudecida

e reconhece as horas lisas

os momentos opacos

da dor lancinante aguda

e angustiantemente intolerável


domingo, 15 de novembro de 2009

Entre a pintura e a poesia

Pintor: J. Francisco
"Passe de Ballet ao Luar"
Acrílico sobre tela
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Há no imenso silêncio
do universo nocturno
uma luz carmim que não é mais do que o olhar
atento da lua
que envolve imperceptivelmente
um par de bailarinos

O par ondula num movimento
coreografado e quente
ao sabor da música
com que sonhadamente
foge
para o além-tela
sob a protecção
do olhar atento e sábio do pintor

Os sons da melodia
sul americana invadem o ateliê
onde se pressente
a expressão do belo
em tons quentes e sensuais
forjados no pensamento atento
do artista

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Saudade


Foto de Fernando Cardoso
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Tudo parece nebuloso na distância
dos muitos anos
que se insurge entre nós

Sabes? Sei que sabes, que a dor de não seres
continua sempre e inequivocamente
connosco
que sentimos e amamos contigo
e como tu

domingo, 8 de novembro de 2009

Viagem ao mundo dos brinquedos

Brinquedos da loja "A Vida Portuguesa"
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Lembro-me, como se fosse ontem, dos brinquedos que tive na minha idade de ouro. Tive várias bonecas, uma do meu tamanho, com lindas roupas e cabelos que eu penteava, tive um bébé chorão, outras bonecas com muitas roupas e sapatos tipo Barbie (não sei se não o seriam já), cordas para saltar à corda, um baloiço feito pelo meu pai nas traseiras da casa, uma bicicleta, que o meu irmão viria a usar anos mais tarde e partir.
Certa vez, recebi de uma prima uma máquina de costura linda, em latão, ida de Portugal, que acabou na calçada, por eu a ter atirado pela janela. Que mal agradecida, pensarão. Agia sem pensar. Tinha tanto com que me entreter! Além disso, era rebelde. Quantas vezes fugi de casa para ir ter com os vizinhos…
Desses brinquedos, poucos me acompanharam na viagem para Portugal. Apenas uma boneca da qual não me separava nunca. Com o passar do tempo, no mês de Agosto, os brinquedos reapareceram. O meu pai traziam-mos de França. Trens de cozinha, animais vários, uma mala com jogos diversos que jogávamos nas noites quentes de Verão com ele, o meu irmão e primos, que não tinham aqueles divertimentos.
Na aldeia descobri outras formas de brincar e de me divertir. Depois da escola, que acabava invariavelmente às quinze e trinta, jogava à macaca, ao prego, aos países, à cabra cega, ao elástico e corríamos pelos montes deitando-nos nas copas das giestas mais frondosas. Até esta altura fui uma maria-rapaz, pena que não tenha sobrado nada da rebeldia dela.
No Natal havia outros jogos e brinquedos tradicionais: jogávamos ao rapa (dentro de portas à noite), ao pião e à malha (fora de portas durante o dia). Eram dias mágicos. A minha avó, nascida em 1900, contava-nos que tinha tido bonecas de trapos e outros brinquedos em madeira e latão.
Há dias, no Chiado, entrei numa loja linda e surpreendente de seu nome “A Vida Portuguesa“. Aí recua-se no tempo! A um tempo mágico onde se encontra o que de mais português existe. Encontram-se brinquedos de latão e de plástico (carrinhos, autocarros, trens de cozinha) piões, cordas; os melhores sabonetes de produção nacional; o restaurador Olex; a pasta medicinal Couto; o mel e as compotas; os cestos de vime; os livros dos primeiros anos de escolaridade antes do 25 de Abril; os lápis Viarco, as lousas, e tantas outras formas de reviver o passado português.
Na minha humilde opinião, acho que os brinquedos de hoje ainda que mais sofisticados e muito variados não permitem à criança aprender a brincar, nem a partilhar brincadeiras. Os “game-boys”, as “PSPs”, os jogos de computador e de telemóvel são jogos maioritariamente jogados por um/dois jogadores.
Hoje, ganha-se em tecnologia, mas perde-se o contacto com os outros, tão importante para o crescimento saudável da criança.
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Fotografia da loja "Vida Portuguesa"

Rua Anchieta 11 - Chiado, Lisboa

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Nota: Este post integra-se no tema proposto pelo blogue Blogagens Colectivas subordinado ao tema "Brinquedos: dos mais antigos aos mais recentes"

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Estação clara

Foto de Fernando Cardoso
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Os enamorados
sabem a estação clara
no céu azul, no abraço do sol, na calmaria da chuva,
nas carícias do vento e no canto novo das aves

Sabem-na também nestas telas
de poesia
que sabem os seus nomes
que sabem
as mãos entrelaçadas uma na outra
numa descoberta tranquila
e universal
de dizer o Sentir uno
de mais uma Primavera

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Escrevinhando

Foto de Fernando Cardoso
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Os poetas sentem e sabem
que as paisagens-telas-poemas
que vão escrevinhando
exalam aromas de um agora
extraordinariamente
amanhã

Os poetas conhecem também
a paisagem-tela-humana
cada vez mais desigual
mas tão idêntica
no seu desassossego presente

Os poetas são eternos filósofos
na busca da insondável
vertigem do ser
onde divino e humano
se fundem
imperceptivelmente
numa irmandade honesta e atenta