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O silêncio abriu a porta da casa da duna e instalou-se como se fosse sua. Entrava e confirmava que era o único ali. E era! Nada se movia. Nada! Nada! Nem os cortinados com o vento que entrava pelas frestas das janelas. Nem as portas se abriam ou fechavam. Nem as chávenas de porcelana tilintavam nos antigos guarda-louça, nem as plantas estremeciam com a luz. Não havia gatos,nem cães.
O silêncio era sepulcral, ainda que não fosse ameaçador. O silêncio era indefinível. Não era como outros silêncios: acusadores, sentenciosos, de desprezo e preconceito..
O silêncio tinha entrado na casa para, simplesmente, continuar as suas leituras! Entrara ali uma vez e descobrira uma biblioteca valiosíssima. Desde então, sempre que os donos se ausentam, ele entra e põe-se a ler, sentadinho numa poltrona.


