sábado, 13 de fevereiro de 2010

Cartas de Amor


Não, não tenho medo de falar de sentimentos. Na verdade, sou uma romântica e uma sentimental e a minha sensibilidade de ver para além do aqui permite-me antecipar tanta, mas tanta coisa.

Não poderia deixar de passar o dia de hoje (amanhã) em branco. Não lerão um texto meu, mas um texto que todos conhecem e que é intemporal.

Foto de F Nando

*******

Cartas de Amor

Todas as cartas de amor são ridículas.

Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,

Como as outras, ridículas.

As cartas de amor, se há amor,

Têm de ser ridículas.

Mas, afinal,

Só as criaturas que nunca escreveram

Cartas de amor

É que são ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia

Sem dar por isso

Cartas de amor ridículas.

A verdade é que hoje

As minhas memórias

Dessas cartas de amor

É que são ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,

Como os sentimentos esdrúxulos,

São naturalmente ridículas.)

***

Autor: Fernando Pessoa

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Ídolos

Foto de F Nando
*******
Uma belíssima mulher
Sensual, elegante, com um olhar de feiticeira
Um ídole, um ícone, um mito
Uma diva, uma estrela, uma mulher
A paixão por homens possíveis e
impossíveis
E uma morte precoce
Envolta em mistério
Assim ficou na história do cinema
Marylin Monroe

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Entre o sonho e a realidade

Ela tinha um sonho. Na verdade, muitos sonhos e sabia que não poderia realizar muitos deles. Ainda assim continuava a sonhar. Sonhava os seus próprios sonhos e realizava muitos deles também em sonhos. Gostava de voar num balão. Sonhava com o dia em que isso aconteceria.
Nesse dia não estaria vento. Veria o balão ser estendido no chão de um qualquer parque, veria também montar todos os apetrechos no interior que segurariam o cesto e a bomba que inflaria de ar quente o balão. Depois de o balão estar pronto a subir nos céus de Outono, entraria e a viagem teria início.
Um dia revelou esse sonho amigos, enquanto todos falavam em realizar aventuras mais radicais: voar de asa delta; fazer paraquedismo; andar num carro de fórmula 1. Tantos sonhos. Todos radicais. Fora das suas vidas rotineiras e comuns.
Todos riram no fim das suas pequenas loucuras. Mas houve um desses sonhos que se realizou. O sonho que ela tanto desejara: voar num balão. O grupo organizou-se de forma a que ela não suspeitasse de nada. Procuraram na net as empresas ou associações que faziam esses voos, fizeram a marcação e, uns dias antes do seu aniversário, começaram a fazer insinuações. De que ela ia adorar a prenda, que não iria adivinhar o que era, mas que já alguns meses falara nisso. E ela não conseguiu adivinhar, claro! Sabia que a viagem não era propriamente acessível. Por isso nem se lembrou.
Então, no dia do aniversário, entre outras prendas, foi-lhe entregue um envelope. Quando o abriu nem queria acreditar! Que felicidade.


Tudo aconteceu como imaginara. Chegar ao local e ver o ritual de inflar o balão. Senti-lo encher aos poucos até poder entrar, quando cheio, no cesto com dois amigos e o piloto. E a pouco e pouco o balão foi flutuando cada vez mais alto e mais alto ao sabor do vento e de acordo com o piloto.
O silêncio não era total. Apesar de se afastarem da terra, ouviam-se os sons da terra, sobretudo as vozes dos animais domésticos (galos, ovelhas, cabras). A terra vista do ar, de longe, era magnífica. Poder ver em tamanho pequeno os vilarejos, as quintas, o comboio deixaram-na feliz e estranhamente calma e tranquila, como se sempre tivesse sido uma " balonista".
Pousaram bem longe do local de onte tinham saído. É que os balões flutuam ao sabor do vento! Não foi muito dramático pousar o balão. Todos eles sentiram um forte abanão quando o cesto tocou o chão. Para terminar bem o voo, o piloto e o seu ajudante abriram uma garrafa de espumante bem fresquinho! Afinal aquele era o baptismo de voo num balão para os três.


Fotos de Nuno Martins

domingo, 7 de fevereiro de 2010

«A Pirâmide Invertida"

Museu do Louvre
*******
Nem sempre reparamos no que nos cerca. Às vezes, são necessários dias ou novas visitas para vermos melhor o que nos cerca.
Há descobertas espontâneas. Parece que são elas que enfeitiçam o nosso olhar. Outras há que são indicadas por certos livros, reportagens, revistas.
O Museu do Louvre não é um museu qualquer. Para além das diferentes alas, há vários átrios que podemos visitar e onde até nos podemos perder, na verdadeira acepção da palavra.
Depois de ter visitado o Museu do Louvre por várias vezes, só depois de ler o livro O Código Da Vinci, de Dan Brown é que passei a ter curiosidade em ver "ao vivo e a cores" a "pirâmide invertida". Como me passara despercebida, eu que sou tão atenta a tudo, chegando mesmo a descobrir pormenores que ninguém antes tinha reparado ou visto?
Mas logo que pude, fui certificar-me que existia. E não é que existia mesmo? Não era ficção...

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Casa do silêncio

Foto de F Nando
***
O silêncio abriu a porta da casa da duna e instalou-se como se fosse sua. Entrava e confirmava que era o único ali. E era! Nada se movia. Nada! Nada! Nem os cortinados com o vento que entrava pelas frestas das janelas. Nem as portas se abriam ou fechavam. Nem as chávenas de porcelana tilintavam nos antigos guarda-louça, nem as plantas estremeciam com a luz. Não havia gatos,nem cães.
O silêncio era sepulcral, ainda que não fosse ameaçador. O silêncio era indefinível. Não era como outros silêncios: acusadores, sentenciosos, de desprezo e preconceito..
O silêncio tinha entrado na casa para, simplesmente, continuar as suas leituras! Entrara ali uma vez e descobrira uma biblioteca valiosíssima. Desde então, sempre que os donos se ausentam, ele entra e põe-se a ler, sentadinho numa poltrona.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Expiação



*******

ARTE LISBOA 2009
Foto de F Nando
*******
FIL

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Vozes do Mar

Foto de F Nando
*******

Este silêncio de Inverno feito de vendavais, nevões, chuvadas torrenciais, dias e dias de céu de cores de chumbo e quase azul escuro são o anúncio dos gritos mudos do mar. O mar tem voz e é das mais belas: pode ser tempestuosa, melódica, tranquila e diz tanto sobre o que sente. Tem um sentir inimaginável que se perde na distância e fusão de todos os Oceanos.
Agora anda enfurecido. Muito. Atira-se contra as escarpas dos promontórios, as vagas crescem enormemente e os areais ficam à sua mercê.
O mar é um poeta. É no silêncio que escreve os mais belos poemas nos corais, nos tesouros que ainda alguém há-de descobrir. Há tantos mistérios no silêncio fundo do mar!