Sempre gostei de escrever. Creio que não restam dúvidas desse meu gosto pessoal. Tinha sete ou oito anos quando escrevi as primeiras quadras sobre a Primavera. Uma tia materna, com quem vivia na altura, ficou com elas e o tempo fez com que desaparecessem. Estavam escritas numas folhas de caderno, a lápis.
Durante anos escrevi em caderninhos que o meu pai me trazia, em guardanapos de papel, ou noutro material qualquer.
Nessa altura gostava apenas de escrever e sentia tudo o que escrevia. Além disso, os professores elogiavam, liam em voz alta ou pediam-me a mim para ler em voz alta os meus textos. Lia-os timidamente, apesar de saber que os meus colegas não usavam o vocabulário que já usava.
Sempre lera muito! Lia, escrevia e a minha mãe e tias contavam-me muitas histórias. Havia todo um imaginário poderoso dentro da minha mente.
Sempre gostei de escrever nos cadernos onde aprendi caligrafia. Na escola francesa, os cadernos eram não só para escrever, mas para treinar a caligrafia! Tinha uma letra linda: redondinha, certinha, perfeita.
Hoje a minha letra já não é como naqueles anos de ouro, mas compro sempre esses cadernos quando vou a França. É aí que escrevo poemas, pensamentos, onde copio citações ou apontamentos sobre vários assuntos.
Às vezes não sei o que faça com o que escrevo! Acho que não digo nada do mundo, nada do mundo que é e que os outros são!
Ainda assim vou escrevendo, porquanto as histórias, poemas, pensamentos invadem a minha mente doentemente febril e meu ser angustiado. Às vezes não me econheço nas palavras que escrevi. Deve ser outra. Outra que mora num mundo tão distante deste, onde nada de mal acontece, sobretudo aos que eu amo e quero tanto proteger.





