domingo, 21 de março de 2010

Dia Mundial da Poesia


Ultimamente os meus passos têm-me guiado até ao Centro Cultural de Belém. Fez ontem oito dias que fui ver a exposição de Joana Vasconcelos. Foi mágico! E todas as obras desta artista inigualável, muito criativa e original, fizeram-me entrar num mundo onírico. Em certos momentos, senti-me criança outra vez.

Hoje voltei ao CCB, desta vez para celebrar o Dia Mundial da Poesia. Andei a folhear os livros na feira do livro de poesia. Ouvi poetas a declamar poesia em algumas das salas. Detive-me nelas por instantes. Vi uma exposição de poesia experimental.
O momento que vou guardar para sempre na minha memória passou-se na sala Sophia de Mello Breyner Andresen. Ouvi elementos do público a declamar e/ou a ler poesia: Fernando Pessoa, Cecília Meireles, Vinicius de Morais, entre outros. Alguns elementos do público leram também poemas de sua autoria.
Destaco a partcipação brilhante de dois jovens que participaram nestas leituras. Um rapaz brasileiro que declamou um poema de Vinicius de Morais e outro da sua autoria. E outro português que leu com muita expressividade dois poemas de Fernando Pessoa.
Só posso sentir que é aqui que eu pertenço. Onde tudo acontece. Exposições, feiras do livro, encontros com escritores, oficinas de leitura e de escrita.
Neste segundo dia de Primavera solar, não plantei uma árvore (algo que já fiz), mas li dois poemas de Fernando Pessoa, como aqueles jovens e outros adultos.

sábado, 20 de março de 2010

Amanhã


Amanhã é um novo amanhã, com palavras para serem lidas em alta voz... com expresssividade, sensibilidade e paixão.

Amanhã é o dia da palavra ser mais cristalina, mais, muito mais chama e luz... do SER para dizer o SENTIR.

Amanhã é um dia novo quer chovam palavras tristes, quer comecem a florir novas e mais jovens palavras...

Amanhã voltarei a fingir que sou poetisa ainda que tudo o que leia ou escreva saia do meu âmago!



sexta-feira, 19 de março de 2010

Fiquei com as rosas


Tinhas asas e voaste. Foste levado pelo desejo de uma vida melhor. Portugal não te dava quase nada, por isso emigraste. Foste para França onde já se encontravam outros dos teus irmãos.
Foste clandestinamente pondo em risco a tua vida, mas a tua força interior guiou-te. A primeira tentativa saiu gorada. Foste apanhado e tiveste de regressar à pequena aldeia onde moravas. Todavia não desististe.
A segunda tentativa foi de vez. Foste "a salto" como nos contavas, a mim e ao meu irmão, isto é , sem documentos, pagando a um guia e atravessando os Pirinéus a pé. Que proeza, pai!
Mostraste-nos e leste-nos essa aventura, que tinhas manuscrito como testemunho. Mas não o temos connosco. Uma tia por afinidade ficou com esse relato e nunca no-lo deu.
Algum tempo depois, quando já não havia menos problemas, regressaste a Portugal e casaste. Tu e a mãe foram para França. Nasci eu e passado quase cinco anos nasceu o meu irmão.
Como gostava de ir às compras contigo! Não dizias não a quase nada.
Depois veio a separação. Foi longa e sofrida. Fiquei em Portugal e fui morando ora com uma tia, ora com um tio... até que a mãe regressou com o mano e passámos a viver com a avó.
Essa primeira separação foi dolorosa, mas víamo-nos sempre no mês de Agosto.
Uns anos depois regressaste. Tinhas uma quinta para cuidar e muitos projectos que puseste em prática. Continuavas a sonhar e a concretizar os teus sonhos, até que tudo terminou num Sábado, dia 2 de Maio, de 1992. Não consegui acreditar que partiras da forma mais cruel: assassinado e o teu corpo profanado. Fingi durante anos que ainda estavas em França, como quando eu era menina.
Depois fiz o luto tardio que deixou muitas feridas e sequelas.
Hoje, pai, recordo as nossas conversas, a partilha dos nossos sonhos, os teus olhos de um azul muito doce. Recordo o teu gosto pelas flores, sobretudo as dálias, os gladíalos, as rosas. Sempre as rosas vermelhas.
Pai, sei que estás e estarás onde eu estiver e que eu agora estou melhor. Sabes porquê? Fiquei com as rosas e o teu amor invisível.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Repto Final


Fui ao I Encontro Nacional de Blogueiros cheia de expectativas. Aconteceu em Lisboa, num simpático e acolhedor restaurante. O grande impulsionador deste encontro foi o Gonçalo (o mesmo que está a organizar o II Encontro). Cada participante levou um objecto ou algo que simbolizasse o seu blogue.


O grupo não era muito grande o que permitiu que todos estivéssemos rapidamente à vontade e a conversa se generalizasse. O gupo era heterogéneo o que fez com que vários temas fossem abordados. Houve momentos em que se partilharam vivências pessoais mais ou menos felizes.


Um dos blogueiros tinha já editado dois livros e a Eli, que levou um para ser autografado, deixou-me folheá-lo. Como gostei do que li, adquiri-o pouco tempo depois, embora levasse um mês a chegar às minhas mãos.


A troca dos artefactos foi um dos momentos altos da noite. Algo de muito verdadeiro aconteceu naqueles instantes. O virtual materializou-se, tornou-se realidade.



Desta vez não poderei ir, pois coincide com as férias da Páscoa e estarei em Trás-os-Montes, a visitar a minha mãe.


Espero que neste II Encontro haja mais participantes , até porque cada blogueiro pode levar um amigo. E a cidade do Porto é magnífica.


Qualquer rivalidade entre o Porto e Lisboa não faz qualquer sentido. A vida nocturna portuense é bem animada e há restaurantes muito bons. Aliás, come-se bem no Norte do país.


Vão e divirtam-se! Contactem o Gonçalo, um jovem dinâmico, bem falante, alegre e giro.


Não se vão arrepender! Garanto-vos!

sábado, 13 de março de 2010

O quê? Quando? Onde?

No dia 20 de Março, isto é, no próximo Sábado, começa a Primavera. Esperemos que o sol nos brinde com a sua visita mais continuada. Já chega de chuva e de frio. Não estamos habituados a este clima. Precisamos do sol! O sol é a nossa "imagem de marca".
Logo no dia seguinte, Domingo, é o Dia Mundial da Poesia. O Plano Nacional de Leitura em conjunto com o CCB apresentam um programa variado e muito completo para comemorar esse dia.
Haverá uma feira do livro, apresentações de livros, leitura de poemas pelo público, conferências, oficinas para miúdos e graúdos.
A Câmara Municipal de Lisboa tem também um programa de actividades, de 15 a 21 de Junho, no Jardim Jardim Teófilo Braga (Campo de Ourique).
Além da Feira do Livro de Poesia, haverá uma Tenda - Palhaços do Mundo apresenta cenas de Pessoa. Já na Casa Fernando Pessoa, poderá contar com o Ultimatum de Álvaro de Campos e com o lançamento do livro A Biblioteca de Fernando Pessoa.
Estes eventos, como já referi, terão lugar em Lisboa, contudo o Dia Mundial da Poesia será assinalado, com certeza, um pouco por toda a parte do país.
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quinta-feira, 11 de março de 2010

Abulia

Foto de F Nando
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Vens?
Não. Fico.
Onde?
Suspensa nas palavras quase policromas,
brumas em farfalhos,
melodias ténues
que nascem dos astros.
Vem!
Não.
Porquê?
Não sei, não posso,não consigo.
Hoje, o vosso real não é para mim,
a minha essência está envolta em trevas.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Um almoço diferente


Apesar do dia de hoje ter sido um dia de dilúvio, de o céu e o rio se confundirem no horizonte plúmbeo, a manhã passou depressa.

Sem me lembrar que na semana passada tinha combinado que hoje ia almoçar com a D, comprei a senha para ir almoçar à cantina.

Pus-me a trabalhar na sala onde já outras colegas estavam. Algumas delas conversavam baixinho escondidas pelo computador, outras corrigiam trabalhos e testes, outras punham em ordem o dossiê de DT. Por vezes, parava-se para se trocar uma ou outra palavrita.

Chegada a hora do almoço, a P desafia todas as colegas que ali estavam para ir almoçar fora. Eu e a D ficámos indecisas, pois já tínhamos desmarcado o almoço. Porém, P apresentou argumentos que nos convenceram.

Devíamos ir para convivermos, pois só nos confinávamos ao local de trabalho; saíamos um pouco daquele ambiente apesar da chuva e porque valia a pena reunirmo-nos à mesa para comer as famosas pataniscas da dona Fernanda, ou outra iguaria qualquer.

Fomos. O grupo ocupou uma mesa com quatro lugares e outra com sete. Havia dois colegas no grupo.

Comeu-se bem, bebeu-se e conversámos. A P brindou todas as mulheres do grupo com a mensagem que inicia este post. Brincámos com o facto de ser o dia da mulher, dado que todos consideraram que todos os dias eram dias da mulher, do homem, da criança e de todos.
À noite fui jantar fora com N, o meu querido e doce N. Mais tarde, recebi uma bela missiva de uma amiga que reenviei para outras amigas.