quarta-feira, 9 de março de 2011

Vai uma chocalhada, menina?

Momento do desfile dos Caretos de Podence por altura do Festival da Máscara Ibérica, em 2010!



Olhem-me só estes "chocalheiros" coloridos e endiabrados... Vão atrás de alguma alfacinha jeitosa, só pode. É que lá para Trás-os-Montes, as jovens não abundam!!!

Depois do desfile dos Caretos, o fim do Festival na Praça do Rossio. Então, Caretos? Vamos lá voltar a pôr as máscaras e chocalhar mais um pouco. Já perdebi! Sem as máscaras os olhos vêem melhor, certo?

Para terminar,transcrevo o que foi escrito e melhor explica como se vive o Entrudo em Podence. Sigam os Caretos na respectiva página do Facebook:
«Em Podence, nos dias de Carnaval, os Caretos surgem em magotes, de todos os sítios, percorrendo a aldeia em correrias desenfreadas, num clima fantástico e fascinante, pleno de sedução e mistério. Ninguém lhes consegue ficar indiferente, aqueles que não se vestirem de Careto abrem as suas adegas aos passantes.
As crianças de sexo masculino, os Facanitos perseguem os Caretos tentando imitá-los, as raparigas solteiras, são o principal alvo dos mascarados, admiram-nos das janelas ou varandas das suas casas, com um certo receio de que o entusiasmo dos Caretos os leve a trepar para as poderem chocalhar. »
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As fotos deste post são da autoria de F Nando da Sebenta do Nando

terça-feira, 8 de março de 2011

INOCÊNCIA PERDIDA

FÁBRICA DE LETRAS - MARÇO 2011

Sou, como outros e outras, operária da FÁBRICA DE LETRAS, embora não saiba há quanto tempo, isto é, anos. Desde que tenho consciência de quem sou, que me dedico às LETRAS.
Primeiro, brincando às professoras com uma amiga de infância que, tal como eu, se dedicou à docência. Segundo, desde que tive que dizer o que não podia verbalizar oralmente em palavras. Ou não sabiam ouvir-me ou não podiam. Por essa razão, na minha solidão povoada de sonhos e palavras, tornei-me uma OPERÁRIA das palavras. Até ao momento em que comecei a partilhá-las e, mais tarde, a publicá-las.
Gosto de ser parte desta FÁBRICA DAS PALAVRAS! Admito que nem sempre participo! Confesso que nem sempre comento os admiráveis textos que leio, porque fico "speechless", como dizem os ingleses.
Mas é sempre um desafio ser vossa OPERÁRIA. Os temas são verdadeiros desafios para quem ama as LETRAS e a ESCRITA. Confesso, humildemente, que estas são as minhas verdadeiras paixões! Tudo o resto é NADA!
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Foto de F Nando - «Montruosidades»

(http://www.sebentadonando.blogspot.com/)

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quinta-feira, 3 de março de 2011

Persistência


Foto de F Nando
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Paisagem de mim
sem mim e comigo antes e depois
de frágeis sentires
nas rochas gastas e falésias infinitas
de uma angústia omnipresente
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Amanhãs por ser
hojes que se repetem no vaivém dos dias
deixando escritos invisíveis
num passado destruído
por pesadelos repetidos na noite fria
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Encontros
mas ainda mais desencontros
trágicos e não lúcidos
envoltos em neblinas que não desaparecem nunca
numa solidão interminável
sempre persistente
sempre onde estou ou onde fui
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Nada sei de mim
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Movo-me descalça nas rochas e na terra dura
entre céu e terra
perto do abismo que me atrai
qual íman ou voz encantatória
que me devora a vontade sem remorsos
olhando-me ameaçadoramente
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Há anos
que sinto a sua força magnética
e oiço a sua voz telúrica

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Fragmentos do Eu

Foto de Pedro Reis Miguel
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Sentia uma fraqueza interna que a mantinha num desassossego inquietante. Tinha de sair dali. Deixar tudo para trás como se não mais fosse voltar. Tinha de voar para bem longe, para outro lugar, conhecer-se até melhor. Talvez nem fosse necedssário! Sabia como era. Demasiado sonhadora e louca. Louca a ponto de ter chamado a si o abismo, por várias vezes. Agora que acontecia de novo, tinha uma só certeza. Partir. Era tudo demasiado real e atroz. Precisava de outros sonhos. Queria só ser feliz. E só podia ser noutro lugar. Quem a ouvisse, diria que continuava a fugir do real, da vida, como sempre fizera.

Não queria conhecer novas paragens. Queria revisitar aquelas onde fora feliz ou cujas memórias se apagavam já. Queria sentir o cheiro do mar de Biarritz, comer croissants em Montpellier, ostras suculentas em Cannes, apetitosas saladas em Nice, comer um Crêpe Suzette acompanhado de um khir numa terrasse de Paris. Sentia vontade de se passear nos jardins e avenidas deLondres, revisitar a Tate Gallery, o London Eye, beber champanhe rosé a meio da tarde, num pub de um requinte sem par.
Sentia também saudades de ouvir falar italiano, aquela língua melódica e cantante que um dia quisera aprender. Rever Roma, a Fonte di Trevi, as catacumbas, o coliseu... Estar de novo em Florença e visitar os museus e aí fazer, de novo, compras. Andar numa gôndola e nas ruas estreitas de Veneza. Comer fruta variada, fresca, que os vendedores ambulantes apregoavam. Hum, que delícia! Ir também a Siena e rever a praça redonda e inclinada, onde se fazem corridas de cavalos.
Não viajara muito. Mas sentia que deixara um pouco de si em cada um desses lugares. Não só por os ter visitado, mas também por ter vivido uma ou outra peripécia.
Tinha de partir. Sim! O mais depressa possível...

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Neblina

Manhãs de neblina húmida a anunciar um dia frio de inverno. Mais um entre muitos. O nevoeiro surge, instala-se e é o rei da terra.
Em pleno campo, o pastor e o seu rebanho fundem-se no nevoeiro denso. São silhuetas que se recortam, por breves momentos, numa luz opaca e lisa.
Habitam-no ideias de outros dias, de outros tempos, de outras circunstâncias. Caminha com dificuldade tropeçando nas fragas. Os anos pesam. Setenta e oito anos como pastor e sempre. sempre o mesmo inverno, a mesma neblina.
Leva o farnel às costas e pesa-lhe tanto como as suas ideias e os seus setenta e oito anos. Queria ser jovem e não sentir nunca o frio que hoje lhe entra nas carnes. Estremece! Não adianta acender uma fogueira porque o rebanho não pára. Anda sempre à procura de pasto, tanto faz a estação do ano e a temperatura.
Depois de encerrar as ovelhas na corriça, regressa a casa por volta das dezassete. Janta pouco tempo depois e ainda cedo vai para a cama! Tem de ser. No dia seguinte levanta-se às cinco da manhã. A rotina repete-se com ou sem neblina. Pastor e rebanho calcorreiam os montes. O primeiro entrega-se às suas ideias. O segundo, inconsciente, segue o instinto da sua condição de animal doméstico.
Em casa, a mulher do pastor faz o queijo de ovelha. Coloca a coalhada num aro e vai espremendo o soro até obter um queijo ainda por curar. Do soro, que coloca ao fogão numa panela, faz requeijões de que todos gostam.
Tudo aparece nos dias frios e húmidos e invernosos numa casa de campo.
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Autor da foto: F Nando

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O Beijo

Le Baiser de l' Hotel de Ville, Paris 1950
Robert Doisneau
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A expressão dos afectos é tão natural como respirar ar puro, como beber água, procurar-se em si e dar-se, entregar-se ao outro. Paixão é exaltação, dizem! Amor é tranquilidade. No entanto, quer se trate de paixão ou amor estamos a falar de sentimentos, da relação entre dois seres que se sentiram inequivocamente atraídos um pelo outro.
A expressão do que o que se sente começa pelo enamoramento. Trocam-se olhares cúmplices, sorrisos meio rasgados, palavras sussuradas ao ouvido, um ligeiro toque das mãos. São momentos de encantamento e de sonho que aumentam o bater do coração e que leva "às nuvens". Ele e ela querem estar cada vez mais perto um do outro. Sentem já a necessidade de estarem apenas a dois.
E o momento chega. Antes mesmo de dizerem o que quer que seja, beijam-se. São os lábios que se unem num beijo breve. Mas não podem ficar-se por aí. Beijam-se ene vezes. Beijos intensos. Beijos apaixonados. Beijos longos. Beijos e mais beijos. Abraçam-se, acariciam o rosto um do outro, beijam-se de novo. Na verdade, na troca de carícias entre um homem e uma mulher não há nada mais doce do que beijarem-se nos lábios e na boca.
As mulheres são muito sensíveis ao beijo. Sentem prazer em ser beijadas nos olhos, na boca, no pescoço, na palma das mãos, no colo, na barriga. Em suma, no corpo todo. Os beijos podem ser inesgotáveis. E elas correspondem com paixão, amor, intensidade e alguma marotice. Gostam de ser beijadas com intensidade e muitos mimos.
Hoje nem o homem nem a mulher se inibem na expressão do que sentem. Um beijo em público já não choca, porém também não convém exagerar. Tem também de se ter em atenção o lugar e o possível público. Até porque os portugueses são, ao contrário do que dizem, bastante críticos.
Quem é que nunca sonhou dar um beijo cinematográfico em público? Quem não gostaria de estar a beijar-se e ser fotografado por Robert Doisneau, imortalizando esse momento? Aliás, teria sido impossível, em Portugal, nos anos 50,um par romântico ser imortalizado numa foto. Havia a censura.
Claro que em Paris, também houve alguma polémica. Não obstante, não foi ao beijo dos amantes, mas a quem o protagonizou. Muito haveria a dizer sobre isso.
O que realmente é belo, intemporal, artístico é a foto, o autor e o par romântico que se beija na rua, bem perto da Câmara de Paris.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Ideias caprichosas

Os dias vão-se alterando a pouco e pouco, no entanto ainda não estou satisfeita. E desde quando me sinto satisfeita? Sou a insatisfação em pessoa! Depois da concretização de um projecto, mesmo que falhe quanto às minhas expectativas, preciso logo de outro. Porém a mente é caprichosa! E eu sou tão imprevisível e inquieta.
Neste momento encontro-me numa fase em que as ideias surgem e logo se perdem porque não consigo uma articulação lógica entre elas. Por vezes degladiam-se para prevalecer umas sobre as outras. Vencem as assertivas num demorado "brainstorming". Esta é uma das fases depois de momentos de vazio total.
Depois surge a história: o tempo, o espaço, as personagens, o enredo, o narrador, o estilo de escrita. Não sei se será por esta ordem. Isso já depende de cada narrativa e de cada criativo da escrita. O início costuma-me ser fácil. Há alturas em que não consigo parar de escrever. Escrevi um livro juvenil, ainda por publicar, em pouco mais de quinze dias. A certa altura, pareceu-me que era a narrativa que tomava conta de mim e não o contrário. Quando terminei, senti-me completa e feliz.
Numa acção de formação aprendi a criar blogues. Tenho este onde vou escrevendo de tudo um pouco, deixo-me levar pelo momento em que escrevo. E tenho outro onde tento narrar uma história. Mas esse vai sendo escrito seguindo os caprichos da minha mente, por vezes, vazia. Escrevi um post na passada sexta-feira.
O blogue intitula-se http://fantasianomundodaspalavras.blogspot.com/ e espero que essa narrativa escrita ao sabor da mente se transforme numa história só, que nasceu ao longo de dias e noites com alguns interregnos mais ou menos longos.
Tenho de regressar a Fantasia. Tenho essa certeza. Essa necessidade. Só tenho de me disciplinar e escrever com regularidade.