"Ternura" é o tema escolhido para participar, este mês, no desafio da Fábrica de Letras.
Há momentos de ternura inesquecíveis e indescritíveis.
A palavra ternura sugere-me também esse sentimento. Sentimos ternura pelo mínimo gesto, por uma palavra amiga que nos foi dirigida, pela nossa cadelinha que nos vem lamber as mãos quando estamos tristes.
Desta vez resolvi prestar homenagem a um professor e escritor de que gosto. Também ele escreveu sobre ternura.
A palavra ternura sugere-me também esse sentimento. Sentimos ternura pelo mínimo gesto, por uma palavra amiga que nos foi dirigida, pela nossa cadelinha que nos vem lamber as mãos quando estamos tristes.
Desta vez resolvi prestar homenagem a um professor e escritor de que gosto. Também ele escreveu sobre ternura.
***
Ternura
Desvio dos teus ombros o lençol,
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do sol,
quando depois do sol não vem mais nada...
Olho a roupa no chão: que tempestade!
Há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
onde uma tempestade sobreveio...
Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...
Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!
David Mourão-Ferreira, in "Infinito Pessoal"
Desvio dos teus ombros o lençol,
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do sol,
quando depois do sol não vem mais nada...
Olho a roupa no chão: que tempestade!
Há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
onde uma tempestade sobreveio...
Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...
Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!
David Mourão-Ferreira, in "Infinito Pessoal"




