sábado, 11 de junho de 2011

TOMAR


Foto de FNando

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Ontem o dia 10 de Junho nasceu sob o signo do sol. A sua luz augurava um dia diferente e repleto de emoções. Além de que era o dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas. Não obstante ser feriado nacional, o que mais prometia era o tão esperado encontro do "Abrigo Poético" organizado pela Helena e pelo Helder.
Saímos pela manhã em direção a Tomar, cidade templária, atravessada pelo Rio Nabão. Uma vez lá chegados, fomos visitar o Castelo e o Convento de Cristo erigido no alto de um monte. Os laranjais, as latadas, as muralhas deixaram acenderam em mim memórias de outras viagens. A panorâmica que dali se tinha sobre a cidade era de suster a respiração dada a sua beleza.
Deambulámos ainda pelas ruas da cidade. Andámos pelas ruas pedonais, atravessámos a ponte para uma espécie de ilha, apreciámos a vegetação do jardim e as cascatas do rio.
Um pouco depois das doze horas juntámo-nos a alguns elementos do "Abrigo Poético", que só eu conhecia virtualmente por colocar poemas meus na página que este projecto tem no Facebook. Apresentámo-nos e a conversa foi fluindo. Falava-se das qualidades dos organizadores, da sua simpatia, de poesia, de publicações e da importância daquele dia. Do virtual estávamos agora a viver o real.
A sala que acolheu os escritores e seus acompanhantes estava magnificamente decorada e de acordo com o evento tão especial. À entrada, antes de transpor a porta da sala de refeições, encontrava-se num placard os nomes dos participantes por mesa que obedeciam a um tema. Ficámos na mesa "Amizade", à esquerda da mesa dos elementos do "Abrigo".
Depois do delicioso almoço à portuguesa, pois o bacalhau não podia faltar na mesa, seguiu-se o recital dos poemas dos poetas do "Abrigo". Rolos em jeito de papiro repousavam numa cesta decorada a azul, sob o nome "Tertúlia em Tomar". Cada poeta tirava um à sorte e se lhe calhasse o seu tinha de o recolocar na cesta. Seguiu-se o recital. Entre os intrépidos e os mais corajosos, todos os poemas foram declamados e aplaudidos. Foi um momento muito poético, claro!
Finalmente, ainda surgiu na mesa "Abrigo" um enorme bolo retangular. Cada um comeu o seu pedaço de bolo e bebeu espumante. Mantivemo-nos mais um pouco a conversar.
Depois das despedidas, a viagem de regresso foi feita pela estrada nacional para apreciar a beleza da paisagem ribatejana. Desde os arrozais, aos campos de milho, aos vinhedos, às cegonhas, ostensiva e corajosamente instaladas nos postes de alta tensão, aos cavalos lusitanos nos pastos, assim como os touros bravos, de tudo se viu. Chegámos a casa quase ao sol pôr com o coração a transbordar de felicidade.


quinta-feira, 26 de maio de 2011

Marvão


Foto de FNando

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A casa senhorial estava abandonada. Que pena sentimos. Desejámos que fosse nossa para a reabilitarmos e nela vivermos um dia.
A janela é de uma riqueza arquitetónica e histórica ímpar. Gosto de janelas. Fico sempre a imaginar o que se passa para lá dela ou o que se terá passado. Invento histórias que nem sempre escrevo. Fico com elas nos meus sonhos como se fosse, de novo, menina.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Realidade


Foto de F Nando

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Realidade. A realidade pura, dura e aguda dói. Dói ainda mais se esta realidade for administrada sem anestesia. Ela cai-nos em cima sem pré-aviso e de forma impiedosa.
Realidade. A realidade pura, doce e terna não dói. É administrada sem anestesia mas desejada e sonhada. Ela chega também sem pré-aviso e tenuemente com sabor a felicidade.


terça-feira, 17 de maio de 2011

Nós por cá...

Foto de F Nando

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O mundo em que vivemos deveria ser idêntico a um puzzle. Peça a peça construir-se-iam culturas. civilizações, políticas, filosofias. Surgiriam Homens isentos para representar e defender os direitos dos seus pares. Exerceriam cargos influentes mas sem serem ditadores, a democracia seria o lema principal de todos estes povos.
Ao contrário disso, o que é que temos? Homens no poder que são uns verdadeiros néscios, incapazes de proteger os seus pares. Sim, pares, pois são cidadãos e cidadãs como eles. A Comunidade Europeia parece afastar-se da ideologia com que nasceu. Onde está a união? Será que chegou realmente a existir!? Creio que não! Sempre houve os parentes pobres da Comunidade: Grécia, Itália e, claro, Portugal.
Ontem ou no dia anterior a Comunidade sofreu um duro golpe. O seu presidente parece ter-se envolvido num escândalo sexual. Há quem acredite numa teoria da conspiração, todavia não me parece. Houve outro escândalo sexual.
Nós por cá também estamos bem governados! A Troika impôs medidas duras de austeridade para emprestar 78 (?) milhões de euros ao Estado, que somos todos nós. Vai-nos sair caro. Tal como a pré-campanha e campanha dos diferentes partidos, cujos dirigentes me parecem tudo menos capazes de nos salvar da bancarrota e da nossa perda total de liberdade. Preferem denegrir as imagens uns dos outros, em vez de explicarem os seus programas para a governação.
Podemos votar no dia 5 de Junho, porém quem ganhar as eleições vai, qual servo da Troika, dificultar e tirar direitos aos que vão pagar a crise.
Nós por cá estamos a perder a nossa independência para a Troika e o estado democrático que tanto custou a conquistar! Haverá mais assaltos a Portugal? Houve outros ao longo da nossa longa História. Não chegam?
Queremos continuar sempre assim? Teremos de continuar a emigrar como nos anos 60? Desta vez não será para a Europa, espero. Conheço casos de emigração para as Américas e para Angola e são casos de sucesso.
O mundo é um quebra-cabeças difícil de governar especialmente quando o puzzle tem muitas e muitas peças!!!

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Deixa-me...

Foto de FNando

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Deixa-me aninhar-me no teu colo
e sentir o bater do teu coração
e o calor do teu corpo
e o beijo ainda imaginado
mas tão desejado

Deixa-me sentir o teu abraço
e o carinho, a ternura doce
e a segurança que nunca antes senti
mas que quis de mais

Deixa-me saber-te e ler-te
e inebriar-me nessas leituras
e sentir-te longamente
e nos momentos rápidos sermos Um
mas sempre intensamente

Deixa-me voar contigo
ao sabor do vento e do sol
e seguir os astros
e inventar outros momentos de luz
e de luar nas asas do real

Abraça-me, sim abraça-me e beija-me
Não me deixes nunca
que nunca é eternidade
Beija-me os pés, as mãos, a boca
e todo o meu corpo feito de incêndio
por esperar por ti
Não sei o que quero nem o que não quero. Se fico dentro de quatro paredes morro-me de solidão e infelicidade. Se saio sinto uma angústia gigantesca a consumir-me. O exterior sabe-me a ameaça e no entanto ... queria sair de onde me encontro.
Queria poder viajar. Voltar sobretudo a Paris ou a Barcelona ou a Londres ou ir até mais longe. Ir até Manaus, capital da Amazónia, onde o meu irmão trabalha. Contudo, sinto-me doente, sem forças para nada e com medo.
Queria acreditar em algo, ter objectivos e voltar a ser quem já fui mas sem estes receios todos...

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Chelas - Mirandela




É na Primavera que a aldeia da minha mãe (Chelas - Mirandela) ganha cor e vida. Cor por estar rodeada por montes e vales onde abundam as flores e vegetação diversa. Vida por coincidir com a Páscoa e com a vinda de emigrantes e de gente que se fixou nas grandes cidades.


A pequena aldeia, com mais ou menos vinte habitantes residentes, encontra-se situada no alto de um monte e entre o rio Rabaçal do lado esquerdo e o rio Tuela do lado direito. Os dois rios fundem-se num só depois de alguns metros de terrenos agrícolas nascendo aí o rio Tua.


Há já alguns anos que as casas estão a ser reconstruídas, mantendo os materiais da zona: o xisto e o granito. É agradável constatar que o património se vai preservando, ainda que às vezes não seja possível pois as casas originais já eram construídas noutros materiais.


Algumas destas belas casas são casas de férias ou de fim-de-semana. Os emigrantes regressaram e investiram o seu pecúlio numa casa, no entanto depressa voltaram a emigrar por causa da crise no nosso país. A maioria encontra-se em França. Tal como aconteceu aos meus pais que na década de sessenta também emigraram para lá.


No Verão a aldeia enche-se dos seus filhos pródigos. Apesar do calor, pois estamos a falar da Terra Quente, muitos sentam-se à sombra das varandas e alpendres. Põem a conversa em dia, recordam os momentos bons, bebem cerveja bem fresquinha que têm no frigorífico, fala-se da crise que atingiu toda a Europa. O tom é de descrença quanto à recuperação do euro, mas há sempre outras vozes dissonantes que acreditam que tudo vai mudar, pois não é só a Europa que está em crise, é o mundo inteiro.


No dia da festa da padroeira da aldeia, Santa Maria Madalena, a terra enche-se de gente. A festa tem lugar a 22 de Julho. Além dos autóctenes, dos emigrantes, dos que moram em Mirandela, vêm também alguns curiosos e turistas que se encontram no parque campismo, não muito longe dali.


A igreja é ricamente ornamentada com flores e rendas em todos os altares. A igreja chega a ser pequena para tanta gente. Faz-se também uma pequena procissão à volta do santuário. Depois cada um, com os seus convidados, vai para sua casa degustar as iguarias transmontanas que preparou para este dia.


Há muitos anos que deixei de ir a esta festa. Prefiro uma breve estadia no Inverno, digo breve porque a Terra Quente é também gelada no Inverno, e eu sofro com o frio. Não consigo sair de casa. Prefiro demorar-me por lá na Páscoa. Gosto de ver o campo verde e florido, os pessegueiros com frutos ainda pequenos, sentir uma mistura de odores, ouvir o zumbir das abelhas e o canto do cuco e de outras aves. Sinto saudades de ouvir o som da água a correr nos fontanários, que foram deixados ao abandono.


O da fotografia fica ao fundo das escadas da casa da minha mãe. Lembro-me como se fosse hoje, de ir lá encher os cântaros e transportá-los com dificuldade, em criança, para casa da minha avó, que fica a poucos metros de distância. Já mais crescida as bicas deixaram de correr. Íamos então buscar água ao rio Rabaçal. Levávamos uma rodilha e o cântaro de quinze litros. Descíamos uma encosta para a voltar a subir com o cântaro à cabeça. Quantas vezes eu e minha mãe fizemos esse trajecto. Lembro-me bem, muito bem. Assim como me lembro de lavar a roupa no rio.


Anos depois, muitos anos depois veio a água canalizada. Anos depois o saneamento. Depois as ruas em terra batida passaram a ser empedradas.


Tudo evolui com o tempo. No caso de Chelas, para melhor.


Para uma estadia confortável pode-se sempre ficar na Quinta Entre os Rios. Se tiverem curiosidade espreitem o site http://www.quintaentrerios.pt.vu/