quinta-feira, 7 de julho de 2011

"Mural da Felicidade" II

Mais que um sentimento, a felicidade é um estado de alma que, por muito que se deseje prolongá-lo no tempo, surge aos pedacinhos dando, assim, origem a um "Mural de Felicidade"!
Esse sentimento tão desejado pelo ser humano tem sabor de sorrisos, olhos de apaixonado, momentos de alegria ... e tudo o mais.

A felicidade expressa-se de mil e uma formas ou mesmo de forma ilimitada e, por vezes, de forma inesperada. É um estado de euforia, alegria, bem estar, sonho, encantamento .
"O que é a felicidade?" É um amigo que está perto e nos faz sorrir quando só nos apetece chorar. É partir para uma viagem há muito pensada, porém só mais tarde realizada. É sair com os amigos para comemorar um aniversário. É ter uma cadelinha fofinha que nos segue para todo o lado! É amarmos e sermos amados pois o amor é um dos sentimentos que todos pro c uram e "
dizê-lo a toda a gente". É escrever um livro, publicá-lo e fazer a apresentação pública em vários locais.
É também partilhar a felicidade com estranhos colocando o que nos faz felizes num Mural comum. As fotografias são testemunhos de momentos e pessoas que contribuem para a felicidade de cada um.
O belo traduz felicidade; as viagens, a aprendizagem de novas línguas e o conhecimento do nosso mundo traz felicidade; as palavras de amor, melífluas, ternas enchem os corações seres humanos de alegr
ia; um sor
riso sincero ou um riso contagiante que se propaga aos outros é um dos melhores momentos
de alegria e partilha. Esta lista é interminável porquanto a felicidade é vivida e sentida de maneiras diferentes.
A felicidade é gramaticalmente um substantivo abtrato, subjectivo, um estado. Para o ser humano essa abtração não existe. Felicidade é felicidade e sente-se. E partilha-se... ou talvez
não!!!

terça-feira, 5 de julho de 2011

«Mural da Felicidade" I

Foto de F Nando
*******
No dia 2 de Julho aconteceu a segunda edição do "Wallpeople". Este evento que envolve os amantes da fotografia foi trazido para Lisboa por uma jovem que residiu em Barcelona e onde
se deparou com este encontro da arte da fotografia. Daí a pensar dinamizar esta ação foi um passo.
O lugar escolhido no ano passado foi o largo de São Carlos, um lugar por si só mágico, encantador e cultural. Este ano o local teve menos visibilidade. Decorreu na Travessa do Cotovelo, não muito longe do Cais do Sodré, das dezassete às dezanove horas.
Ainda assim o "Wallpeople" foi sendo criado a pouco e pouco. Fotógrafos amadores, na sua maioria, e profissionais aproximavam-se do muro de onde nasceria um mural colectivo.
Se no início só surgiam no muro o logotipo "Wallpeople" e a questão temática "O que é a felicidade?", o mural foi sendo composto aos poucos. Do centro para as laterais. Primeiro cresceu a da esquerda e depois a da direita. Os intrépidos, subiram a um escadote, e os mais altos fizeram o mural crescer para cima. As fotos também foram descendo harmoniosamente.
Os participantes colavam as suas fotos na parede ocre com satisfação. As mãos mexiam-se com frenesim para colocar o bostik nas muitas fotografias que tinham nas mãos.
A organização ia orientando os participantes que se afastam das regras: deviam colar as fotos não muito longe umas das outras, não deixar espaços vazios, afastarem-se no final para tirarem fotos ao mural.
Depois da exposição do mural, desconstruiu-se. Cada participante pôde levar as suas fotos ou as fotos de outros participantes, para depois trocar impressões. Ora isso só seria possível se atrás da foto estivesse o e-mail do seu autor. A verdade é que a maioria tinha tido em atenção esse requisito.
Foi uma parte da tarde de Verão muito agradável. Ouviram-se comentários, histórias das fotos, tiraram-se fotos das fotos, do mural da felicidade, dos que fotografavam, dos que davam entrevistas.
Neste ano de 2011 o evento decorreu em simultâneo em diferentes cidades: Barcelona, Lisboa, Porto, Santiago, Cidade do México, São Paulo, Madrid, Bratislava, Bogotá, Bilbao, Istambul, Palma de Maiorca, Berlim, Roma, Valencia, Budapeste, Sevilha, Rio de Janeiro, Amesterdão, San Juan. Em suma, o evento decorreu em vinte cidades.
É preciso tão pouco para sermos os artíficies da felicidade comum e partilhá-la!

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Passeio I

É bom deixar a nossa casa por uns dias e ir até outros recantos belíssimos do nosso país encantador. Dá-nos uma sensação de evasão e felicidade interior. De saída da rotina. Partir é bom. Talvez porque sabemos que vamos regressar e reencontrar o nosso espaço.
Depois de terem decorrido muitos meses da oferta de uma prenda A Vida é Bela, Mourão, no Alentejo, foi o destino escolhido. A viagem foi feita de automóvel para fazer paragens sempre que nos aprouvesse. A primeira foi em Beja. Revi a cidade que já conhecia por ter há alguns anos assistido ao evento As Palavras Andarilhas. Depois seguimos para Mourão. Uma bela terra, com habitantes muito simpáticos, com uma acentuada pronúncia alentejana, feita de palavras arrastadas e cantadas.
As ruas estreitas foram engalanadas para o "Festival do Peixe do Rio e do Pão". As ruas cheiravam a poejo, orégãos e outras ervas aromáticas. Havia colchas a decorar as varandas em ferro forjado! Foi aí que comi a melhor açorda alentejana. Deliciosa e muito gulosa.
Instalados no Hotel de Mourão, um belíssimo palácio, perto da Câmara Municipal, no centro da cidade, dormimos uma breve sesta antes de explorarmos outros lugares.
A seguir fomos ver o Grande Lago de Alqueva, que eu já vira também há uns anos atrás. A barragem é uma gigantesca e verdadeira obra de engenharia. A água do Alqueva vê-se bem de perto, depois da barragem optámos por visitar a Nova Aldeia da Luz. Tal como há anos, veem-se poucas pessoas, a água subiu mais e há uma espécie de porto flutuante de onde se vê a água a perder de vista e pequenas ilhas.
Após deixarmos Mourão, rumamos a Évora. Que calor! Mas isso não nos demoveu de percorreremos as ruas históricas, visitámos a Capela dos Ossos, tirámos fotos à "pig parade" que estava exposta na Praça de Giraldo, descansámos no jardim público onde está o busto de Florbela Espanca, avistámos a planície alentejana do jardim que existe perto do Templo de Diana, e que alguns apelidam de Jardim dos Namorados.
Entretanto, o fim de semana terminava. Retomámos a viagem de regresso, nas calmas, continuando a observar a paisagem alentejana. Depois de três dias tão intensos, era bom regressar a casa.
Estas fugas no nosso cantinho ajardinado e tão cheio de contrastes e tanta beleza enchem-nos os dias de cor, magia e poesia!!!

terça-feira, 14 de junho de 2011

E se...


Tenho andado algo, para não dizer muito, afastada deste meu blogue. Desculpo-me com a falta de criatividade. :(( Não posso culpar a falta de tempo, porquanto tenha muito e muito e muito tempo de sobra.
A falta de leitores pode ser um dos fatores, porém não é verdade. Talvez seja uma falta de assunto, de tema, de vontade. Sei lá... O que quiserem. Fui apanhada de surpresa por isto me estar acontecer. Nem acredito. Logo eu que gosto tanto de escrever!
E se falasse do meu querido e doce namorado? Será que ele se iria importar? Há tanto para dizer sobre o meu querido Amor, que não sei por onde começar! Posso fazer uma ou outra revelação: gosta de fotografia, adora passear, é super querido comigo. É a minha alma gémea ponto final.
E se vos falasse agora das minhas fantasias? Será que posso entrar por estes meandros? Querem saber? Querem mesmo saber? Como gostaria de mergulhar nua num mar de água transparente. Gostaria ainda de jantar à beira mar e beber champanhe até mais não.
Se perdesse a vergonha e a timidez, poderia partilhar mais e interessantes fantasias com o meu amado. Mas fica tudo em silêncio. Sei, no entanto, de uma cidade onde me desinibiria: Paris!
E se...

sábado, 11 de junho de 2011

TOMAR


Foto de FNando

*******
Ontem o dia 10 de Junho nasceu sob o signo do sol. A sua luz augurava um dia diferente e repleto de emoções. Além de que era o dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas. Não obstante ser feriado nacional, o que mais prometia era o tão esperado encontro do "Abrigo Poético" organizado pela Helena e pelo Helder.
Saímos pela manhã em direção a Tomar, cidade templária, atravessada pelo Rio Nabão. Uma vez lá chegados, fomos visitar o Castelo e o Convento de Cristo erigido no alto de um monte. Os laranjais, as latadas, as muralhas deixaram acenderam em mim memórias de outras viagens. A panorâmica que dali se tinha sobre a cidade era de suster a respiração dada a sua beleza.
Deambulámos ainda pelas ruas da cidade. Andámos pelas ruas pedonais, atravessámos a ponte para uma espécie de ilha, apreciámos a vegetação do jardim e as cascatas do rio.
Um pouco depois das doze horas juntámo-nos a alguns elementos do "Abrigo Poético", que só eu conhecia virtualmente por colocar poemas meus na página que este projecto tem no Facebook. Apresentámo-nos e a conversa foi fluindo. Falava-se das qualidades dos organizadores, da sua simpatia, de poesia, de publicações e da importância daquele dia. Do virtual estávamos agora a viver o real.
A sala que acolheu os escritores e seus acompanhantes estava magnificamente decorada e de acordo com o evento tão especial. À entrada, antes de transpor a porta da sala de refeições, encontrava-se num placard os nomes dos participantes por mesa que obedeciam a um tema. Ficámos na mesa "Amizade", à esquerda da mesa dos elementos do "Abrigo".
Depois do delicioso almoço à portuguesa, pois o bacalhau não podia faltar na mesa, seguiu-se o recital dos poemas dos poetas do "Abrigo". Rolos em jeito de papiro repousavam numa cesta decorada a azul, sob o nome "Tertúlia em Tomar". Cada poeta tirava um à sorte e se lhe calhasse o seu tinha de o recolocar na cesta. Seguiu-se o recital. Entre os intrépidos e os mais corajosos, todos os poemas foram declamados e aplaudidos. Foi um momento muito poético, claro!
Finalmente, ainda surgiu na mesa "Abrigo" um enorme bolo retangular. Cada um comeu o seu pedaço de bolo e bebeu espumante. Mantivemo-nos mais um pouco a conversar.
Depois das despedidas, a viagem de regresso foi feita pela estrada nacional para apreciar a beleza da paisagem ribatejana. Desde os arrozais, aos campos de milho, aos vinhedos, às cegonhas, ostensiva e corajosamente instaladas nos postes de alta tensão, aos cavalos lusitanos nos pastos, assim como os touros bravos, de tudo se viu. Chegámos a casa quase ao sol pôr com o coração a transbordar de felicidade.


quinta-feira, 26 de maio de 2011

Marvão


Foto de FNando

*******
A casa senhorial estava abandonada. Que pena sentimos. Desejámos que fosse nossa para a reabilitarmos e nela vivermos um dia.
A janela é de uma riqueza arquitetónica e histórica ímpar. Gosto de janelas. Fico sempre a imaginar o que se passa para lá dela ou o que se terá passado. Invento histórias que nem sempre escrevo. Fico com elas nos meus sonhos como se fosse, de novo, menina.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Realidade


Foto de F Nando

*******

Realidade. A realidade pura, dura e aguda dói. Dói ainda mais se esta realidade for administrada sem anestesia. Ela cai-nos em cima sem pré-aviso e de forma impiedosa.
Realidade. A realidade pura, doce e terna não dói. É administrada sem anestesia mas desejada e sonhada. Ela chega também sem pré-aviso e tenuemente com sabor a felicidade.


terça-feira, 17 de maio de 2011

Nós por cá...

Foto de F Nando

***

O mundo em que vivemos deveria ser idêntico a um puzzle. Peça a peça construir-se-iam culturas. civilizações, políticas, filosofias. Surgiriam Homens isentos para representar e defender os direitos dos seus pares. Exerceriam cargos influentes mas sem serem ditadores, a democracia seria o lema principal de todos estes povos.
Ao contrário disso, o que é que temos? Homens no poder que são uns verdadeiros néscios, incapazes de proteger os seus pares. Sim, pares, pois são cidadãos e cidadãs como eles. A Comunidade Europeia parece afastar-se da ideologia com que nasceu. Onde está a união? Será que chegou realmente a existir!? Creio que não! Sempre houve os parentes pobres da Comunidade: Grécia, Itália e, claro, Portugal.
Ontem ou no dia anterior a Comunidade sofreu um duro golpe. O seu presidente parece ter-se envolvido num escândalo sexual. Há quem acredite numa teoria da conspiração, todavia não me parece. Houve outro escândalo sexual.
Nós por cá também estamos bem governados! A Troika impôs medidas duras de austeridade para emprestar 78 (?) milhões de euros ao Estado, que somos todos nós. Vai-nos sair caro. Tal como a pré-campanha e campanha dos diferentes partidos, cujos dirigentes me parecem tudo menos capazes de nos salvar da bancarrota e da nossa perda total de liberdade. Preferem denegrir as imagens uns dos outros, em vez de explicarem os seus programas para a governação.
Podemos votar no dia 5 de Junho, porém quem ganhar as eleições vai, qual servo da Troika, dificultar e tirar direitos aos que vão pagar a crise.
Nós por cá estamos a perder a nossa independência para a Troika e o estado democrático que tanto custou a conquistar! Haverá mais assaltos a Portugal? Houve outros ao longo da nossa longa História. Não chegam?
Queremos continuar sempre assim? Teremos de continuar a emigrar como nos anos 60? Desta vez não será para a Europa, espero. Conheço casos de emigração para as Américas e para Angola e são casos de sucesso.
O mundo é um quebra-cabeças difícil de governar especialmente quando o puzzle tem muitas e muitas peças!!!

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Deixa-me...

Foto de FNando

***

Deixa-me aninhar-me no teu colo
e sentir o bater do teu coração
e o calor do teu corpo
e o beijo ainda imaginado
mas tão desejado

Deixa-me sentir o teu abraço
e o carinho, a ternura doce
e a segurança que nunca antes senti
mas que quis de mais

Deixa-me saber-te e ler-te
e inebriar-me nessas leituras
e sentir-te longamente
e nos momentos rápidos sermos Um
mas sempre intensamente

Deixa-me voar contigo
ao sabor do vento e do sol
e seguir os astros
e inventar outros momentos de luz
e de luar nas asas do real

Abraça-me, sim abraça-me e beija-me
Não me deixes nunca
que nunca é eternidade
Beija-me os pés, as mãos, a boca
e todo o meu corpo feito de incêndio
por esperar por ti
Não sei o que quero nem o que não quero. Se fico dentro de quatro paredes morro-me de solidão e infelicidade. Se saio sinto uma angústia gigantesca a consumir-me. O exterior sabe-me a ameaça e no entanto ... queria sair de onde me encontro.
Queria poder viajar. Voltar sobretudo a Paris ou a Barcelona ou a Londres ou ir até mais longe. Ir até Manaus, capital da Amazónia, onde o meu irmão trabalha. Contudo, sinto-me doente, sem forças para nada e com medo.
Queria acreditar em algo, ter objectivos e voltar a ser quem já fui mas sem estes receios todos...

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Chelas - Mirandela




É na Primavera que a aldeia da minha mãe (Chelas - Mirandela) ganha cor e vida. Cor por estar rodeada por montes e vales onde abundam as flores e vegetação diversa. Vida por coincidir com a Páscoa e com a vinda de emigrantes e de gente que se fixou nas grandes cidades.


A pequena aldeia, com mais ou menos vinte habitantes residentes, encontra-se situada no alto de um monte e entre o rio Rabaçal do lado esquerdo e o rio Tuela do lado direito. Os dois rios fundem-se num só depois de alguns metros de terrenos agrícolas nascendo aí o rio Tua.


Há já alguns anos que as casas estão a ser reconstruídas, mantendo os materiais da zona: o xisto e o granito. É agradável constatar que o património se vai preservando, ainda que às vezes não seja possível pois as casas originais já eram construídas noutros materiais.


Algumas destas belas casas são casas de férias ou de fim-de-semana. Os emigrantes regressaram e investiram o seu pecúlio numa casa, no entanto depressa voltaram a emigrar por causa da crise no nosso país. A maioria encontra-se em França. Tal como aconteceu aos meus pais que na década de sessenta também emigraram para lá.


No Verão a aldeia enche-se dos seus filhos pródigos. Apesar do calor, pois estamos a falar da Terra Quente, muitos sentam-se à sombra das varandas e alpendres. Põem a conversa em dia, recordam os momentos bons, bebem cerveja bem fresquinha que têm no frigorífico, fala-se da crise que atingiu toda a Europa. O tom é de descrença quanto à recuperação do euro, mas há sempre outras vozes dissonantes que acreditam que tudo vai mudar, pois não é só a Europa que está em crise, é o mundo inteiro.


No dia da festa da padroeira da aldeia, Santa Maria Madalena, a terra enche-se de gente. A festa tem lugar a 22 de Julho. Além dos autóctenes, dos emigrantes, dos que moram em Mirandela, vêm também alguns curiosos e turistas que se encontram no parque campismo, não muito longe dali.


A igreja é ricamente ornamentada com flores e rendas em todos os altares. A igreja chega a ser pequena para tanta gente. Faz-se também uma pequena procissão à volta do santuário. Depois cada um, com os seus convidados, vai para sua casa degustar as iguarias transmontanas que preparou para este dia.


Há muitos anos que deixei de ir a esta festa. Prefiro uma breve estadia no Inverno, digo breve porque a Terra Quente é também gelada no Inverno, e eu sofro com o frio. Não consigo sair de casa. Prefiro demorar-me por lá na Páscoa. Gosto de ver o campo verde e florido, os pessegueiros com frutos ainda pequenos, sentir uma mistura de odores, ouvir o zumbir das abelhas e o canto do cuco e de outras aves. Sinto saudades de ouvir o som da água a correr nos fontanários, que foram deixados ao abandono.


O da fotografia fica ao fundo das escadas da casa da minha mãe. Lembro-me como se fosse hoje, de ir lá encher os cântaros e transportá-los com dificuldade, em criança, para casa da minha avó, que fica a poucos metros de distância. Já mais crescida as bicas deixaram de correr. Íamos então buscar água ao rio Rabaçal. Levávamos uma rodilha e o cântaro de quinze litros. Descíamos uma encosta para a voltar a subir com o cântaro à cabeça. Quantas vezes eu e minha mãe fizemos esse trajecto. Lembro-me bem, muito bem. Assim como me lembro de lavar a roupa no rio.


Anos depois, muitos anos depois veio a água canalizada. Anos depois o saneamento. Depois as ruas em terra batida passaram a ser empedradas.


Tudo evolui com o tempo. No caso de Chelas, para melhor.


Para uma estadia confortável pode-se sempre ficar na Quinta Entre os Rios. Se tiverem curiosidade espreitem o site http://www.quintaentrerios.pt.vu/

sábado, 16 de abril de 2011

TERNURA


"Ternura" é o tema escolhido para participar, este mês, no desafio da Fábrica de Letras.

Há momentos de ternura inesquecíveis e indescritíveis.
A palavra ternura sugere-me também esse sentimento. Sentimos ternura pelo mínimo gesto, por uma palavra amiga que nos foi dirigida, pela nossa cadelinha que nos vem lamber as mãos quando estamos tristes.
Desta vez resolvi prestar homenagem a um professor e escritor de que gosto. Também ele escreveu sobre ternura.
***
Ternura

Desvio dos teus ombros o lençol,
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do sol,
quando depois do sol não vem mais nada...

Olho a roupa no chão: que tempestade!
Há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
onde uma tempestade sobreveio...

Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...

Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!

David Mourão-Ferreira, in "Infinito Pessoal"

quarta-feira, 13 de abril de 2011

O BEIJO


Robert Doisneau

***

Beijo-te ardentemente
num gesto impulsivo de opala
sem hora e sempre
com sabor transparente ao nosso
after

Beijo-te bem intensamente
no corpo todo e que sei meu
e aninho o meu no teu abraço
doce

Beijo-te apaixonadamente
nos lábios de rosa veludo
sentindo um arrepio terno de sentimento
único, irrepetível, sensível

Beijo-te, beijo-te, beijo-te
sempre e sem hora
agora

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Dantes




Foto de FNando
(Alcochete)

*******

Agora sei o que são semanas longas, longuíssimas e solitárias.
Agora sei que nem sempre preencho as horas vazias com o que gosto.
Agora sei que o dia tem mais de vinte e quatro horas sem palavras poéticas.
Agora sei que me aborreço de mim mesma por estar tão quieta e dormente.
Agora sei que há este mundo feito de ansiedade e receios.
Agora sei que há fins-de-semana cinzentos com raios de sol invisíveis.
Agora sei que tudo que se foi deixou um vazio incomensurável.
Agora sei que a dor vem de dentro e se instala sem me pedir.
Agora sei que há lugares para quem tem hemorragias internas de dor aguda e insana.
Agora sei que me morro a cada dia, mês, ano que passa.
Agora sei que me procuro mais por não saber estar onde outros estão.
Dantes nada sabia ao certo embora o pressentisse.
Dantes tudo me parecia certo e bem.
Dantes tinha asas e voava ao encontro dos meus sonhos.
Dantes queria viver intensamente, aprender tudo, ser sempre outra.
Dantes é tão longe e tão doce e acre!
Dantes acreditava ser feliz e não o era.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Um dia...

Cascata em Manaus - Amazónia

*******
Do outro lado do largo oceano existe ainda uma espécie de paraíso. A floresta de frondosas e centenárias árvores, que se erguem com uma força tal que mais parecem querer ser irmãs do céu, resistem às mãos insensíveis dos lenhadores.
A água abunda. Caminha em cascatas graciosas e convidativas a um bom banho. Sabem a liberdade. Sonham com poetas sequiosos de tanta beleza.
Há uma paleta policroma que se transforma numa gigantesca tela de técnica mista. Há papel papiro, água doce e morna, verde verdejante, azul céu, rocha escada burilada pelas torrentes.
E existe a minha vontade do lado de cá desse largo, larguíssimo oceano e longe. longíssima estado brasileiro que me espera. Já me chama. Um dia qualquer irei.


quarta-feira, 30 de março de 2011

MENTES INQUIETAS

Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.





*******



Eu não sou eu nem sou o outro,
Sou qualquer coisa de intermédio:
Pilar da ponte de tédio
Que vai de mim para o Outro.

Mário de Sá Carneiro




*******

EU QUERO AMAR PERDIDAMENTE

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder ... pra me encontrar...


Florbela Espanca


*******

O Palácio da Ventura

Sonho que sou um cavaleiro andante.
Por desertos, por sóis, por noite escura,
Paladino do amor, busca anelante
O palácio encantado da Ventura!

Mas já desmaio, exausto e vacilante,
Quebrada a espada já, rota a armadura...
E eis que súbito o avisto, fulgurante
Na sua pompa e aérea formusura!

Com grandes golpes bato à porta e brado:
Eu sou o Vagabundo, o Deserdado...
Abri-vos, portas d'ouro, ante meus ais!

Abrem-se as portas d'ouro, com fragor...
Mas dentro encontro só, cheio de dor,
Silêncio e escuridão -- e nada mais!


Antero de Quental

***********************************************************
***********************************
*****************

Não se sabe bem de onde vem essa inquietação. Mas ela existe e perturba qualquer ser aparentemente mais forte tornando-o frágil e à mercê ou da dor ou de um estado de delírio incontrolável. Apetece tudo e não se quer nada. Sabemos quem somos e logo depois já não nos reconhecemos nas palavras que dissemos ou escrevemos. Há uma angústia permanente. Um desassossego que não passa e dói fundo no ser. Às vezes, a obsessão acompanha todos os actos e pensamentos. Ninguém compreende. Quem sente sofre. A dor e o desespero são realmente o pior de tudo. O cansaço também.

domingo, 27 de março de 2011

City of Angels- Spreading Wings




No que acreditamos? Será que temos de acreditar no que quer que seja? Será que já nascemos a acreditar em algo? Ensinaram-nos a acreditar?

Os nossos amigos e familiares dizem-nos para acreditarmos em nós: nos nossos sonhos, nas nossas decisões, nos nossos projectos. Pedem-nos que sejamos sempre positivos. Não obstante nem sempre é fácil.

Não sei no que acredito e se acredito ou se quero verdadeiramente acreditar no que quer que seja.

Às vezes acredito em seres invisíveis, que um dia tiveram de partir mas que estão ao nosso lado. São os nossos anjos da guarda. Protegem-nos em todos os momentos e estão connosco nos momentos mais felizes ou mais dolorosos.

Acredito em anjos, seres fantásticos, invisíveis que fazem parte de Fantasia, onde me retiro cada vez mais dias.

segunda-feira, 21 de março de 2011

DIA MUNDIAL DA POESIA

O dia nasceu azul azul e muito solar. Raios dourados alongavam-se e beijavam a Terra e todos os Seres. As árvores estavam bem dispostas e viçosas e as aves enchiam os campos de trinados melodiosos e alegres. O cuco cantava sem parar, seguindo sempre a mesma melodia de todos os anos. Era um cantador afinadíssimo!

Manhã de poesia. Da nossa e de todas as línguas do Universo. Manhã de poemas. De todos os poemas já escritos e por escrever. Poemas de um só verso, de uma quadra, de um conjunto de quintilhas, de um soneto., de uma cantiga, ... ou simplesmente de um poema livre livre livre. Poema escrito no vento e (re)escrito, um dia ou logo depois, na página em branco.
E o poeta? O poeta começa o poema num momento de intensa, desejada, inspiradora solidão. Por vezes, tem de esperar pelas palavras ou pela inspiração. Outras vezes, não. Estas saem-lhe num jacto, num momento de autêntica euforia criativa. Nada o pode parar. Até ele sente dificuldades em parar. Só o ponto final! Só a última palavra do poema se não tiver pontuação! Tudo sai em torrente. Nessas alturas, esquece-se de dormir, de comer, de que o esperam no emprego. Tem de escrever. De escrever com mini pausas roubadas à poesia.
Frente e verso... Frente: o corpo, o olhar, os gestos, os movimentos, a vida quotidiana, as palavras, os silêncios. Verso: o ser, os sonhos, as viagens internas, as palavras escrevinhadas, a sensibilidade, a entrega límpida e doce à escrita.
O poeta pode fingir o que sente, tal como diz Fernando Pessoa, mas ainda que finja sente muito, sente mais do que qualquer ser humano, que desconhece que na mente do poeta existe todo um mundo pronto a aparecer perante todos. Só espera a Hora. Aquela Hora tantas vezes nocturna , aquela Hora prima de uma beleza inigualável!

*******
a) Fotos F Nando
b) Livros Frente e verso, que acompanhavam a revista «Visão»
c) Agenda
2010 (Fernando Pessoa)

sexta-feira, 18 de março de 2011

"One day I'll fly away"




I love a true and impossible and painful and difficult love story. What's the fun if everything is perfect and wonderful and incredible and beautiful? Would we give love the same value? Would
we look for it pationatlly? Would it be the true love?
"A propos" have you ever really loved? Who? When? Why? How long? You don't have to answer! These are simply rethorical questions!!!
That's all...

quarta-feira, 9 de março de 2011

Vai uma chocalhada, menina?

Momento do desfile dos Caretos de Podence por altura do Festival da Máscara Ibérica, em 2010!



Olhem-me só estes "chocalheiros" coloridos e endiabrados... Vão atrás de alguma alfacinha jeitosa, só pode. É que lá para Trás-os-Montes, as jovens não abundam!!!

Depois do desfile dos Caretos, o fim do Festival na Praça do Rossio. Então, Caretos? Vamos lá voltar a pôr as máscaras e chocalhar mais um pouco. Já perdebi! Sem as máscaras os olhos vêem melhor, certo?

Para terminar,transcrevo o que foi escrito e melhor explica como se vive o Entrudo em Podence. Sigam os Caretos na respectiva página do Facebook:
«Em Podence, nos dias de Carnaval, os Caretos surgem em magotes, de todos os sítios, percorrendo a aldeia em correrias desenfreadas, num clima fantástico e fascinante, pleno de sedução e mistério. Ninguém lhes consegue ficar indiferente, aqueles que não se vestirem de Careto abrem as suas adegas aos passantes.
As crianças de sexo masculino, os Facanitos perseguem os Caretos tentando imitá-los, as raparigas solteiras, são o principal alvo dos mascarados, admiram-nos das janelas ou varandas das suas casas, com um certo receio de que o entusiasmo dos Caretos os leve a trepar para as poderem chocalhar. »
*******
As fotos deste post são da autoria de F Nando da Sebenta do Nando