sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Em Manaus

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Em certos dias de canícula tropical, à falta de uma praia, sabe bem aceitar o convite amigo para um churrasco à beira da piscina. Os anfitriões sorridentes, simpáticos, felizes recebem os amigos. Põem à vontade os que vão chegando aos pares ou em grupo. Servem-lhes caipirinhas, chôpes, vinhos, sumos de fruta natural. Tudo bem fresquinho. Tudo coloridamente delicioso e refrescante.
Depois todos se trocam nos balneários e mergulham na grande piscina azul. A alegria espalha-se. Há bolas atiradas pelo ar, jogos disputadíssimos sem qualquer ponta de competição. Divertimento e frescura são as palavras de ordem. Outra palavra de ordem é comer. Bem e de mais para alguns, europeus, pouco habituados a estas horas infindáveis de degustação...
Nacos de carne de vaca tenra são colocados nos grelhadores. Hum! que cheiro delicioso! Assam-se também salsichas,  rodelas de abacaxi. Há sobre a mesa um panelão com feijoada brasileira, mandioca para acompanhar. É a carne que não pára nunca de sair da brasa, sempre suculenta e que se derrete na boca como manteiga. Mais caipirinhas a acompanhar, pois a maioria parece inclinada para esta bebida. Só os que não bebem bebidas alcoolicas preferem os sumos de fruto, ainda que poucos. Sucedem-se as sobremesas. São tantas e tão difíceis de escolher!
O dia avança. Dança-se ao som do samba e de outras modinhas brasileiras. Por descuido intencional há pares que caem na água, outros são empurrados e todos dão gargalhadas de felicidade. E logo retomam a festa em que o almoço se transformou.
Manaus e a alegria das suas gentes chegam-me através dos relatos que o meu irmão me faz pelo telefone ou via skipe. É através deles que imagino esses almoços, o Festival do Boi, o Carnaval. É assim também que mato as saudades e se me aguça a vontade de conhecer a capital da Amazónia indo ao seu encontro.



terça-feira, 13 de setembro de 2011

Sê grande

 Paris
Foto de FNando
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Sê grande
 ainda que sintas que o não  és
pois só sentir
plenamente
e buscar o indizível
te é permitido

sábado, 3 de setembro de 2011

Papéis dispersos

 Foto de FNando



Numa mesa
             na esplanada do café Le Quai
                 papéis dispersos
             despertaram
             o olhar verde escuro do serveur
             Uma voz respondeu à pergunta silenciosa.
             Sou a poesia que a imaginação dos seres
             também como tu 
             sentem

             Um sorriso ondulou no seu rosto infantil
                  e ainda sem nada dizer
             sentindo apenas
             afastou-se iluminado


 

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Cosmopolitismo










No post anterior, apresentei fotos de alguns veículos que observei nos meus passeios por Paris e que muito me agradaram pela sua diversidade e beleza. Desta vez partilho o que há de comum entre as pessoas e as cidades ditas cosmopolitas. Vi militares armados nos locais turísticos, nas estações de metro e comboio; vi pessoas de origens e etnias diferentes; observei um casal recém-casado a tirar fotos à beira da Sena; talvez tenha visto uma possível modelo de tão alto que a jovem era. Cruzei-me com muçulmanas que continuam a usar o seu traje tradicional, apesar de o véu ter sido proibido por lei por Sarkozy. Outras que pediam nos locais mais movimentados. E outras pessoas sentadas nas escadas do rio Sena olhando-o pensativamente.
Creio que agimos todos da mesma forma: admiramo-nos com as milícias fortemente armadas; achamos estranho os trajes de muçulmanos num país onde foram proibidos; invejamos a elegância e altura de uma mulher exuberante; sentimos ternura por um casalinho a tirar fotos; rimo-nos com as diferentes cores e dos cortes de cabelo.
As fotos do Nando são uma pequena amostra das pessoas que residem, visitam, passeiam, vigiam a bela cidade das Luzes: Paris.

sábado, 20 de agosto de 2011

Souvenirs












































































































































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Entre o moderno e o clássico - estes
instantâneos belíssimos foram captados em Paris, na semana passada, e foram-me amavelmente cedidos pelo fotógrafo do blogue
Sebenta do Nando (http://sebentadonando.blogspot.com)


quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Je t' aime à la folie

Paris
Foto de Pedro Reis Miguel

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Há palavras, expressões, poemas, parte de textos dos quais nos apropriamos, embora saibamos que não são da nossa autoria. Aprendêmo-los, repetimo-los, recuperamo-los nas situações mais inesperadas.
Aconteceu-me. Sim, aconteceu-me recuperar uma expressão que, durante largos meses, não sabia de onde vinha. Todavia tinha todo o sentido para mim dizê-la repetidamente, porque era isso que queria dizer e sentia, e digo e sinto: «Je t' aime à la folie». Nunca antes me ocorrera dizê-la, porém "O coração tem razões que a razão desconhece".
Hoje, por curiosidade fiz uma pesquisa na internet. Que descobri? Que se tratava do título de uma canção dos anos setenta de Serge Lama. Ora, nada em França e aí residente até aos oito anos e visitante reincidente, apesar da tenra idade, fixei a expressão. Mas uma vez adulta, esqueci o seu autor.
Será plágio dizê-la quando é o que sentimos e não encontramos outra melhor que a substitua!? É que sou uma fã incondicional da Língua e Cultura Francesas.
Faltam poucos dias para mais uma visita. Não me canso nunca!!!

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terça-feira, 2 de agosto de 2011

Digressão


Lyon - França

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Último dia de Outubro de 2005


Este fim-de-semana evoquei paisagens de outrora. São paisagens de um outro tempo, de um outro lugar, muito distante deste onde me encontro. Era tudo tão mágico, tão de sonho! Tão de mais!
Foi muito simples reabilitar esse passado. Creio que foi a paisagem do filme Wicker Park que me fez ressuscitá-lo. Como sinto falta da paisagem branca, branca. Ver os flocos de neve descer do céu ininterruptamente, vê-los cair uns sobre os outros até cobrirem tudo com um manto imaculado.
Mais belo e inesquecível ainda é andar nas ruas brancas e sentir no rosto o frio cortante. Sabia tão bem fazê-lo! Mesmo quando os trilhos por onde todos passavam se transformavam numa lama aguada e acastanhada.
As roupas quentes que somos obrigados a vestir aconchegam-nos nesses passeios a pé. As luvas, os cachecóis, os gorros, os casacos compridos, as botas são de um conforto extraordinário. Tal como entrar numa chocolaterie e pedir um chocolate bem quentinho. Que aroma!
Depois retomava o passeio sozinha ou acompanhada, tanto fazia. Quando sozinha, apreciava a neve nos telhados das casas, nas copas das árvores, nas margens dos lagos. Observava as pessoas na sua rotina diária. Quando acompanhada, gostava sobretudo de respirar fundo, encher o peito de ar frio e de me ver, depois, a expirá-lo como se de vapor se tratasse.

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Participação do mês de Agosto para a «Fábrica das Letras»