sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Digressões... pouco líricas

Foto de F Nando

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Sempre gostei de escrever. Desde miúda, como já devo ter dito num outro post. Todavia nunca fui de escrever diários, como a maior parte das adolescentes. E se o escrevi, não lhe posso chamar diário, porquanto eram poemas, episódios, contos.
Passaram muitos anos até que começasse a escrever um diário. Tudo aconteceu sem ser premeditado. Só sei que alturas havia em que tinha de escrever quase diariamente. Tanto podiam ser textos curtos como mais longos. Prevalecia a prosa poética e, pontualmente, um poema.
Quando quis dar-lhe um título, algo sempre difícil para mim, ocorreu-me a palavra «Digressões» . Lembrei-me dela por sempre me lembrar do início da obra Viagens na Minha Terra, pois o narrador diz-nos que vai iniciar as suas digressões à roda do seu quarto, evocando depois o trajeto da viagem de Lisboa a Santarém, e a história de Joaninha.
À medida que ia escrevendo o meu diário, já adulta, em prosa poética, constatei que as minhas digressões à volta de mim mesma, tinham algo de lírico, ainda que pouco lírico... Sempre fui demasiado silenciosa e introspetiva e triste. As minhas confissões de dor, angústia, medo, desespero estavam naquelas páginas, escritas a computador, para mais ninguém ver ou ler. Porém, num dos meus atos extremos, o meu irmão viria a lê-los e a descobrir o que tanto me torturava.
Foi em 2010 que dei por terminado este diário que iniciei em 1995. São muitos anos, dirão! Muitos mesmo. Não quero voltar àquelas páginas, que nem são muitas afinal, embora sinta o mesmo: vazio, angústia, dor, desalento.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Libertação


Foto de F Nando

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Há em mim um desejo oculto de libertação. Desde menina. Desde as vezes em que fugia de casa para me ir recolher na casa de amigos. Outras vezes escondia-me nos livros que lia e não respondia a ninguém. A minha mãe ficava de rastos e ralhava-me com severidade. Na altura não compreendia, mas imagino agora a angústia que ela sentia.
Com o correr dos anos esse desejo manteve-se. Já não fujo de casa como antigamente, porém ainda me escondo. Desta vez em casa. Por vezes é-me doloroso estar com os outros, porque não consigo estar onde eles querem. Não acompanho os seus atos, as suas palavras, os seus pensamentos.
Há alturas em que procuro esquecer-me de mim e aí saio. Vou até uma praia e observo as gaivotas que caminham na areia e que depois levantam voo. Subitamente. Vão ao encontro de qualquer abrigo. Outro lugar.

domingo, 29 de janeiro de 2012

bAr GeLaDo

Foto de F Nando

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Onde será que esta foto foi tirada? Terá sido no Árctico? Onde? Onde? E o que será? Será mesmo um bar?
Será que tantas perguntas fazem sentido? Não, mas apeteceu-me começar assim estas divagações...
Esta foto foi tirada no território português, numa vila maravilhosa, linda, linda. Gosto das muralhas, das ruas estreitas intramuros da vila, das casas, das igrejas, da ginjinha com elas (as ginjinhas, claro!). Adoro Óbidos!
Foi na vila de Óbidos que encontrei um bar gelado, o inesperado "Bar do gelo". O seu exterior, um iglo branco que não em neve, não fazia adivinhar o que seria o seu interior. À entrada, uma mini ante-sala, encontravam-se os fatos próprios para suportar as temperaturas negativas.
A entrada nesse bar, remete-nos para um local distante no espaço. Todo ele é gelado. O balcão, as mesas, os bancos, os quadros...
O serveur jovem é de uma simpatia incrível. Responde com um sorriso a todas as questões que os clientes colocam e até tira fotos.
Não há muitas bebidas à escolha, mas as que existem vão ao encontro dos visitantes. Sumo de laranja para os que não bebem bebidas alcoólicas, vodka e ginjinha para os apreciadores de álcool. Fiquei-me por duas ginjinhas. Que deliciosas e agradavelmente frescas!!!
Mais engraçado foi voltar à temperatura ambiente no exterior. Ao sair de um local tão frio, mais parecia que se estava num dos solarengos e quentes dias de primavera. E o passeio continuou, com algumas compras naquele local encantado.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

A, B, C


A moment Becomes Creation

One day we watch the sun and laugh. The other the rain comes and the grey sky makes us sad.
Melancholia takes its place. I listen to Wagner and I feel autumn in my soul. The silence surrounds me... it takes me all over.
I'm freezing inside. I have no words and my thoughts are so ill that I can´t explain or know for sure where I am. I'm lost. Lost in the alphabet of feelings...

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Em Manaus

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Em certos dias de canícula tropical, à falta de uma praia, sabe bem aceitar o convite amigo para um churrasco à beira da piscina. Os anfitriões sorridentes, simpáticos, felizes recebem os amigos. Põem à vontade os que vão chegando aos pares ou em grupo. Servem-lhes caipirinhas, chôpes, vinhos, sumos de fruta natural. Tudo bem fresquinho. Tudo coloridamente delicioso e refrescante.
Depois todos se trocam nos balneários e mergulham na grande piscina azul. A alegria espalha-se. Há bolas atiradas pelo ar, jogos disputadíssimos sem qualquer ponta de competição. Divertimento e frescura são as palavras de ordem. Outra palavra de ordem é comer. Bem e de mais para alguns, europeus, pouco habituados a estas horas infindáveis de degustação...
Nacos de carne de vaca tenra são colocados nos grelhadores. Hum! que cheiro delicioso! Assam-se também salsichas,  rodelas de abacaxi. Há sobre a mesa um panelão com feijoada brasileira, mandioca para acompanhar. É a carne que não pára nunca de sair da brasa, sempre suculenta e que se derrete na boca como manteiga. Mais caipirinhas a acompanhar, pois a maioria parece inclinada para esta bebida. Só os que não bebem bebidas alcoolicas preferem os sumos de fruto, ainda que poucos. Sucedem-se as sobremesas. São tantas e tão difíceis de escolher!
O dia avança. Dança-se ao som do samba e de outras modinhas brasileiras. Por descuido intencional há pares que caem na água, outros são empurrados e todos dão gargalhadas de felicidade. E logo retomam a festa em que o almoço se transformou.
Manaus e a alegria das suas gentes chegam-me através dos relatos que o meu irmão me faz pelo telefone ou via skipe. É através deles que imagino esses almoços, o Festival do Boi, o Carnaval. É assim também que mato as saudades e se me aguça a vontade de conhecer a capital da Amazónia indo ao seu encontro.



terça-feira, 13 de setembro de 2011

Sê grande

 Paris
Foto de FNando
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Sê grande
 ainda que sintas que o não  és
pois só sentir
plenamente
e buscar o indizível
te é permitido

sábado, 3 de setembro de 2011

Papéis dispersos

 Foto de FNando



Numa mesa
             na esplanada do café Le Quai
                 papéis dispersos
             despertaram
             o olhar verde escuro do serveur
             Uma voz respondeu à pergunta silenciosa.
             Sou a poesia que a imaginação dos seres
             também como tu 
             sentem

             Um sorriso ondulou no seu rosto infantil
                  e ainda sem nada dizer
             sentindo apenas
             afastou-se iluminado