quarta-feira, 25 de abril de 2012

VII - Naquele dia...


Que chave será esta? Só seu que pertence à história de Emilie, no entanto, não sei como. Alguma ideia? Querem ajudar-me a desvendar este mistério? É que Emilie já não sabe onde procurar, o que fazer, como agir...
Desde aquele dia que tudo mudou. Viu a sua privacidade invadida. E até agora tudo continua...

domingo, 22 de abril de 2012

VI - Naquele dia...


Emilie pediu alguns dias ao diretor, na verdade, duas semanas para descansar. Esse fora o argumento que utilizara. Fazia-o, sim, para procurar quem a andava  a incomodar sem mais nem menos e sem lhe ter sido dada autorização. Sim, que ela, Emilie, não gostava de falsas surpresas, de perseguições inusitadas! Não era uma mulher qualquer! Era uma executiva.
As duas semanas correram velozmente. Tirando um fim de semana que foi passar ao campo, com alguns amigos, ficou na cidade. Foi aos cafés e bares onde costumava ir, às confeitarias que adorava, foi às compras, ao cinema com a maior amiga de infância, andou de bicicleta e fez as suas caminhadas. Nada aconteceu e nada descobriu. Estava frustrada!
Num dia em que resolveu ir passear, deu por si a observar um casal de noivos que tiravam fotos à beira rio. Estavam fantasticamente felizes e sorriam para a objetiva, mudando de posição a cada indicação do fotógrafo. Lembrou-se do dia em que também fizera o mesmo com o seu Paulo. Como foi um dia feliz! Como foram felizes, porém essa felicidade duraria um instante apenas! Paulo foi trabalhar para Angola  e apanhou malária. Regressou direto para o Hospital Curry Cabral e mal o viu. Sucumbiu à doença e ela afundou-se na dor. No entanto, com o passar do tempo, reergueu-se dedicando-se à profissão. E gostava do que fazia.
Regressou ao trabalho depois das infrutíferas buscas, pronta a esquecer o caso. Se algo de estranho aparecesse ou lhe enviassem não a tirariam do sério, nem se sentiria ameaçada. Em absoluto.

sábado, 21 de abril de 2012

V - Naquele dia...


A semana passou veloz. Durante dois dias não houve bilhetes inesperados, prendas indesejadas, fotos tiradas sem autorização. O autor ou autora que invadira a sua privacidade parecia ter desaparecido. Ainda assim estaria atenta e de sobreaviso. Não havia certezas.
No dia seguinte, sábado, decidiu  fazer uma caminhada. Caminhou pelas ruas da cidade e depois decidiu-se a correr. Era tão bom sentir o sol e a brisa da manhã. A respiração tornou-se mais ofegante e desacelarou o passo. Tirou a garrafa de água e bebeu uns golos. Sentiu-se melhor e retomou a caminhada. Só parou na "ponte dos enamorados".
A ponte não tivera esse nome no início da sua utilização. Só anos mais tarde, alguém, um casal de apaixonados, colocara um cadeado com as iniciais de ambos e um coração. Deixava ali a prova material  do seu amor. Outros casais apaixonados acharam esta ideia fantástica. E o número de cadeados de diferentes formatos e tamanhos com as iniciais dos casais enamorados multiplicou-se. 
Emilie ficou ali algum tempo. Olhou o rio longamente,os raios do sol a espelharem-se nas águas,os cadeados. Entre eles encontrou um com as iniciais do seu nome. Mas como? Que fazia ali o seu nome?  Saiu dali furiosa e determinada a iniciar uma investigação. 

quarta-feira, 18 de abril de 2012

IV - Naquele dia...


No dia seguinte, quando o despertador tocou, Emilie desligou-o e deixou-se ficar na cama. Hum! estava-se  tão bem! Espreguiçou-se e levantou-se a custo. Foi direta à casa de banho tomar o duche revigorante  que a ajudava a despertar. Tomou o pequeno almoço à pressa e saiu para ir para o escritório.
Apesar da chuva miudinha, foi de bicicleta. Era Agosto e a chuva nunca vinha para durar um dia inteiro. Chegou depressa, pois havia pouco trânsito. Subiu o elevador panorâmico e, à medida que subia, observou os transeuntes na rua. Como eram poucos, pareceu-lhe ver um rosto familiar. Mas como o elevador subia ligeiro, depressa todos se tornaram pequeninos como formigas.
Depois de ter trocado algumas palavras com os colegas, dirigiu-se para o seu escritório. Em cima da secretária, encontrou um envelope tamanho A4. Não havia remetente. Abriu-o e dele saíram fotos suas: na esplanada com os colegas, a andar de bicicleta, a andar na rua, a sorrir... Que fotogénica que sou!, gracejou. E deitou tudo no caixote do lixo.
Alguém a andava a seguir ou a brincar com ela; disso não havia dúvida. Que fazer? Não tinha como fazer uma denúncia na polícia, visto que não tinha dados suficientes. O melhor era não entrar em pânico e mergulhar no trabalho. Logo pensaria no que fazer.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

III - Naquele dia...


Às cinco horas da tarde, ainda havia sol, Emilie e alguns colegas juntaram-se para beber um copo no restaurante bar que havia em frente ao edifício onde trabalhavam. Todos fizeram os seus pedidos e, naquele dia, apeteceu-lhe beber vinho rosé. Emilie nunca fora grande apreciadora de vinho, mas naquela tarde tão linda, deixou-se levar pela tentação. Conversaram animadamente sobre saídas à noite, cinema, teatro, música. Os sorrisos expandiam-se como ondas. 
Às vinte, Emilie despediu-se do grupo, que parecia estar ali para ficar. Agora tinha pressa de chegar a casa e de ir ao ginásio. As aulas de yoga faziam-na sentir outra. Parecia que o seu corpo adquiria uma elasticidade e leveza que lhe eram desconhecidas. Mas o que a fazia ir para uma outra dimensão era o final da aula: o momento de relaxamento. Conseguia relaxar e visualizar tudo o que o mestre dizia. Vezes havia que parecia flutuar numa imensa bolha branca, azul, laranja. O espreguiçar final era divino. Era ali que se recompunha do stress do dia a dia. Foi a casa num ápice e trocou de roupa.
À saída do ginásio, depois de se ter despedido de todos, pois ali eram uma espécie de família, esbarraram contra ela no passeio. Quase que a iam atirando ao chão. Vociferou uns palavrões feios, arrependendo-se logo depois. Emilie, não percas a compostura; disse-se interiormente. Dirigiu-se à bicicleta e, quando se  preparava para começar a pedalar, reparou que duas rosas tinham sido gentilmente amarradas com um fio no volante. Mais um mistério, pensou. Logo depois meteu a mão no bolso e tirou o envelope que havia encontrado de manhã e do qual se esquecera completamente. Tirou um bilhete e leu as poucas palavras que nele se encontravam escritas. «Enchanté d' avoir fait votre conaissance». E só. Nada de assinatura. 
Olhou à sua volta para se certificar  de que não havia ninguém a segui-la. Não. A rua estava calma. Subiu  para a bicicleta e pedalou velozmente até casa.


sábado, 14 de abril de 2012

II - Naquele dia...


sexta-feira, 13 de abril de 2012

I - Naquele dia...


Acordar, naquele dia, fora simplesmente invulgar e inesperadamente inesperado. Ao contrário de outras manhãs, o despertador não tocou, porém teve tempo de se despachar para o trabalho. Enquanto estava no chuveiro, sob a água tépida, ouviu música na sala. Era uma música com o som de água de um riacho. Mas como podia tocar, se estava só? Dali não podia ligar a aparelhagem de som e não tinha dotes telepáticos! Limpou-se, vestiu-se, penteou-se, maquilhou-se e foi até à sala.
Quando aí chegou, a música tinha parado e nada assinalava qualquer mudança. Convenceu-se que tinha imaginado tudo, como num sonho. Tomou o pequeno almoço e saiu.
Como estava um lindo dia de sol e temperaturas amenas, optou por ir de bicicleta para o trabalho. Era muito comum na sua cidade. Executivos, jovens, belas mulheres usavam e abusavam deste meio de transporte. Era tão agradável. Podia observar-se melhor as pessoas, as ruas, os jardins, o rio. Era também agradável sentir a brisa no rosto. A sensação de liberdade e controlo era tão grande.
Émilie não demorou muito tempo a chegar ao emprego, até porque o seu lindo apartamento, num edifício do séc. XIX, ficava perto. Arrumou a sua bicicleta junto a outras que já lá estavam e entrou no edifício onde trabalhava. Na porta de entrada, um homem apressado esbarrou nela. Não se conheciam mas disseram-se bom dia. No interior, o edifício parecia vazio. O segurança também a cumprimentou. Ouvia o tacão dos seus sapatos no chão. Dirigiu-se ao elevador panorâmico. Como era agradável subi-lo e observar os transeuntes.
Num ato inconsciente, meteu a mão no bolso do casaco e encontrou um pequeno envelope. Quem o teria ali posto? Que diria? Só que o elevador chegou ao piso onde tinha de sair e dirigiu-se ao escritório.