terça-feira, 12 de junho de 2012

XIX Naquele dia...

Caffè Florian


Emilie sentia-se muito bem e muito feliz. Estava a adorar a tarde cultural. Nem se importava de ter ido sozinha ver os monumentos. Estava um fim de tarde encantador. Depois de vaguear pelas ruelas e praças de Veneza, regressou ao Caffè Florian não só para comer qualquer coisa, mas também por ser o local de encontro com Faby. Quando o garçon apareceu pediu um capuchino e uma minitarte com recheio de fambroesas e guarnições de chantilly.
Respirou fundo e observou as pessoas que se iam, os pombos e a Praça de São Marcos. Que bom estar ali, naquele café! Que privilégio estar num lugar majestoso e famoso. Por ali tinham passado Lord Byron, Charles Dickens, Marcel Proust, entre outros. Tanta gente famosa num lugar lindo. 
Faby tardava. Apetecia-lhe descansar antes do jantar. Decidiu ir até ao hotel que não era muito longe dali. Tomou um duche e deitou-se um pouco. Acabou por adormecer profundamente. Quando acordou, era já noite e estava às escuras. Acendeu as luzes e viu as horas. Eram nove da noite. Tão tarde, pensou. E nem sinal de Faby! Ligou-lhe mas a sua chamada foi parar à caixa das mensagens. Deve estar bem, pensou. Vem quando quiser e lhe apetecer.
Decidiu jantar no hotel. Comeu e logo depois subiu para o quarto. Ligou a televisão e fez um zaping pelos canais mas nenhum lhe interessou. Optou por ler uma boa narrativa de viagens. Adormeceu com o livro no colo.
Acordou às oito da manhã quando Faby lhe tirou o livro das mãos assustando-a.
-- Não te assustes. Sou eu, a Faby.
-- Que horas são?
-- Oito. -- respondeu Faby.
-- Dormiste fora?
Faby anuiu com a cabeça.
-- Com Napoleon?
-- Si.
-- Então a noite foi boa! Conta! Conta!
-- Foi uma noite espetacular. Aquele Napoleon é...
-- É!? Continua, Faby.
-- É um amante fantástico! Meigo, ardente, apaixonado, incansável.
-- Foi tão bom assim?
-- Para lá de bom! Foi excelente! Um verdadeiro deus italiano!
-- Uau! Quem diria... 
-- Acredita. Ainda nem estou em mim, Emilie.
-- Achas que hoje estás apta para ir passear?
-- Olha bem para mim, achas que sim? Não vou. Além disso, o Napoleon ficou de me vir buscar à uma da tarde. Vou dormir um pouco.
-- Sua marota! Descansa. Não te esqueças que saímos daqui amanhã cedo. Vamos apanhar o avião a Milão.
-- Ok, amiga. Desculpa lá.
-- Gosto de te ver feliz, Faby. Diverte-te. E tem cuidado.
Faby nem ouviu as últimas palavras de Emilie pois adormecera.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

XVIII Naquele dia ...



http://viagenslacoste.blogspot.pt/2010/02/veneza-galeria-de-fotos-8.html

Estavam sentadas na esplanada do caffè Florian  a comer gelatti quando o estranho de Florença se sentou na mesa mesmo ao lado. O garçon trouxe-lhe uma taça de vinho que ele levantou em direcção a Emilie e Faby. A primeira virou a cabeça; a segunda sorriu.
Como Faby sabia falar italiano acabou por responder às insistentes perguntas do italiano. Como se chamavam, de onde eram, quanto tempo ali estariam. Claro que depressa se juntou a elas dispondo-se a servir-lhes de cicerone. Com o seu charme e o seu italiano cantado e sedutor, as duas amigas concordaram.
Pouco tempo depois, Napoleon conduziu as duas amigas pelas ruas estreitas mostrando-lhe Veneza. Contou-lhes que esta tinha sido formada num arquipélago na laguna de Veneza, no golfo de Veneza, no noroeste do Mar Adriático. Perguntou-lhes se sabiam quem era o seu patrono.
-- É S. Marcos. Já estivemos na praça com o seu nome. -- respondeu Faby.
-- Hum, muito bem! -- disse Napoleon.
-- É um lugar belo, mas também o mais baixo de Veneza. -- acrescentou Emilie. -- Gostei muito do Palácio Ducal e do Campanário da Basílica.
-- A Basílica de São Marcos é um importante monumento de Veneza.
-- Majestoso, Napoleon.
-- Si, bella. -- disse voltando-se para Faby.
Faby sorriu ao ouvir o elogio e enrubesceu um pouco. Não sabia por que isso acontecia sempre que lhe dirigiam um piropo, mas nada podia fazer. Parecia timidez. A timidez que qualquer homem aprecia por se saber o causador dessa reação.
No dia seguinte, viram outros recantos da bela Veneza. Atravessaram a Ponte de Rialto, a Ponte dos Descalços e a Ponte da Academia, duas das pontes que atravessam o Grande Canal. Depois do almoço, Napoleon levou-as a ver a Ponte dos Suspiros.
-- É belíssima, não é? -- perguntou Napoleon.
-- Magnífica! É um lugar romântico e mágico.
-- Agora, Faby! Em tempos não era. -- disse Emilie. -- Há uma lenda que envolve esta ponte e que tem atravessado os séculos. É uma história triste.
-- Daí o seu nome: Ponte dei Sospiri.
-- Pois é, Napoleon. Conta-se que esta ponte unia a antiga prisão da Inquisição, que se chamava Piombi, com o Palácio Ducal e era o último trajeto que os prisioneiros faziam antes de morrer. Ora, ao atravessarem a ponte ouviam-se os seus suspiros.
-- Muito bem, Emilie. Conhece bem esta história! Agora é um dos lugares mais visitados pelos turistas.
-- E é realmente extraordinária. E agora? Vamos andar de gôndola, Emilie? -- perguntou Faby.
-- Vou visitar o Museu Correr, quero ver a Ala Napoleónica. Vão vocês. Encontramo-nos na Praça S. Marcos.
-- Ok.-- disse Faby.
-- Ciao, bella! -- disse Napoleon.
E desapareceram.

domingo, 27 de maio de 2012

XVII - Naquele dia...





Florença - Ponte Vecchio
(http://www.vamosparaitalia.com.br/firenze.html)

Emilie e Faby passearam pelas belíssimas ruas de Florença, cidade considerada o berço do Renascimento italiano. Além de visitarem o Tempio Maggiore ("Templo Principal"), considerado um dos mais belos da Europa, visitaram também outras catedrais e museus.  Viram e maravilharam-se com as obras de artistas famosos e intemporais como Michelangelo, Leonardo da Vinci, Giotto, Botticelli e outros.
Depois do almoço, foram à Galleria degli Uffizi (Galeria dos Ofícios) pois queriam ver o quadro "O Nascimento de Vénus" de Botticelli. Passaram algum tempo a admirar o quadro e a tirar fotos às escondidas. 
-- Emilie? Emilie? -- chamou Faby sem, no entanto, conseguir cativar a sua atenção. Parecia enfeitiçada. -- Emilie? Emilie? -- repetiu até obter a atenção da amiga.
-- Que queres? 
-- Está ali, não olhes agora, um italiano a olhar para ti.
-- Estás a brincar!?
-- Não, não estou. Tem-nos seguido desde o almoço.
-- Que nos siga que nós não temos medo. -- disse Emilie.
-- Está a seguir-nos por tua causa. -- acrescentou Faby. -- Nem sequer finge. Olha descaradamente para ti.
-- Pois que olhe. Daqui não leva nada.  E agora que queres fazer?
-- Descansar um pouco no hotel para depois irmos às compras. Pode ser?
-- Sua consumidora compulsiva!!!
--Sim sou! E tu não, Emilie? Então estamos em Firenze, ex-centro da moda, e não fazemos umas comprinhas?
-- Claro que sim! Faço-te a vontade.
Ambas foram para o hotel descansar um pouco. Saíram por volta das dezassete e trinta e entraram em belíssimas lojas, algumas delas instaladas em prédios renascentistas. As decorações das vitrines eram verdadeiras obras de arte. Compraram sandálias, sapatos, vestidos e acessórios. Antes de regressarem ao hotel, Emilie levou a sua amiga a uma das mais conhecidas pontes de Florença: a Ponte Vecchio (Ponte Velha). Explicou-lhe que se  tratava de uma ponte em arco medieval sobre o rio Amo, a única coberta. Era uma das mais famosas por por ter uma quantidade considerável de lojas ao longo de todo o tabuleiro.
-- Lojas? -- amirou-se Faby. -- Que tipo de lojas.
-- Já vais ver. Nem vais acreditar.
E seguiram à beira rio num belo por do sol. 
-- Ah, que lindas jóias! Vou ter de levar pelo menos uma. -- Disse Faby.
-- Estas lojas são famosas por venderem joalharia e ourivesaria. Tudo em ouro e prata. Quero comprar uma bela jóia. É um investimento, certo?
-- Sem dúvida.
-- Depois ainda te mostro outra particularidade desta ponte. Vais amar! 
Faby optou por comprar um belíssimo anel de ouro com uma safira. Emilie comprou uma bela gargantilha em ouro branco com diamantes.
A seguir, Emilie quase que arrastou a amiga daquelas lojas tentadoras. No entanto, não saíram da ponte.
-- Gostaste do passeio?
-- Muito. Gastei um dinheirão. Também não é sempre que o faço. -- disse Faby. -- E agora onde vamos?
-- Ficamos aqui a ver se descobres algo diferente das nossas pontes.
-- Aqui tudo é diferente. Aliás, além está o teu admirador secreto.
Emilie voltou-se para trás e lá estava um belo homem latino que se virou  assim que os seus olhos se cruzaram.


XVI Naquele Dia...


Siena - Piazza del Campo


Emilie e Faby passearam muito nesses felizes e tão agradáveis dias de férias. Daqueles realmente inesquecíveis, para o bem e para o mal.
Alugaram um Lancia para melhor se poderem deslocar entre as localidades que queriam visitar. Ficaram instaladas em estalagens e hotéis diversos. Tentavam ser práticas e poupar algum dinheiro para ver o máximo.
Faby, que já conhecia Roma, levou Emilie numa visita guiada. Esta sentiu-se defraudada com o Coliseu porque o imaginava maior nos documentários televisivos. A Praça de S. Marcos também lhe pareceu pequena, porém a Cidade do Vaticano impressionou-a pela sua grandeza, riqueza e beleza. Adorara os frescos de Miguel Ângelo na capela Sistina. Era um estado rico. Muito rico. Demais. E as catacumbas? Um mundo totalmente diferente: escuro, frio e subterrâneo onde milhares de cristãos se refugiaram ou se exilaram para não morrer às mãos dos romanos. Nos três dias que estiveram em Roma, visitaram ainda a Fonte de Trevi numa cálida noite.
No dia seguinte, rumaram para Siena. Faby conduzia. Sentiam-se livres e ansiosas por continuar a viagem.
-- Gostaste de Roma? -- perguntou Faby.
-- Gostei. Mas acho que estava à espera de mais. Que os monumentos romanos fossem mais monumentais, mais grandiosos...
-- Foi o que eu senti quando cá vim. É a primeira impressão, acho.
-- Sim, deve ser... Sabes, achei o tráfego confuso. A condução dos italianos é de fugir. Não respeitam nada, nem ninguém.
-- O pior mesmo são as motas e as vespas. Não respeitam mesmo as regras de trânsito. Ser-se pião é difícil. -- acrescentou Faby. -- Podes encostar-te um pouco, quando chegarmos a Siena chamo-te.
-- Não te importas?
-- Claro que não, miss Emilie.
Chegaram a Siena à hora de almoço e antes de explorarem a cidade almoçaram numa das esplanadas da Piazza del Campo, na zona medieval da cidade. O serveur veio logo para lhes entregar os menus e explicar qualquer dúvida. E claro que havia algumas. Pediram logo água fresca e vinho tinto.

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Menu

Antipasto all'italiana: formaggi,affettati,sott'aceti.

Primi: pappardelle ai funghi porcini,lasagne,tortellini,cannelloni,pa… al forno,spaghetti allo scoglio.

Secondi: sgaloppine ai funghi porcini,frittura mista di pesce,grigliata mista,salsiccie e patate,rosbief.

Contorni: insalata caprese,insalata mista,patate al forno,contorno di verdure cotte.

Dessert: pastiera napoletana,crostata alla frutta,coppa malù,budini..

Frutta: scegli sempre quella di stagione,talvolta scarsa ma saporita.

Ti consiglio anche il sorbetto al limone per dividere le pietanze di carne e pesce.
spero di averti aiutato!

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Só de olhar para os pratos que chegavam à mesa, um tentador odor colorido enchia a boca de água. Até ali tinha sido o melhor almoço de todos. No fim, pediram café. Enquanto esperavam ficaram a observar o belo edifício da Câmara Municipal, a Torre del Mangia, a praça em forma de meia lua onde se realizava a corrida de cavalos em junho e onde agora se encontravam turistas sentados, italianos a passear, namorados deitados e crianças a correr. A luz era magnificamente projectada pelos monumentos históricos na praça.
-- É lindo! Magnífico! -- disse Faby. Emilie anuiu.
Ali permaneceram dois dias para visitar a catedral, o famoso Campanário da Câmara, ver melhor a Praça. Siena tinha sido considerada pela UNESCO como Património da Humanidade pelo seu vasto património artístico.

Depois desta estadia, seguiriam para Florença.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

XV - Naquele dia...


Emilie e Faby gostavam de viajar e já tinham feito outras viagens juntas. Ambas gostavam mais ou menos das mesmas coisas. O mesmo gosto pela arte, pela leitura, pela profissão, pelas viagens. Eram as duas lindas e solteiras e iriam desfrutar da "bella italia".

quarta-feira, 16 de maio de 2012

XIV - Naquele dia...


 http://www.voyagesphotosmanu.com/mapa_da_italia.html

Naquela último dia de junho, Emilie já tinha as malas prontas. Supunha que Faby também, pois iam encontrar-se dali a pouco no aeroporto. Continuava super entusiasmada com a viagem, apesar de já ter ido a Itália. Havia tanto para ver, amar e degustar! 
Visitariam Roma: levaria Faby a conhecer o Coliseu, as Catacumbas, a praça de São Marcos, a Fonte di Trevi e sairiam à noite. Comeriam um bom risoto e pasta e saladas dos anjos. Ao contrário do que se pensava, os italianos não comiam muitas pizzas, porém faziam-nas para os turistas e eram deliciosas. 
Depois seguiriam para Siena. O que mais gostava nesta cidade era a arte que estava como que ao alcance da mão. Era uma cidade muito rica a nível cultural. Havia numerosas estátuas e obras de arte mostrando, tal como em Roma, os irmãos amamentados pela loba. Levaria Faby à praça principal, em forma de meia-lua, chamada Piazza del Campo, onde se encontrava a Câmara  Municipal, um belo monumento do séc. XVI, com o famoso Campanile (campanário). Nesta praça também veriam a alta Torre del Mangia
O que Emilie mais gostava de ver era a corrida de cavalos.  O Palio decorria duas vezes por ano, a 2 de Julho e 16 de Agosto. Nesta corrida participavam dez cavalos e cavaleiros, e cada par representava um dos dezassete bairros da cidade.
Seguia-se Florença. Ah Florença! Como fora feliz ali com o seu ex-marido. Para que vinha ele visitar o seu pensamento? Não havia qualquer razão. Nenhuma. A cidade de Florença era mágica.A cidade da arte e do futebol. Além disso, era a cidade natal de Dante Alighieri, autor da Divina Comédia. E os museus! Só arte e história e arquitetura.
Seguir-se-ia a visita e estadia na mais bela lagoa do Adriático, a lagoa de Veneza. Como Faby iria adorar andar de gôndola nos canais de Veneza, andar a pé pelas ruas estreitas e atravessar as inúmeras pontes, cada uma mais bela do que a outra. Teria muito que lhe mostrar: palácios, museus, praças e igrejas. 
A última cidade seria Milão onde também apanhariam o avião de regresso. Tinham um bom plano de viagem, parecia-lhe; e que seria sempre discutido com a sua amiga de infância.
Chamou um táxi e foi para o aeroporto onde Faby já a aguardava.

terça-feira, 15 de maio de 2012

XIII - Naquele dia...



Jean foi ter com Emilie ao escritório depois da reunião com as equipas de criativos. Reviram algumas das propostas de publicidade e marketing. Estava tudo correto. Agora era só deixar que o trabalho fosse desenvolvido antes do prazo final para nova revisão. 
Emilie não encontrou nada de estranho em Jean. Não tinha por que desconfiar dele. Era seu chefe e também seu amigo há alguns anos.
E os dias passaram; e as semanas passaram; e os meses passaram. E o dia de aniversário de Emilie chegou. Convidou o diretor do seu escritório, os seus colegas, os seus amigos e alguns familiares. Fez reservas num dos melhores restaurantes da cidade. 
Na manhã do dia do seu aniversário, foi recebida com uma festa surpresa. Estava feliz. Muito feliz. Em breve iria de férias com Faby. Já faltava pouco. Nada a perturbaria. Quando saiu, ainda foi passear.