domingo, 13 de junho de 2010

Santo António de Lisboa

Alfama
***
Foto de F Nando
*******
Santo António é o santo mais venerado na cidade de Lisboa. Hoje, dia 13 de Junho, é feriado nesta cidade. De 12 para 13 de Junho, os alfacinhas e todos os que gostam de Santo António e das marchas populares, que percorrem a Avenida da Liberdade, passam a noite acordados.
Lisboetas e visitantes assistem ao cortejo alegórico das Marchas Populares, representantes de cada bairro e de cada zona da cidade. Depois seguem para os arraiass, também nos bairros pitorescos e engalanados, onde comem sardinhas assadas na brasa, pregos ou bifanas, caldo verde, tudo bem regado com vinho tinto ou refrigerantes. O bairro de Alfama é o mais visitado. É uma sensação única!
Santo António é o santo casamenteiro, por isso a Câmara Municipal de Lisboa costuma organizar na Sé Patriacal de Lisboa, o casamento de jovens noivos de origem modesta, proporcionando-lhes um dia de sonho. São os "Noivos de Santo António" que recebem ajuda não só da Câmara Municipal de Lisboa, como também de empresas privadas e outras instituições para ajudar o casal a iniciar uma nova etapa nas suas vidas.
Santo António é vulgarmente considerado um santo casamenteiro pois, segundo a lenda, era um excelente conciliador de casais. Vá-se lá saber porquê... Mas uma lenda não passa mesmo disso, de uma lenda!!!

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Para que serve um telemóvel?

Samsung
*************

Todos sabem que os portugueses gostam de telemóveis. De mais até! Aliás, muitos deles têm mais do que um. Os pais, consciente ou inconscientemente, põem um telemóvel nas mãos dos filhos cada vez mais cedo. Os infantes nem precisam de pedir muito. O preço também não interessa. O importante é que os "piquenos" estejam contactáveis independentemente da hora e do lugar. Por mais que se criem regras de utilização nos diferentes espaços públicos e/ou instituições, os utilizadores estão-se nas tintas para elas! Nem os avisos orais antes dos espectáculos adiantam.

Uma ocasião, já lá vão alguns anos, fui ao cinema com uma amiga. Sensivelmente a meio do filme, um senhor, sim um senhor bem vestido, atende à-vontade, levanta-se, sai do cinema, regressando dali a pouco. Senti-me indignada, pois era a primeira vez que presenciava tal coisa. Hoje já acontece menos, mas ainda há um ou outro telemóvel que toca no cinema, no teatro, num bailado que o utilizador silencia logo. Fica mesmo encavacado(a) e desliga-o logo.

Voltando aos papás que querem, a todo o custo, controlar cada movimento dos filhos nas horas mais impróprias. Apesar dos professores exigirem que os alunos desliguem os telemóveis, estes colocam-nos no silêncio ou no modo vibrar. Ora, esta atitude não seria grave nem uma desautorização do professor se os papás não telefonassem nas horas em que os filhos estão na sala de aula. E não adianta argumentar! Eles e elas atendem porque é o pai e/ou a mãe. Vão à rua por breves instantes (mesmo com falta disciplinar), interromperam a aula e desconcentraram os colegas. Os papás são os piores exemplos. Será que desconhecem o horário escolar?

O telemóvel que surgiu para estabelecer a comunicação entre as pessoas, serve para muitos outros fins. Os jovens usam-nos para gravar e ouvir música da sua preferência em altos gritos. Conectam-se ao "facebook e aos jogos, à internet, trocam informações imediatamente através do "bluetooth", gravam partes da aula de certos professores que colocam no "youtube", tiram fotos que guradam ou divulgam, enviam um número infinito de "sms".

Dos telemóveis com teclados, enormes, passou-se para outra geração: a dos telemóveis "touchscreen". Há-os cada vez mais sofisticados, atractivos, com mais funções. Tudo funciona com os nossos dedos ou uma "canetinha" pequena e fininha que facilita a vida.
É um facto que tenho um telemóvel, que é um "touchscreen" porque o meu irmão e os amigos mo ofereceram pelo meu aniversário no ano passado, mas ao qual ainda não me habituei muito bem. Utilizo-o para telefonar e para enviar mensagens. Talvez partilhe convosco algumas delas convosco. Algumas delas são hilariantes! As anedotas são assim!!!

Das palavras

Foto de F Nando
*******

Palavras que ainda não foram ditas

pairam no lastro da terra

cativas de mar e sol e lua

num encontro com o seu criador


***

As palavras sabidas de cor

inventadamente recriadas com cheiro a maresia

e calor solar inebriante

nos dias longos de sentires violetas e claros

exalam poesia


***


São palavras livres ao encontro

de uma qualquer página

talvez escurecida pelo tempo

genesíaco e de sonho ondulante


***


Das palavras, dessas palavras, doutras palavras

tudo sabe e sente o poeta

apaixonada e fingidamente

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Reinventar...

Foto de F Nando
*******
«Haverá algo mais verdadeiro do que reinventar a realidade?»

Albert Einstein

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Estava vazio...


http//fabricadeletrasepalavras.blogspot.com/
*******


Aquele devia ter sido um dia especial. E parece-me que foi!



*******


Depois de o marido ter saído de casa para o emprego, dando um leve beijo nos lábios de Lúcia, esta saiu para a rua logo a seguir. Não iria trabalhar. Estava cansada de tomar decisões importantes numa empresa multinacional. Era uma mulher bem sucedida profissionalmente, tinha um marido que a mimava, ainda que se esquecesse de dias importantes, um moderno e grande apartamento virado para o rio.
"Não. Naquele dia não iria." dizia para si mesma, tentando convencer-se, pois era-lhe difícil faltar ao trabalho. Aliás, nunca faltara. Antes que mudasse de opinião, pegou no telemóvel e ligou para a sua secretária dando uma desculpa qualquer. Como era o seu trigésimo aniversário foi comprar prendas para si mesma. Uns vestidos e uma mala Fátima Lopes; umas calças e uma blusa António Tenente; uns sapatos e umas sandálias Fly London. Gostava de marcas. Gostava dos estilistas e das marcas portuguesas.
À hora de almoço foi almoçar à Portugália, um delicioso bife, com ovo estrelado, batatas fritas. De sobremesa comeu uma fatia de pudim de ovos. Naquele dia não havia dietas! Passeou um pouco a pé nas ruas da baixa da cidade. Depois apeteceu-lhe ir ver o mar e caminhar descalça na areia.
Como estava um maravilhoso dia de sol sem fazer muito calor, abriu a capota do automóvel para sentir a brisa do vento a acariciar os seus cabelos e para sentir logo o cheiro do mar, o que logo aconteceu pois decidiu ir pela marginal até ao Guincho. Aí estava um pouco mais de vento, mas sabia tão bem senti-lo... Caminhou na areia descalça até se aproximar do mar. Inspirou e expirou fundo várias vezes. Estirou os braços em direcção ao céu, ao sol e sentiu-se em paz, livre, feliz. Ainda mais porque não havia ali quase ninguém, só os surfistas que aproveitavam as ondas do Atlântico.
Antes de regressar a casa, ainda viu o início do pôr-do-sol. Sentia-se tão bem! Agora admirava-se como nunca roubara um dia para estar consigo e fazer o que bem lhe apetecesse.
Logo que entrou em casa sentiu algo de diferente. Ouviu alguém no duche. Não podia ser o Du, pois ele chegava sempre tarde. Também não devia ser a empregada. Foi pé ante pé até à suite. Colou-se à porta da casa de banho e pôs-se a ouvir. Depois, decidida, entrou. Era efectivamente o Du. O seu Du que a arrastou para o duche com a roupa.
Após os momentos de carinho e amor, Du ofereceu-lhe um lindo vestido preto sem costas, uma mala e sapatos, tudo Manuel Alves e José Gonçalves. E convidou-a para jantar para celebrarem o trigésimo aniversário de Lúcia. "Não. Ele não se esquecera." Desceram até à garagem, entraram no automóvel e partiram em direcção ao restaurante. Lúcia não sabia qual era, pois Du fez questão de não lhe dizer. "É surpresa meu amor".
Lúcia viu que iam para Sintra, mas nunca imaginou o que se passaria a seguir. Du conduziu até ao Palácio da Pena, correu para abrir a porta do automóvel a Lúcia e de mãos dadas dirigiram-se para o palácio. Para espanto de Lúcia este não estava fechado. Um vigilante conduziu-os até à parte de restaurante onde os aguardava aluns funcionários fardados. Sentaram-se numa mesa central e começaram por beber uma flute de champanhe. Todo o jantar pareceu um sonho a Lúcia. Daqueles que só acontecem no cinema! Mais! O restaurante estava vazio... foi só deles naquela noite tão especial!

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Foto de F Nando
***
Os primeiros raios de sol espraiaram-se pela paisagem de pinheiros e uma luz clara colou-se ao branco da frente da Casa do Cavalo Marinho. À medida que o tempo passava, uma luz intensa reflectia-se nas paredes, nas janelas, nos jardins. Tudo estava calmo. De uma quietude natural e pacificadora. Todos dormiam ainda, pois era fim-de-semana. As horas passaram e a casa foi adquirindo movimento.
O primeiro a levantar-se foi o dono da casa que tinha de soltar as cadelinhas e que gostava de tratar dos jardins e da pequena horta, que tinha ao fundo do jardim das traseiras. Era a sua terapia. Eram também as suas origens e o apelo da terra. Essa mini-horta era um autêntico jardim de tão bem tratado que estava.
Entretanto, outros também se foram levantando. Trocaram palavras com o amigo que já tinha dado um mergulho na piscina e se estirara ao sol. Tomaram o pequeno-almoço. Uns fizeram-lhe companhia no banho de sol e nos mergulhos, outros, viciados no facebook, sentaram-se no sofá da sala.
Antes da hora de almoço, um grupo foi ao supermercado fazer compras: peixe para grelhar e batatas. A salada foi feita com as alfaces da horta. Mais tarde chegaram outros amigos que levavam as bebidas e os ingredientes para fazer a sobremesa.
À tarde houve caipirinhas à beira da piscina, mergulhos e muita brincadeira. O pôr-do-sol foi lindíssimo. O jantar foi tarde como sempre acontece aos fins-de-semana!

terça-feira, 25 de maio de 2010

Viagem transatlântica



Ando suspensa num qualquer tempo e nesse deambular sem objectivo vieram ter-me às mãos, pelos CTT (claro está !), os exemplares da colectânea A LIVRE ESCRITA, publicada pela editora brasileira Novitas.

Fiquei feliz, mas não emocionada como noutras alturas em que senti o peso do "meu" livro nas mãos. Dessa colectânea consta um outro português que vive na Alemanha e outros escritores brasileiros.

Hoje não consigo escrever. Só sentir. O que em mim não augura nada de bom. Conheço-me. Habita-me o cansaço. Um grande, imenso, incomensurável cansaço!

É só. É tudo. É talvez nada.