segunda-feira, 29 de março de 2010

"Vida"


Pintura de F Nando
Título: Vida
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Uma árvore começa por ser uma semente que rompe a terra e aparece em tronco jovem e folhas jovens. Uma árvore vai criando raízes. Vai crescendo e criando mais raízes, cada vez mais fundo na terra. A árvore é seiva, beleza e vida. Com o decorrer dos anos, centenas de anos ao frio, à chuva, ao sol, torna-se um gigante vegetal sob o qual crianças brincam e velhinhos se sentam, se houver um banquinho.
Uma árvore é uma história de sobrevivência à passagem do tempo e dos homens. Uma árvore guarda segredos insondáveis, que só o poeta e/ou escritor pode desvendar. Porque conhece a sua linguagem e o sentir em todas as idades. São seres naturais e de uma irmandade sem explicação. E para quê?

sexta-feira, 26 de março de 2010

ACRÓSTICO

Foto de F Nando
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T de teatro, teatral, teatralidade

E de ensaio e espectáculo

A de actores de carne e osso

T de transformação contínua ao longo do texto dramático

R de representação num palco interior ou exterior

O de ser-se outro ou outra por vontade própria

terça-feira, 23 de março de 2010

Faltam-nos as palavras

Foto de FNando
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Chama-se T. e , ontem, levado pelo desespero e a angústia (esta é uma leitura pessoal), atirou-se do segundo andar da sua casa. É um jovem. Conheci bem esse jovem que fez parte de um projecto de teatro. Foi uma das personagens da história.
T. era um rapaz sossegado, bem comportado nas aulas, mas muito introvertido e tímido. Mas conseguiu desinibir-se na peça "As Flores de Idinha", uma adaptação para teatro do conto de Hans Christian Andersen.
Hoje disseram-me que está em coma. Outros dizem que está nos cuidados intensivos. Deve estar entre a vida e a morte.
A DT, quando fala do que aconteceu ao T., chora. Não acredita, pois este é um bom aluno, trabalhador.
Faltam-nos as palavras para dizer o que sentimos. Não compreendemos. É difícil de aceitar. Muito.
Resta-nos desejar que o T. sobreviva e que fique bem, sem sequelas.


domingo, 21 de março de 2010

Dia Mundial da Poesia


Ultimamente os meus passos têm-me guiado até ao Centro Cultural de Belém. Fez ontem oito dias que fui ver a exposição de Joana Vasconcelos. Foi mágico! E todas as obras desta artista inigualável, muito criativa e original, fizeram-me entrar num mundo onírico. Em certos momentos, senti-me criança outra vez.

Hoje voltei ao CCB, desta vez para celebrar o Dia Mundial da Poesia. Andei a folhear os livros na feira do livro de poesia. Ouvi poetas a declamar poesia em algumas das salas. Detive-me nelas por instantes. Vi uma exposição de poesia experimental.
O momento que vou guardar para sempre na minha memória passou-se na sala Sophia de Mello Breyner Andresen. Ouvi elementos do público a declamar e/ou a ler poesia: Fernando Pessoa, Cecília Meireles, Vinicius de Morais, entre outros. Alguns elementos do público leram também poemas de sua autoria.
Destaco a partcipação brilhante de dois jovens que participaram nestas leituras. Um rapaz brasileiro que declamou um poema de Vinicius de Morais e outro da sua autoria. E outro português que leu com muita expressividade dois poemas de Fernando Pessoa.
Só posso sentir que é aqui que eu pertenço. Onde tudo acontece. Exposições, feiras do livro, encontros com escritores, oficinas de leitura e de escrita.
Neste segundo dia de Primavera solar, não plantei uma árvore (algo que já fiz), mas li dois poemas de Fernando Pessoa, como aqueles jovens e outros adultos.

sábado, 20 de março de 2010

Amanhã


Amanhã é um novo amanhã, com palavras para serem lidas em alta voz... com expresssividade, sensibilidade e paixão.

Amanhã é o dia da palavra ser mais cristalina, mais, muito mais chama e luz... do SER para dizer o SENTIR.

Amanhã é um dia novo quer chovam palavras tristes, quer comecem a florir novas e mais jovens palavras...

Amanhã voltarei a fingir que sou poetisa ainda que tudo o que leia ou escreva saia do meu âmago!



sexta-feira, 19 de março de 2010

Fiquei com as rosas


Tinhas asas e voaste. Foste levado pelo desejo de uma vida melhor. Portugal não te dava quase nada, por isso emigraste. Foste para França onde já se encontravam outros dos teus irmãos.
Foste clandestinamente pondo em risco a tua vida, mas a tua força interior guiou-te. A primeira tentativa saiu gorada. Foste apanhado e tiveste de regressar à pequena aldeia onde moravas. Todavia não desististe.
A segunda tentativa foi de vez. Foste "a salto" como nos contavas, a mim e ao meu irmão, isto é , sem documentos, pagando a um guia e atravessando os Pirinéus a pé. Que proeza, pai!
Mostraste-nos e leste-nos essa aventura, que tinhas manuscrito como testemunho. Mas não o temos connosco. Uma tia por afinidade ficou com esse relato e nunca no-lo deu.
Algum tempo depois, quando já não havia menos problemas, regressaste a Portugal e casaste. Tu e a mãe foram para França. Nasci eu e passado quase cinco anos nasceu o meu irmão.
Como gostava de ir às compras contigo! Não dizias não a quase nada.
Depois veio a separação. Foi longa e sofrida. Fiquei em Portugal e fui morando ora com uma tia, ora com um tio... até que a mãe regressou com o mano e passámos a viver com a avó.
Essa primeira separação foi dolorosa, mas víamo-nos sempre no mês de Agosto.
Uns anos depois regressaste. Tinhas uma quinta para cuidar e muitos projectos que puseste em prática. Continuavas a sonhar e a concretizar os teus sonhos, até que tudo terminou num Sábado, dia 2 de Maio, de 1992. Não consegui acreditar que partiras da forma mais cruel: assassinado e o teu corpo profanado. Fingi durante anos que ainda estavas em França, como quando eu era menina.
Depois fiz o luto tardio que deixou muitas feridas e sequelas.
Hoje, pai, recordo as nossas conversas, a partilha dos nossos sonhos, os teus olhos de um azul muito doce. Recordo o teu gosto pelas flores, sobretudo as dálias, os gladíalos, as rosas. Sempre as rosas vermelhas.
Pai, sei que estás e estarás onde eu estiver e que eu agora estou melhor. Sabes porquê? Fiquei com as rosas e o teu amor invisível.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Repto Final


Fui ao I Encontro Nacional de Blogueiros cheia de expectativas. Aconteceu em Lisboa, num simpático e acolhedor restaurante. O grande impulsionador deste encontro foi o Gonçalo (o mesmo que está a organizar o II Encontro). Cada participante levou um objecto ou algo que simbolizasse o seu blogue.


O grupo não era muito grande o que permitiu que todos estivéssemos rapidamente à vontade e a conversa se generalizasse. O gupo era heterogéneo o que fez com que vários temas fossem abordados. Houve momentos em que se partilharam vivências pessoais mais ou menos felizes.


Um dos blogueiros tinha já editado dois livros e a Eli, que levou um para ser autografado, deixou-me folheá-lo. Como gostei do que li, adquiri-o pouco tempo depois, embora levasse um mês a chegar às minhas mãos.


A troca dos artefactos foi um dos momentos altos da noite. Algo de muito verdadeiro aconteceu naqueles instantes. O virtual materializou-se, tornou-se realidade.



Desta vez não poderei ir, pois coincide com as férias da Páscoa e estarei em Trás-os-Montes, a visitar a minha mãe.


Espero que neste II Encontro haja mais participantes , até porque cada blogueiro pode levar um amigo. E a cidade do Porto é magnífica.


Qualquer rivalidade entre o Porto e Lisboa não faz qualquer sentido. A vida nocturna portuense é bem animada e há restaurantes muito bons. Aliás, come-se bem no Norte do país.


Vão e divirtam-se! Contactem o Gonçalo, um jovem dinâmico, bem falante, alegre e giro.


Não se vão arrepender! Garanto-vos!