sexta-feira, 30 de abril de 2010

Inspiração

Foto de F Nando
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Não sei de onde me vem a inspiração quando escrevo. Nem em que momento. Todavia sei que tudo começa de uma ideia súbita que se materializa primeiro em imagens mentais e depois em palavras. Se é para um novo volume de uma colecção, faço um plano da história. Outras vezes a história e o livro surgem espontaneamente.

É o que me está a acontecer neste momento. Nada do que está a ser escrito foi planeado. Aliás o plano era outro muito diferente. Queria escrever algo que se relacionasse com o meu trabalho. Uma espécie de diário. Mas enveredei logo por outra aventura e a história foi aparecendo. As personagens surgiram-me por acaso, assim como o espaço e o enredo. Real e fantástico mesclam-se numa inesperada harmonia.
Como gosto desta nova aventura que pode agradar a qualquer leitor de qualquer idade.


Se tiverem curiosidade podem sempre ler esta história que vai sendo escrita em:




Se puderem ou quiserem dêem-me a vossa opinião.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Deambulações

http://www.photo-de-villes.com/photo-auxerre-2.php

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Ainda não regressaste
de onde te tiraram


Quantas vezes regressas às tuas deambulações

A Rue du Quai sabe tão bem a melodia
do teu sentir livre
nas folhas secas que numa tarde Outono-Inverno
aprisionaste de tela e poesia


Como as tardes
na Rue de Paris te conduziam
ao tempo sem tempo
à policromia do existir esplêndido


Tudo te fazia de sonho
como se não fosses de outro sentir
nem tivesses tido nunca outra vontade


Os barcos atracados no cais ondulavam
nas suas histórias secretas
que só tu entendias

Ainda não conseguiste regressar
desse teu primeiro sentir

terça-feira, 27 de abril de 2010

Aventura automobilística

Foto de F Nando

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Estava uma bela noite de lua cheia que se espelhava no rio Tejo. Ao contrário do habitual ainda se encontrava na rua. Era perto da meia noite. Fora jantar a casa de amigos que já não via há algum tempo. Tanto adiara, que um fim de tarde foi.

Na viagem de regresso a casa, àquela hora, não havia muito trânsito. Não tinha o automóvel há muito tempo. Começou por cumprir os limites de velocidade. Cumpriu os 120km na autoestrada. Depois foi aumentando a velocidade. Foi até aos 150km.

Não se sentia mais poderosa por isso. Sabia dos riscos que corria, mas continuou. Ia sozinha e isso permitia-lhe certas liberdades. Depois de percorrer a A1 entrou na Ponte Vasco da Gama. Não havia quase nenhum automóvel.

Começou a pensar que podia testar a velocidade máxima do seu carro desportivo. Era tentador. Não era ali que se faziam corridas nocturnas de automóveis? Mas e se aparecesse a polícia? Não pensou muito. Colocou-se na faixa central e... pé a fundo no acelerador. Via o ponteiro do conta quilómetros a mudar dos 150, 160, 170, 180 km até aos duzentos. Que sensação! Os outros automóveis eram pequenos pontos de luz que ultrapassava. Não chegou à velocidade máxima. Achou que estava a tentar a sorte.

Saiu da Ponte cumprindo já os 120Km reduzindo a velocidade progressivamente até chegar a casa. Como prometera enviou enviou uma sms à amiga que lhe respondeu com um pequena observação. "Chegaste muito depressa a casa! A que velocidade foste?"

Acho que ela nunca lhe contou e poucas pessoas sabem desta sua única aventura automobilística. E não, não se sentiu culpada.

domingo, 25 de abril de 2010

25 de Abril de 2010


Foto de F Nando
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Passaram trinta e seis anos desde a "Revolução dos Cravos", a "Revolução de Abril" e ontem e hoje foram dias de comemorações. A data foi assinalada por todo o país, mas onde estava o móbil que deu origem a esta revolução? Que democracia é esta em que vivemos? Mas não falemos de assuntos tristes. Continuamos livres como a gaivota que continua a voar...

Ontem visitei o Museu da Presidência e os Jardins do Palácio de Belém. Foi um encontro com a história passada e presente. Gostei desse mergulho. O Museu da Presidência tem uma luz difusa que nos transporta para outros lugares e rostos. Além disso, visitei também a exposição do centenário do nascimento de General António de Spínola. O espaço mais parecia um bunker, com corredores estreitos e salas pequenas. Para tudo ver, senti-me quase a ficar sem ar. Mas nada de grave aconteceu.

Houve algo que vou guardar para sempre na minha memória. A beleza e encanto das estátuas, dos lagos, dos canteiros dos jardins, do exterior do palácio presidencial. Este ano, para comemorar o 25 de Abril, os cravos de papel de Campo Maior deram um colorido magnífico aos jardins.
Sublime! Lindo! Maravilhoso! E o sol brilhou em nome da Liberdade...

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Dia do Livro e dos Direitos de Autor

Mais um dia para assinalar e não esquecer. Eu não esqueço nunca que o dia 23 de Abril é um dia importante. Comemorei-o sempre que me foi possível. Porque tenho um sonho e vou tornar esse sonho em realidade neste post. Pode ser que me chamem de presunçosa, porém não me importo.

Sou uma escritora e bastante versátil. Escrevo crónicas sérias ou com sentido de humor. Os meus primeiros textos publicados foram poemas. Ganhei o primeiro prémio num concurso de poesia promomovido pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira. Na altura aconselharam-me a enviar os meus escritos para uma editora. Foi o que fiz anos mais tarde.

Enviei para a Editora Minerva alguns dos meus textos para participar numa Colectânea de Poesia. E alguns exemplares foram publicados. Anos mais tarde descobri outro gosto pessoal. O de escrever para o público juvenil. Então imaginei uma colecção, uma sequela gramatical com vários volumes. O primeiro está impresso. É uma edição de autor. O segundo está escrito, mas não publicado. Por não ter poder financeiro para o fazer. Tudo porque as editoras para onde enviei os exemplares mos devolveram.

No fim do ano passado participei numa nova colectânea. Desta vez publicada numa editora do Brasil. Os meus textos cruzaram o Atlântico.

Há algum tempo que estou a escrever, num outro blogue que tenho, o esboço de um outro livro infanto-juvenil. Aliás estou numa fase muito produtiva. Tenho imensas ideias para continuar esta narrativa que me faz muito feliz.

Sou escritora, mas sei que não o sou na verdadeira acepção da palavra. Só um dos meus livros está em algumas (poucas) livrarias e sou totalmente desconhecida. Ainda assim não desisto. Agora já não desisto. Nunca mais!


quinta-feira, 22 de abril de 2010

DIA MUNDIAL DA TERRA

Foto de Nuno Martins
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O Dia Mundial da Terra foi criado em 1970 por um homem e político com preocupações ecológicas. De seu nome Haylord Nelson, senador norte-americano, foi o primeiro que convocou o primeiro protesto nacional contra a poluição. Apesar desta informação, não se sabe ao certo quem decretou esse dia. O que se sabe é que se comemora a 22 de Abril, já lá vão quarenta anos.
A TERRA, pelos sucessivos acontecimentos que têm vindo a ocorrer, mostra-nos que o Homem não a respeita. Não sei se o termo mais correcto para classicá-la é a TERRA está "enferma", "doente", ou se está a "procurar curar-se". Tenho uma certeza simples: a TERRA é a nossa casa. A TERRA tem-nos enviado vários alertas: cheias, subida das águas do mar, degelo dos pólos, furacões, trombas de água, vulcões há muito adormecidos que entram em erupção, terramotos, deslizamento de terras, muito frio, muito calor... Se todos os continentes sofrem e um número considerável de vidas humanas se perdem, então não me venham dizer que é normal!
Devíamos tratar a TERRA com respeito e amor e muita educação. É isso que ELA nos está a pedir.
Como reduzir as emissões de dióxido de carbono? Optando por energia alternativas não poluentes. Como manter as cidades, os espaços verdes, as florestas limpas? Colocando no caixote do lixo ou respectivo contentor o lixo. Fazer a triagem do lixo logo nas nossas casas para o pôr no ecoponto. Como combater a desflorestação? Impedindo o corte de árvores e a sua aquisição por empresários. Há outos materiais que substituem e muito bem a madeira. A criatividade humana faz maravilhas... desde que queira, claro. Desde que os políticos e chefes de governo queiram.
O mais ridículo nisto tudo é que só existe um DIA MUNDIAL DA TERRA, quando todos os dias afinal são dias da TERRA, isto para que nós e as gerações vindouras possam viver neste planeta. Mas antes disso, também eles têm de ser educados para estas preocupações ambientais!

terça-feira, 20 de abril de 2010

Abismo(s)



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Finalmente uma parte desta mulher aceita a actual situação: a de nunca mais vir a trabalhar. Esta certeza provocou nela muita dor, muita angústia e desalento. Foi uma caminhada longa do sucesso profissional até à descida ao inferno.
Hoje, a cada amanhecer, cada vez lhe custa mais sair da cama para iniciar um novo dia. Então, inventa-se. Passa horas à frente de um computador para criar uma base de dados. Isola-se completamente nesses momentos. O gabinete onde trabalha é para ela um refúgio e uma prisão. Nem tem coragem de sair dali. Parece um autómato. Há alturas em que lágrimas amargas e salgadas escorrem pelo rosto até chegarem e morrerem na boca.
Neste gabinete, escreve a lápis, histórias e textos, num caderno que comprou. Escreve o que bem lhe apetece. E cumpre rigorosamente as suas nove horas de trabalho. Devido ao seu isolamento, fala com poucas ou nenhumas pessoas. Parece querer fazer-se de invisível. Por vezes tem medo do olhar dos seus colegas de trabalho, que trabalham e conversam animadamente. Há gargalhadas no ar. Nela há só silêncio e uma dor infinita.
Há dias em que pensa em Fernando Pessoa. Seria feliz no seu trabalho? Conseguiria ele cumprir o horário de trabalho na íntegra? Seriam os seus colegas de trabalho tolerantes se ele não cumprisse? Seria sociável ou a-social?
Estas questões dançavam na sua cabeça por uma só razão. Fernando Pessoa, tal como ela, era um depressivo bipolar. Como seria o seu dia-a-dia como profissional? Como escritor sabia-o brilhante apesar de, por vezes, ter laivos de loucura! Ela não estava muito longe disso. Já fizera várias estadias na melhor ala dos hospitais: a psiquiátrica... por se ter atirado para o abismo.