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terça-feira, 2 de agosto de 2011

Digressão


Lyon - França

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Último dia de Outubro de 2005


Este fim-de-semana evoquei paisagens de outrora. São paisagens de um outro tempo, de um outro lugar, muito distante deste onde me encontro. Era tudo tão mágico, tão de sonho! Tão de mais!
Foi muito simples reabilitar esse passado. Creio que foi a paisagem do filme Wicker Park que me fez ressuscitá-lo. Como sinto falta da paisagem branca, branca. Ver os flocos de neve descer do céu ininterruptamente, vê-los cair uns sobre os outros até cobrirem tudo com um manto imaculado.
Mais belo e inesquecível ainda é andar nas ruas brancas e sentir no rosto o frio cortante. Sabia tão bem fazê-lo! Mesmo quando os trilhos por onde todos passavam se transformavam numa lama aguada e acastanhada.
As roupas quentes que somos obrigados a vestir aconchegam-nos nesses passeios a pé. As luvas, os cachecóis, os gorros, os casacos compridos, as botas são de um conforto extraordinário. Tal como entrar numa chocolaterie e pedir um chocolate bem quentinho. Que aroma!
Depois retomava o passeio sozinha ou acompanhada, tanto fazia. Quando sozinha, apreciava a neve nos telhados das casas, nas copas das árvores, nas margens dos lagos. Observava as pessoas na sua rotina diária. Quando acompanhada, gostava sobretudo de respirar fundo, encher o peito de ar frio e de me ver, depois, a expirá-lo como se de vapor se tratasse.

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Participação do mês de Agosto para a «Fábrica das Letras»

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Amor de irmãos

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Este é o meu irmão e uma das cockers spaniel, a Sisse. Adora animais e se pudesse teria outros, passa algum do seu tempo, especialmente ao fim de semana, a tratar dos jardins e da horta.
É o meu ombro amigo, o meu porto seguro e tem-me ajudado muito há já alguns anos. O seu lado pragmático atenua o meu lado demasiado emotivo. Ainda assim não consigo deixar de sofrer por antecipação.
O meu irmão tem a força, a coragem, o carácter do nosso pai. Imagino que se fosse vivo teria muito orgulho nele, tal como eu tenho. É empreendedor, workaholic, tem sempre um novo projecto em mente que executa assim que pode. Subiu a pulso na empresa onde trabalha demonstrando sempre disponibilidade, responsabilidade, assertividade na tomada de decisões. Por issso vamos ficar tão longe. O Oceano Atlântico vai separar-nos. A empresa onde trabalha envia-o para Manaus, na Amazónia, para abrir uma fábrica de componentes de automóvel.
Já me sinto desamparada antes mesmo da sua partida, na próxima segunda-feira. Lá se vai o meu "mano", como costumo chamar-lhe, por ser mais novo que eu, numa altura em que não me tenho sentido bem. Ando triste e perdida.
Para me animarem, os meus/nossos amigos dizem: "Podes ir visitá-lo ao Brasil!", como se o Brasil fosse logo ali. Porém se ficar lá dois a três anos, acabarei, com certeza, por ir. Este meu mano é tudo para mim. Depois da morte do nosso pai e do aparecimento da minha doença crónica, que me vai empurrar para a reforma antecipada, ele é a nossa referência masculina, minha e da minha mãe.