Não sei que dia era. Não sei se estavam orgias de luz e poalha ou apenas nuvens plúmbleas. Também não sei nada do dia da semana, mês, ano.
Naquele dia o tempo, que teima em condicionar a vida humana, não tinha qualquer importância. Simplesmente não existia. Não o deixaria existir. Porque sim. Apenas.
Deixei-me entrar na minha própria mente, tantas vezes febril, apática, adormecida e passeei-me por ela com uma curiosadade faminta de mim. Só que tudo o que era orgânico, físico, psíquico não existia mais. Eu era outra. Melhor, eu era outras. Outras duplas de rostos iguais, mas sentires difversos. Talvez não fossem duplas. Talvez fossem clones. Não, não podia ser! Os clones são o aperfeiçoamento do que é considerado original mas imperfeito e ali não havia perfeição. Que absurdo!!!
Gostávamos de passear sem destino e por dentro de tudo. Não bastava ver uma escultura, tínhamos de sê-lo também. Estávamos sempre representados nas telas, porquanto ninguém soubesse. Éramos a partitura de algum músico. Sentíamos cada palavra escrita por tantos escritores.
Senti-me enjoada de mim. A minha mente regurgitava-me! Como? Porquê? Acordei num leito estranho, numa sala estranhamente branca, fétida de medicamentos e de morte cerebral.