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segunda-feira, 12 de março de 2012

E tudo

Foto de F Nando

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Brindemos às palavras que ainda estão por vir...
Brindemos às palavras esmagadas sob a força dos cavalos a galopar na praia...
Brindemos aos livros já escritos, mas nunca lidos...
Brindemos às árvores que plantamos numa qualquer primavera...
Brindemos aos filhos que não tivemos ou não pudemos ter...
Brindemos ao império dos sentidos...
Brindemos ao ar, à terra, ao fogo e à água...
Brindemos à natureza...
Brindemos ébrios de vida, de amor, de sonho, de vontade de se ser outros...
Brindemos...
... e bebamos poesia, literatura, natureza, vida e amor e tudo.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Deixa-me...

Foto de FNando

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Deixa-me aninhar-me no teu colo
e sentir o bater do teu coração
e o calor do teu corpo
e o beijo ainda imaginado
mas tão desejado

Deixa-me sentir o teu abraço
e o carinho, a ternura doce
e a segurança que nunca antes senti
mas que quis de mais

Deixa-me saber-te e ler-te
e inebriar-me nessas leituras
e sentir-te longamente
e nos momentos rápidos sermos Um
mas sempre intensamente

Deixa-me voar contigo
ao sabor do vento e do sol
e seguir os astros
e inventar outros momentos de luz
e de luar nas asas do real

Abraça-me, sim abraça-me e beija-me
Não me deixes nunca
que nunca é eternidade
Beija-me os pés, as mãos, a boca
e todo o meu corpo feito de incêndio
por esperar por ti

sábado, 16 de abril de 2011

TERNURA


"Ternura" é o tema escolhido para participar, este mês, no desafio da Fábrica de Letras.

Há momentos de ternura inesquecíveis e indescritíveis.
A palavra ternura sugere-me também esse sentimento. Sentimos ternura pelo mínimo gesto, por uma palavra amiga que nos foi dirigida, pela nossa cadelinha que nos vem lamber as mãos quando estamos tristes.
Desta vez resolvi prestar homenagem a um professor e escritor de que gosto. Também ele escreveu sobre ternura.
***
Ternura

Desvio dos teus ombros o lençol,
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do sol,
quando depois do sol não vem mais nada...

Olho a roupa no chão: que tempestade!
Há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
onde uma tempestade sobreveio...

Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...

Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!

David Mourão-Ferreira, in "Infinito Pessoal"

quarta-feira, 13 de abril de 2011

O BEIJO


Robert Doisneau

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Beijo-te ardentemente
num gesto impulsivo de opala
sem hora e sempre
com sabor transparente ao nosso
after

Beijo-te bem intensamente
no corpo todo e que sei meu
e aninho o meu no teu abraço
doce

Beijo-te apaixonadamente
nos lábios de rosa veludo
sentindo um arrepio terno de sentimento
único, irrepetível, sensível

Beijo-te, beijo-te, beijo-te
sempre e sem hora
agora

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Dantes




Foto de FNando
(Alcochete)

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Agora sei o que são semanas longas, longuíssimas e solitárias.
Agora sei que nem sempre preencho as horas vazias com o que gosto.
Agora sei que o dia tem mais de vinte e quatro horas sem palavras poéticas.
Agora sei que me aborreço de mim mesma por estar tão quieta e dormente.
Agora sei que há este mundo feito de ansiedade e receios.
Agora sei que há fins-de-semana cinzentos com raios de sol invisíveis.
Agora sei que tudo que se foi deixou um vazio incomensurável.
Agora sei que a dor vem de dentro e se instala sem me pedir.
Agora sei que há lugares para quem tem hemorragias internas de dor aguda e insana.
Agora sei que me morro a cada dia, mês, ano que passa.
Agora sei que me procuro mais por não saber estar onde outros estão.
Dantes nada sabia ao certo embora o pressentisse.
Dantes tudo me parecia certo e bem.
Dantes tinha asas e voava ao encontro dos meus sonhos.
Dantes queria viver intensamente, aprender tudo, ser sempre outra.
Dantes é tão longe e tão doce e acre!
Dantes acreditava ser feliz e não o era.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Persistência


Foto de F Nando
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Paisagem de mim
sem mim e comigo antes e depois
de frágeis sentires
nas rochas gastas e falésias infinitas
de uma angústia omnipresente
***
Amanhãs por ser
hojes que se repetem no vaivém dos dias
deixando escritos invisíveis
num passado destruído
por pesadelos repetidos na noite fria
***
Encontros
mas ainda mais desencontros
trágicos e não lúcidos
envoltos em neblinas que não desaparecem nunca
numa solidão interminável
sempre persistente
sempre onde estou ou onde fui
***
Nada sei de mim
***
Movo-me descalça nas rochas e na terra dura
entre céu e terra
perto do abismo que me atrai
qual íman ou voz encantatória
que me devora a vontade sem remorsos
olhando-me ameaçadoramente
***
Há anos
que sinto a sua força magnética
e oiço a sua voz telúrica

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Amanhã

Foto de F Nando
Arte Lisboa
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Depois da Hora será já Outro o Outro
Na madrugada, talvez fria, e de certeza solitária,
Hão-de fazer-se ouvir as ondulações das palavras
Como melodias suposta e imaginariamente originais,
Inventar-se-ão as cores do poema tela
Numa declaração de Amor
Bebericando o vinho abafado dourado
***
Depois dessa Hora será a outra Hora
De um dia outro
Quase estático, silencioso
Mas tão esperado na sua linha ténue
Entre o ontem solar e bêbedo de paixão
De entrega e de declarações certas
Ainda que tão imperfeitas
***
Madrugada de insónia e de drogas
Manhã de sonhos num sono afinal intranquilo
Tarde de ir respirar o ar do mar e do campo
E desafiar qualquer falésia sem lá estar
Porque esta é interna, interina, interior
***
Fim de tarde com gotas de chuva anunciada
A escorrer transparentemente na vidraça
No amanhã a não esquecer

sábado, 18 de setembro de 2010

Queria ser...


Foto de F Nando

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Queria ser sempre para mim
a que sou para ti
nos meus melhores momentos
quando penso e sinto apenas


***


Encho as tuas folhas
de palavras e cores que desabrocham
desarmadas e puras
nas minhas longas vigílias


***


Deixo-me guiar enfeitiçada
pelas ondulações dessa minha outra voz
por esse eu maior


***


Sabe-me a minha poesia
a transparências do ser
a encontros de palavras orvalhadas
onde cintilam ainda gotas azuis


***


04-08-1999