quarta-feira, 1 de agosto de 2018

O BELO


As palavras dizem que o belo existe aqui, agora, além, além de nós que a nossa existência é breve e termina inexoravelmente na morte. Depois da morte fica-nos a expressão do belo das mais variadas formas.
As palavras dizem o amor como os amantes dizem que se amam de alma e coração. As palavras contam os momentos de felicidade e de tristeza nas telas que o pintor quis pintar. As palavras narram belas histórias de outrora que fazem parte da tradição oral de um povo e de todos os povos. As palavras aparecem sempre que a voz do poeta se ergue para cantar o seu fado ou o fado de outros.
Gosto das palavras porque elas dão forma ao belo em poemas, narrativas, ensaios, peças de teatro, guiões, e ficam para sempre no andar lento dos séculos. O belo existe nos escritos assim como existe na policromia dos quadros, na polifonia das composições musicais, na grandeza das esculturas, na grandiosidade dos monumentos, na inexplicável e sempre harmoniosa Mãe Natureza.
O que é o belo senão o que existe à nossa volta seja obra do Homem ou do Universo? O belo é intemporal e também sempre novo porque tudo existiu, existe e existirá. Nós não, como disse.
O meu olhar apreende o belo que me cativa sem razão, nem explicação. Pode ser um momento breve, leve, passageiro mas fui eu que o senti meu por instantes. Pode ser um tempo longo, artístico, pleno de significado para mim. Pode ser um dos meus livros, sim. Também pode ser um dos quadros que pintei há anos, pode. O belo sente-se. O belo é enamoramento por tudo o que fazemos e somos. O belo ama-se acima de ódios e querelas. O belo sabe bem o momento de se manter sempre entre nós. O belo diz e diz-nos. O belo é maior que tudo na vida e na morte. O belo fica. Sempre. Sempre. Sempre. 


quarta-feira, 25 de julho de 2018

Chelas





Chelas é uma aldeia que fica a dois quilómetros e meio de Mirandela,  em Trás os Montes. É uma aldeia pacata e pequena, com poucos habitantes, alguns deles bastante idosos. Quase não há crianças. Talvez uma, duas ou três. Não sei precisar.
A aldeia fica no cimo de um monte e a paisagem circundante, mais ou menos longe, é constituída por serras e montes e uma pequena planície. A maioria das casas é em pedra, mas há também construção de casas mais modernas. Isto é, as que não se conseguiram reconstruir em pedra, foram reconstruídas em betão. Há ainda vivendas enormes construídas posteriormente à reconstrução e reabilitação das mais antigas que têm uma traça mais moderna, não desvirtuando a arquitetura da aldeia. Há, no entanto, bastantes casas para reabilitar num dos bairros da aldeia.
A antiga escola já não recebe alunos há muitos, muitos anos. É agora o lugar de encontro dos escuteiros de Mirandela. Preserva-se assim algum do património da aldeia. A igreja de Santa Maria Madalena também foi recuperada e atrai a atenção dos habitantes  e dos turistas. Ali se reza a missa, se fazem batizados, casamentos e funerais. A 22 de Julho faz-se uma pequena festa em honra da padroeira e nesse dia ou mais a aldeia ganha mais vida.
No mês de agosto as casas de segunda habitação enchem-se de gente com a chegada dos emigrantes e com a vinda dos que moram no Porto, Lisboa ou outras cidades de Portugal. Nessa altura há mais gente e a pequena aldeia adquire um novo colorido. Os reencontro acontecem e todos estão satisfeitos por essas merecidas férias.
Nesta aldeia não há um único café ou restaurante. Nunca houve. Houve em tempos idos uma taberna e mercearia que morreu com o desaparecimento gradual das pessoas. Apesar de não haver café, nem mercearia, há pão fresco todos os dias, peixe e mercearia uma vez por semana. 
A "Quinta Entre Rios" é um empreendimento de agroturismo que alberga alguns visitantes curiosos em conhecer tão pacata aldeia ou que preferem a calma e o silêncio daqueles sítios. Ouve-se simplesmente, a maior parte do ano, o latir dos cães, os trinados dos pássaros, as cigarras, e um ou outro automóvel que passa.
Na maior parte do tempo não se vê vivalma. Os invernos são muito frios, com neve a cobrir a paisagem, e os verões são muito, muito quentes. A temperatura ultrapassa em muito os trinta graus.
Chelas é uma aldeia pequena mas hospitaleira. A paisagem é de cortar a respiração com tanto que os nossos olhos veem. O olhar perde-se na linha do horizonte onde terra e céu se encontram em harmonia.


segunda-feira, 23 de julho de 2018

Passeios





Gosto de sair para dar um passeio pelas ruas da cidade ou ausentar-me de casa para conhecer outros sítios. Sabe bem sair e ver outras paisagens. Faz bem à mente e a aparição de novas paisagens enchem-nos de alegria e paz.
Há algum tempo, fomos passear até à cidade da Guarda. Não fizemos o trajeto de uma vez só. Aproveitámos para parar e conhecer a aldeia mais portuguesa de Portugal: Monsanto. Esta aldeia tem a peculiaridade de estar incrustada nas rochas e algumas das casas têm mesmo o telhado de rocha. São casas de pedra lindíssimas e que respiram  o ar dos antepassados. Cada casa é uma história ou várias.
Os trilhos são estreitos e para visitar a aldeia de Monsanto tem de se andar sempre para cima até ao topo das fragas. Os penedos erguem-se orgulhosos e intemporais. De cima dos rochedos avista-se a planície lá longe que se perde no infinito, que fica bem junto ao céu.
Nem todas as casas são habitadas, percebe-se que algumas delas são a segunda habitação e algumas delas estão reabilitadas. Muitas delas têm jardins floridos multicolores, as que não têm jardim têm vasos de flores muito bem tratadas.
Depois dessa paragem por Monsanto, seguimos o nosso caminho com a beleza destes sítios no nosso olhar.

sexta-feira, 20 de julho de 2018

ESPLANAR



Hoje, como noutras tardes, o Nando e eu fomos dar uma volta pelas ruas do Montijo, rumo ao Café da Praça.
Como têm estado uns dias quentes descemos as ruas para sentir a brisa do vento e passear um pouco. Depois do passeio, aproveitámos para beber uma bebida refrescante. Sentámo-nos na esplanada do referido café após feito o pedido. A cerveja está sempre fresquinha.
Sabe bem esplanar, como dizemos entre nós. É uma pausa habitual ou que se está a transformar num hábito. Enquanto estamos a  esplanar, conversamos e observamos os transeuntes rumo a casa ou a outro lugar qualquer. É uma boa forma de relaxar.
Algumas crianças brincam no jardim ou no coreto, os transeuntes passam com mais ou menos pressa, alguns sentam-se também na esplanada a beber algo igualmente fresco, comer gelados ou comer um croquete, um rissol ou um bolo.
É agradável estar na esplanada a esplanar. O vento sopra tornando o calor suportável. Está-se tão bem! É bom nada fazer a não ser saborear parte do fim da tarde, conversando ou observando o movimento da Praça. Os temas da conversa vão variando. Hoje falámos do que vamos fazer no próximo fim de semana. Decidimo-nos por ir ao "Rendezvous - more than wine", em Lisboa. Começamos a planear as próximas férias, isto é, a nossa viagem a Lagos. E por aí fomos ficando sonhando com outros destinos caso a ocasião nos apareça. O Nando falou em dar a volta ao mundo. Seria tão bom!
Esta tem sido uma forma de sair de casa apesar dos dias mais ou menos quentes. Esplanar faz bem. Esplanar é bom. É ver o tempo passar sem o sentir passar.

quinta-feira, 19 de julho de 2018

No Rendezvous - More than Wine



Esta sou eu no "Rendezvous - more than wine", um espaço acolhedor onde se podem comer deliciosas tapas transmontanas, e não só, e beber um bom vinho ou cerveja artesanal. Gosto também das compotas que servem com os queijinhos e da ginjinha de Lisboa. Há muito com que nos deliciarmos.
O espaço é muito agradável e bem decorado com notações de madeira: uma parede e uma estante onde estão expostas as bebidas e os doces.
Este espaço fica na Rua de São Vicente, em Lisboa, bem perto do Panteão Nacional e da Igreja de São Vicente.
Depois dos comes e bebes pode-se fazer um passeio cultural, como eu  já fiz. É um bom programa para um fim de semana ou um dia de férias. 




Somos
impensada e sonhadamente
melodias incompletas do ser
numa pauta essencialística
todo o momento reescrita
na tela da vida
Buscando e acreditando em sonhos, paixões, quimeras
a realizar





Quando a lua sobe no céu escuro, com o corpo inchado e pleno, os duendes saem dos seus múltiplos esconderijos, para cravejarem de diamantes o infinito cósmico.
Estou a vê-los ainda agora: pequenos criadores de luzes mágicas, longínquas, saltitando de estrela em estrela ou voando no firmamento longínquo.
Não me canso de os observar, por querer ser como eles: seres etéreos, imaginários, sem sentir nada do que me atropela o pensamento e me adensa o vazio.
Se fecho os olhos, ainda que por breves instantes, sem tempo no relógio, aproximam-se de mim e segredam-me ao ouvido as palavras que a lua não me pode dizer.