sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Voz da dispersão

Foto de Fernando Cardoso
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No teu quarto
das abstracções sempre possíveis
voluntárias
ondulam por aí
poemas limpos ou rasurados
reescritos
na página anjo do teu ser

Nascem do teu pensar de génio
do teu sentir fragmentado
desassossegado
que imperiosamente
se diz em vozes distintas

As palavras dessa tua dispersão
materializam
todos os teus EUS
que são OUTROS contigo
que te acompanham
desde o dia em que nasceste
e ainda e sempre
aqui, hoje, agora que te foste

Tudo parece sonho na distância
dos séculos
mas a tua dor de seres
continua sempre e inequivocamente
connosco
com os que sentem como tu

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