domingo, 22 de fevereiro de 2009

O belo


A tempestade das cores instalou-se na tela e dela nasceram esboços simples, transparentes no dizer o sentir. Os tons inundaram de vida o atelier outrora em agonia.
A mão que os engendrou ainda vacila perante o branco ostensivo de uma folha, porém sabe que o que procura está no conjugar das ideias, imagens e tons. Procura a perfeição. Só que alguém mais sábio lhe disse que a perfeição não existe. Esta é mais uma quimera como tantas outras.
O belo, a fome do ser pelo inatingível conquistam-se a cada traço mais ou menos preciso, a cada tentativa de esboço até ao definitivo. Mas mesmo à obra-prima faltará algo.
Quem ama a arte não pode ser pretensioso, nem ambicioso, pois a essência do belo é a procura sincera do que nos habita e somos e não do que se espera vir a ser.


Auxerre (21/01/97)

2 comentários:

OUTONO disse...

Criar...o mais longo pesadelo, de quem tem essa tarefa.

Xacal disse...

Nem tão rápido que pareça covardia, nem tão vagaroso que pareça provocação...

Nem tímido a ponto de ser voyeur, nem tão explícito que seja exibicionista...

Nem tão ciumento sobre a obra que a torne inócua, mas nem tão orgulhoso que pareça cafetinagem...

Esse é o drama da criação...

Belo blog, belos textos, belos poemas...

Um abraço...