segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Ainda e sempre Paris




Depois do regresso a Lisboa
perguntei-te
Estás satisfeita com a tua obra
***
Não me respondeste
Nem me olhaste olhando o Mar da Palha
mas sem o veres
sem sequer o tentares reconhecer
***
Tudo era ainda e sempre Paris
***
A cidade estava em ti
iluminava-te
e roubava-te em absoluto
da realidade previsível do hoje
***
Continuavas a passear-te
pelos boulevards
de onde vias os bateaux mouches
percorrendo o Sena
***
Tranquila bebias tragos de kir royal
numa terrasse dos Campos Elíseos
num qualquer fim de tarde
revendo os teus papéis
***
Outras vezes ias até à Fnac
na Grande Arche de la Défense
onde folheavas por horas intermináveis
romances, peças de teatro, poesia
que devolvias às estantes ou compravas
***
Nessa desejada estadia
o romance que ali iniciaste e terminaste
continua a ser esse teu silêncio
sem edição prevista

1 comentário:

Érica disse...

Também vivi um louco amor em Paris... ao ler seu texto pude reviver momentos maravilhoso... um amor que começou e terminou em Paris, porém continua muito vivo dentro de mim. Bjos