sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Amor(es) proibido(s)


Foto de N Augusto
***
Todos os dias passava por aquela casa. Era, de facto, uma belísssima moradia. No entanto, sem desprimor da bela construção, o que mais a cativava era aquela janela.
Aquela janela era mágica. Gostava da grade de ferro forjado que a protegia de possíveis invasores, com imensos corações desenhados. Bom, era isso que ela via e queria ver! Gostava também de, na Primavera, ver os vasos pendurado, cheios de belas sardinheiras carmim. Que contraste cromático encantador! Sim, gostava muito daquela janela.
Imaginava que noutros tempos, bem longínquos, a janela já fosse assim e que uma bela rapariga da vila lá morasse e que se tivesse apaixonado por um forcado vindo de uma terra distante. Mas como a família não aprovava tal namoro, tinha ali colocado aquela separação entre os amantes, tendo enviado a rapariga para o Minho, para casa de uns parentes. O romance acabaria com o passar do tempo.
Imaginava também que morava ali uma família brasonada e que a filha mais nova se havia enamorado por um pescador da vila. A noite escura era a protectora dos seus encontros naquela janela. Através dela fizeram juras de amor eterno, trocaram prendas e deram o primeiro beijo. Só que, certa noite, a mãe acordou a meio da noite e descobriu o que se passava. Nada disse. Porém algo deve ter contecido porque, a partir daquela noite, o pescador desapareceu. A bela jovem, entre lágrimas, esperou em vão pelo seu amado.
Imaginava também que uma família rica, possuidora de várias herdades, tivesse como único filho um varão. Era um homem alto, espadaúdo, olhar sedutor. Não viria nunca a casar-se por ser como era. Conquistava todas as belas moças da vila, prometia-lhes este mundo e o outro e elas, ingénuas e apaixonadas, acreditavam.
De entre todas as suas conquistas, só uma delas, passados largos anos, lhe bateu à porta. Ele, arrogante, abriu-lhe a janela. Ela não temeu aquele olhar. Disse-lhe tudo o que engolira durante anos. Terminou a conversa dizendo-lhe que merecia a solidão e a pobreza que se abatera sobre a sua família! Não soubera nunca amar. Nem nunca tinha sabido deixarse amar por pura luxúria! Ele mandou-a embora e ela foi feliz.
Quantas histórias ela imaginava a partir daquela bela janela. Quantas histórias poderia ainda criar a partir dela.

19 comentários:

Olga disse...

Uma janela ou uma porta pode ser realmente uma entrada para uma bela história e dar azo a õutras tantas, o limite é o infinito. Beijinhos. (A mascara que falo é realmente muito agradável, o frio refresca muito, dá uma excelente sensação nos olhos, ficamos mesmo descansadas, experimenta que vais gostar, quente já experimentei mas não acho vantagem nem gostei da sensação, mas vou pesquisar melhor). Bom fim de semana.

Eva Gonçalves disse...

Adoro fotos de janelas. E gosto dessa janela :) Das janelas vemos o que se passa ao redor... mas não vemos o que se passa dentro da nossa própria casa :)Imaginam-se histórias, criam-se ilusões... mas as verdadeiras histórias, estão na interacção entre o interior e o exterior, n'est-ce pas? Que seja feliz na janela, mas que saia de vez em quando e veja a janela de fora!! Beijoca e bom fim-de-semana.

Bina disse...

muito lindo (:

gstei mto*

Ana disse...

Olá, Natália

Um dia conto-te a minha "estória" dessa janela.
Bj

Gonçalo disse...

Afinal não é só o F Nando que calcula bem os planos de uma imagem. Será que se pega por contacto? ;)

Respondi ao teu comentário no meu blogue. Se puderes divulga o Encontro no teu blogue. Agradecia :)

Um beijinho grande para ti *;)

Natália Augusto disse...

Tens toda a razão, Olga. Uma história conduz a outra,
(Vou realmente seguir o teu conselho e experimentar a máscara).

Beijinhos

Bom fim-de semana.

Natália Augusto disse...

Boa noite Eva,

adorei o teu comentário e , tal como tu, há janelas que me fascinam porque me levam para longe da realidade. Por outro lado, é através delas que vemos os outros, o exterior sem sermos vistos.

Beijocas

Bom fim-de-semana

Natália Augusto disse...

Boa noite Bina

Obrigada pela tua visita ao meu blogue. Volta sempre que te apetecer,

Bom fim-de-semana

Natália Augusto disse...

Boa noite, Ana

Deixaste-me curiosa! Quero conhecer essa tua "estória"...


Beijinho bom,

Bom fim-de-semana

Teresa disse...

Natália
Que belas histórias te suscita esta janela! Eu também gosto de janelas, sabes? Vistas de dentro, parecem molduras do mundo. Vistas de fora, parece que escondem mistérios e histórias fantásticas, com as da tua janela.
Bjs

Eli disse...

hmmm

Quantas vezes acreditámos e sonhámos?! Será que há amores realmente verdadeiros?!

:)

F Nando disse...

Uma história digna de um conto de fadas!
Gosto de portas e janelas elas são a boca e os olhos das casas.
Bjs

Patty disse...

A nossa imaginação é mesmo incrível, ao olharmos para uma coisa, o que nós inventamos e pensamos que poderia acontecer. Incrível.
Bom fim de semana.
Bjocas
Patty

Natália Augusto disse...

Olá Gonçalo,

na altura nem conhecia o Nando, mas aquela janela sempre me fascinou.

Claro que vou publicitar o II Encontro de blogueiros.

Bjs

Natália Augusto disse...

Pois é Teresa, as janelas são mágicas.

Bjs

Natália Augusto disse...

Tem de haver, Eli, senão que sentido teria a vida? Um coração não sobrevive sozinho. Acredita.

Beijinhos

Natália Augusto disse...

Hum... que belas metáforas! Além de fotógrafo, temos poeta.

Beijos Nando.

Natália Augusto disse...

Olá Patty,
por vezes, de tanto imaginar, acabo por acreditar naquilo que imagino. Acho que há uma parte de mim que sempre se negou a aceitar a realidade, isto desde os meus oito anos.

Beijinhos

Olga disse...

Natália entrei aqui mesmo para te dizer isso, para usares a máscara, coloca no frigorifico como eu, na prateleira dos ovos assim está sempre fresquinha quando te apetecer usar. Podes usar enquanto estás por exemplo a tomar o pequeno almoço, ou então quando chegas a casa e descansas um pouco, vais ver que é uma boa sensação. Beijinhos.